<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913</id><updated>2011-09-04T16:57:46.697+01:00</updated><title type='text'>Wordaholic</title><subtitle type='html'>de palavras não sei. apenas tento desvendar o seu lento movimento (ary dos santos)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>203</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-175207282079905308</id><published>2010-12-06T00:05:00.001Z</published><updated>2010-12-06T00:08:04.540Z</updated><title type='text'>Viagem</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:16.0pt;mso-pagination:none;mso-layout-grid-align: none;text-autospace:none"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size:16.0pt;font-family: Times;mso-bidi-font-family:Times;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Agora que de chofre me devolveram o tempo inteiro só para mim, e nada justifica o almoço e o banho e o jantar, agora que posso dar-me ao luxo de observar calmamente um gato a caminhar pelos telhados no luxo imenso da exploração, agora que posso ver como se faz e desfaz uma nuvem, agora que cada dia antecipa a longa noite sem motivo para me encostar à pressa ao corpo que me espera, agora que depois a manhã não tem princípio, agora quero, desespero que me dêem essa prisão de volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-175207282079905308?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/175207282079905308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=175207282079905308&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/175207282079905308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/175207282079905308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2010/12/viagem.html' title='Viagem'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6271742594994373218</id><published>2010-08-25T17:00:00.003+01:00</published><updated>2010-08-25T17:02:13.383+01:00</updated><title type='text'>Retalho</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/THU-OJuFQyI/AAAAAAAAAhk/lv53CjPCyRo/s1600/pn.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509378132005962530" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/THU-OJuFQyI/AAAAAAAAAhk/lv53CjPCyRo/s400/pn.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Quando o último carro se esconde, por detrás da tenda da noite, quando o metro prepara o seu vaivém nas profundezas da Pontinha, quando em Santa Maria o grito da sirene se cala e o primeiro ainda é futuro, quando a Alameda se aclara concedendo o descanso à prostituta, quando à sombra do Parque os delitos estão cometidos e o assassino lava as suas mãos, quando o feirante se levanta a caminho de São Vicente, quando o astro de Oriente tinge a Palha de cobre,  então, sem que a cidade dê por ele, como um sopro ligeiro no céu ainda puro, passa o anjo esquecido do mistério.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6271742594994373218?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6271742594994373218/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6271742594994373218&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6271742594994373218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6271742594994373218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2010/08/retalho.html' title='Retalho'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/THU-OJuFQyI/AAAAAAAAAhk/lv53CjPCyRo/s72-c/pn.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-8804806769391644918</id><published>2009-12-07T01:18:00.002Z</published><updated>2009-12-07T01:28:13.453Z</updated><title type='text'>João Maria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SxxYMn4huhI/AAAAAAAAAhc/rVagiKfKwEs/s1600-h/IMG_3284.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SxxYMn4huhI/AAAAAAAAAhc/rVagiKfKwEs/s400/IMG_3284.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412297826080242194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É dezembro. No lá-fora, tudo parece estar parado. Tudo, no  lá fora, corre tranquilo, são folhas secas, caducas, moribundas e pardacentas e tranquilas. O sol vê-se, sim, o sol vê-se não. Não se vê, o sol. Tanto faz, que o sol não se veja. É dezembro, e está tudo mudo. No cá-dentro, é a lâmpada fluorescente que se destaca, aquela lâmpada que me dava cabo do tino, aquela lâmpada ecológica vinda lá do-alto cuja luz irritantemente lúcida e límpida e pura e e puritana  daria vontade de estoirar com ela,  antes que a tipa desse cabo de ti, essa merda de luz rígida  que põe todos os teus defeitos a nu. Antes, daria cabo dela. Agora, tanto faz, que a luz seja irritante e lúcida e límpida. Não tenho de fugir dela, não temos de inventar uma tarde abrigada a lençóis de flanela e alimentada a filmes de Fellini e abrilhantada a gelados da Haggen Dasz. Tanto faz, que o realizador deste filme esteja curto de ideias e a tarde seja igual e seja dezembro e o lá-fora esteja parado e frio e o cá-dentro seja uma luz fina e límpida e pura e puritana e aborrecida. Tanto faz. Há um pano de fundo (e o pano de fundo deixou de ser uma metáfora fácil, o pano de fundo passa de repente, sem aviso, a prosaicamente traduzir uma fraldinha-de-pano com que, no meu ombro esquerdo, porque me dá mais jeito e porque não no esquerdo, aconchego o arrotito que aí virá, quanto mais depressa melhor, e passo a fazer figas pelo arrotito, quem diria que eu faria figas por arrotitos e pieguices saídas de um catálogo social de bons sentimentos inspirados por recém nascidos). Tanto faz que o director de fotografia esteja virado para dias pardacentos. Neste deserto de dias do lá-fora, dou-me conta de que um filho não é um ser humano à-parte, é um esticamento do teu corpo, do teu humano corpo, é um órgão adjuntivo que deves preencher de sangue quente, do teu sangue, de pensamentos, dos teus pensamentos, dos risos, dos nossos risos, de suspiros, dos nossos suspiros, de respirações, dos teus bafos, dos teus bafos tranquilos, como um dia cinzento de dezembro, e que bonitos que de repente são os dias plúmbeos de dezembro. Se ele chora, és tu que choras, se ele ri, és tu que ris. Eis a alma gémea que procuraste indefinidamente e que encontraste sem fazer por isso. Tanto faz, o tempo feio. Tanto faz, o lugar-comum. Tanto faz, a originalidade perdida. