1 de dezembro de 2008

Melting pot

Nesta grande Lisboa que eu amo há: uma tímida e explosiva virgem gótica, um jovem beirão assustado com a capital e voyeur por via das novas tecnologias, um louco-sem-abrigo-mendigo que apregoa tanto Confúcio como Nietzsche, um jovem padre que ama Bauhaus quase tanto quanto teme a Deus, uma senhora taxista que polidamente aldraba turistas ao ritmo de Grieg, um preto que odeia brancos mas também pretos sem raízes, uma esguia mulata que não se decide se ser preta se ser branca, um executivo norueguês que aterra em Lisboa com o peso de uma vida perfeita, um skinhead que tanto detesta pretos como adora animais, um romeno pragmático que trafica carne branca, uma doméstica brasileira que sobe, a custo, na vida, um contabilista então-que-tal-tudo-bem?-tudo-bem!, uma velhota que sofre das cruzes porque não quer sofrer do marido que Deus tem, um fadista que faz tours em lares de terceira idade, tias afogadas num mar de piedade e redenção, mercearias derrotadas por shoppings centers, shopping centers derrotados por hipermercados, hipermercados que democratizam o consumo de uma classe média em ascensão, a rua esquecida por computadores, colégios privados e condomínios fechados, afectos construídos por sms, telemóveis, portanto, facebooks, hi 5's e quejandos, é claro, o vídeo é uma arma, juízes sós e ministérios públicos, jovens que queriam mudar o mundo e se rendem ao gourmet e aos prazeres eternos da juventude, inconsequentes políticos bem intencionados, cachupa e pescada-de-rabo-na-boca e túbaros e caracóis, a luz alfacinha, o bolo rei ou o bolo raínha, o kremlin, o kubo ou o incógnito, alfama em guerra com alcântara, a buraca que não gosta do califa, hei-de encaixar o mergulho nesta amálgama ainda não sei como, também há os irreverentes criativos que não apreciam pragmáticos engravatados e vice-versa, depois os guetos e subsequentes guerrilhas escolares, até desembarques de refugiados com que ninguém contava, um armagedão à escala lusitana e, sobretudo, um punhado de amores possíveis e uma mão cheia de amores impossíveis. Talvez até um terramoto, isto fica por decidir. Tudo isto há na grande Lisboa que eu amo. Sobre tudo isto falarei, porque sim, e tudo isto resulta numa grande salganhada e o consequente o cabo dos trabalhos. Et pour cause, en ce blog il y a une pause.

7 comments:

W. V. D. 1 de dezembro de 2008 às 23:18  

Melting Pot é um bar muito giro na Quinta do Lago, local de golfistas por excelência, com várias marcas e modelos de cerveja, é sempre agradável.
Não tem nada ou quase nada da amalgama descrita

triss 2 de dezembro de 2008 às 14:25  

Que bom post:-)
Este sábado fui lanchar ao Califa, para me abrigar do temporal, e fiquei surpreendida com a remodelação e a esplanada visionária! Como é que nunca se lembraram de a fazer? Bom, mais vale tarde do que nunca. No entanto há coisas que nunca mudam e o serviço continua o mesmo. O que não é necessariamente bom...

Garf 3 de dezembro de 2008 às 17:22  

Que a pausa não seja longa: isso é bom para mim, que escrevo mal...

Anónimo,  8 de dezembro de 2008 às 01:02  

Nietsche´, falta um s no teu.
Bj

Ogait 9 de dezembro de 2008 às 11:06  

Obrigado a todos. Raisparta o alemão... lapso corrigido.

Niki 10 de dezembro de 2008 às 16:20  

Muito bom. Se isto não é inspiração não sei que nome terá.

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