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora, e sem que deixes de ser quem és, tem pouca importância, quem és.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em suma, deixando-me de merdas e trocando por miúdos: um filho é um ser humano a distância zero de ti. Ele és tu e, o que é mais importante, tu és, e serás sempre, ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a mulher que fez este filme possível, mesmo num dia plúmbeo de dezembro, ela é a tua heroína.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-8804806769391644918?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/8804806769391644918/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=8804806769391644918&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8804806769391644918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8804806769391644918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/12/joao-maria.html' title='João Maria'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SxxYMn4huhI/AAAAAAAAAhc/rVagiKfKwEs/s72-c/IMG_3284.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-5164738291897109785</id><published>2009-09-19T03:29:00.003+01:00</published><updated>2009-09-19T03:43:22.605+01:00</updated><title type='text'>Retalho da vida de um consultor que às sextas à noite queria ser incógnito</title><content type='html'>Quando, à porta do &lt;a href="http://www.incognitobar.com/"&gt;melhor clube do mundo e arredores&lt;/a&gt;, nem preciso de trespassar (à melhor socapa) a longa enguia de corpos tensos e faces maquilhadas de deslumbramento de estreia noctívaga, todos tensa mas ordeiramente alinhados uns por cima dos outros , quando o rapaz (que asseguro portar, parece que há séculos, o mais elegante bigode da noite lisboeta), (aquele que por aí diz dar ares a um certo d’Artagnan), quando, pois, esse (perpétuo) rapaz rompe a cobra juvenil que se estende dos poiais de são bento até, pelo menos, ao silo do combro, quando abre os braços esbracejantes, gerindo, com saber de quem sabe, o seu próprio silêncio, na expectativa, pelo seu gesto inaudito, quase divino, que a expectativa atinja o ponto de ebulição, quando com tais gestos misteriosos de gato silencioso e de fino bigode, silencia a imberbe multidão, quando a  esguia e tenra turba está incrédula e curiosa e deslumbrada e obediente e muda perante aqueles braços autoritários, quando eu estou ainda mais incrédulo e curioso e envergonhado e desconfiado quando começo a suspeitar que os gestos circulares dos teatrais braços podem (será mesmo?) ser dirigidos na minha direcção, quando os braços do porteiro do &lt;a href="http://www.incognitobar.com/"&gt;melhor clube do mundo e arredores &lt;/a&gt;descem, desenhando uma desusada mas elegante vénia, quando o sósia do Quarto Mosqueteiro, no ponto de cozedura da expectativa, (fitando-me cara a cara, para que não restassem dúvidas),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;clama,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apregoa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vocifera,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bradeja,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;urra,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ordena:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Abram alas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putalhada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ABRAM ALAS ao VETERANO!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o impossível sucede, eis que , quiçá, terá chegado o momento de me questionar se, não é?, não é chegada a hora de pôr em consideração a hipótese de, talvez, guardar para sempre os all star na gaveta, dar um perene nó à gravata e tocar a rebate, pensando nos frutos suculentos que a idade madura me proporcionará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://myshelfandi.blogspot.com/2009/09/de-mim-para-mim.html"&gt; E tocar a fingir que a vida é uma coisa séria.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, entrado, passa &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2N_Dwpkzmuw"&gt;isto &lt;/a&gt;e volta tudo, claro está, ao ponto de partida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-5164738291897109785?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/5164738291897109785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=5164738291897109785&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5164738291897109785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5164738291897109785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/09/retalho-da-vida-de-um-consultor-que-as.html' title='Retalho da vida de um consultor que às sextas à noite queria ser incógnito'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-5699394874870103106</id><published>2009-08-28T03:56:00.002+01:00</published><updated>2009-09-01T14:58:12.209+01:00</updated><title type='text'>Um</title><content type='html'>“UM! “, berrava o gordo, “DOIS!”, pesado, “TRÊS”, rouco, como um cabo passando a revista, “QUATRO”, espantado como se nunca tivesse posto a vista em cima do carro coberto de poeira, “CINCO!”, lívido por lhe teimarem em ocupar o território de macadame, “SEIS!”, o gordo, descendo a rua à beira do passeio, contava, indignado, mais um paquiderme de aço estacionado no passeio, “Sete…” e a repetida competência das suas contas de somar (que não a monotonia da auto-atribuída tarefa), já lhe afrouxava o timbre, “oito…”, quase derrotado por tanta aritmética, “nove” e quem se desse ao trabalho de o observar não saberia se fazia contas aos invasores estacionados naquela rua do bairro da Ajuda ou se os próprios passos arrastando a camisa azul que se desfraldava por sobre os jeans que,  assim tão largos, o não faziam mais novo, mas nem por isso deixava de, mais tímida mas ainda assim decidamente, fazer saber à vizinhança que aquele BMW preto reluzente parqueado em frente ao vinte e oito da calçada era para ele o usurpador número “nove”, mas esmorecia já, e baralhava-se, e ao fiat que se lhe seguia nomearia, talvez só para variar, “cinquenta e um!”, não se dera o acaso de um sujeito, anonimamente protegido pela s alturas de um terceiro andar com marquise, gritar, talvez só para fazer pirraça ao tolinho anafado, precisamente, lá está, “cinquenta e um!”, por acasos que a ciência estatística declararia curiosas, mas pouco impressionantes, dada a irrelevância da amostra, pelo que o gordo retomou o fio à meada, e, de orgulho ferido, mirou com inusitado introspecção analítica o fiat (croma azul matriculado nos idos de noventa e oito, para quem cuide de detalhes estatísticos), e solenemente, bradou, como se estivesse sob juramento de bandeira, “DEZ!!!”, em vez de cinquenta e um, como esteve para proferir e como o sujeito coberto de anonimato de marquise decerto pretendia, e por isso mesmo, só por pirraça para o seu amado inimigo das alturas, o não fez. Eis senão quando o gordo de camisa hasteada aos ventos, já se preparando para, com ânimo recuperado, etiquetar o intruso citroën saxo branco (este pouco reluzente) de “ONZE!”, ao mesmo passo que o sujeito elevadamente anónimo se aprestava para reincidir num destemido e por fim certeiramente baralhante “CINQUENTA E DOIS!!”, o inesperado aconteceu, de tal modo inesperado que deu tréguas àquela batalha combatida por armas de arremesso construídas em material numérico absurdo, de molde que o gordo desfraldado e o anónimo voador se calaram quando, surpreendidos, observaram que por eles passava um louco, sim, um louco, equipado a rigor de louco, portando calças negras tão impermeáveis que se diriam feitas de plástico, um colete negro acetinado, decorado com incandescentes (pelo menos a contra-luz) reflectores verdes, um almeida-louco, portanto, que corria à brida toda a rua abaixo, sem reparar, quanto mais colher, o caixote-do-lixo número um, dois, três ,quatro e por aí seguiria uma conta de somar, houvesse mais caixotes-do-lixo naquela curta rua da Ajuda e houvesse um tolinho que os contasse. O gordo, curioso, parou de contabilizar os efectivos do exército invasor e, tomado de súbitas ânsias, foi em penoso encalço do almeida-louco, ao mesmo passo que o vizinho das alturas se aprestava para sair do armário de varandae a toda a brida descia à terra pelas escadas escuras de madeira carunchosa gasta por tantas solas, e todos se encontraram, num encontro estatiscamente quase impossível, não fora a irrelevância daquele universo estatístico de um trio improvável, descendo a rua, a passo de chita, o almeida liderando, o gordo perseguindo, o aéreo completando. Até que, ao cabo da curta artéria daquele bairro da Ajuda, o trio estacou, cortado o passo por uma amarela fita reluzente, impregnada de uns pós-modernos dizeres: “Polícia, não trespassar”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-5699394874870103106?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/5699394874870103106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=5699394874870103106&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5699394874870103106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5699394874870103106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/08/um.html' title='Um'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-3549543886595329217</id><published>2009-07-02T02:33:00.004+01:00</published><updated>2009-07-02T12:33:08.791+01:00</updated><title type='text'>Retalho</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SkwTll8A4II/AAAAAAAAAhE/NXK474bcMKY/s1600-h/0,,14876060,00.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353675593596592258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 285px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SkwTll8A4II/AAAAAAAAAhE/NXK474bcMKY/s400/0,,14876060,00.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma lama de calor tombava sobre o bairro de Alfama, amolecendo as casas descascadas e as indignações dos marchantes que se recolhiam para dentro delas curando ressacas e guardando para mais tarde intermináveis discussões de protesto sobre mais uma vitória, é claro que comprada, da marcha de Xabregas, estavam todos feitos, os júris e aqueles orientais, era assim que chamavam a todo o munícipe que vivesse para lá de Santa Apolónia, sem distinção, mas sobre estas singularidades bairristas falaremos depois, fica mais para a tardinha, quando a canícula se for e se puder bebericar lentamente as cervejas mornas que ficaram por aviar de véspera na noite de Santo António. (Mas lá que foi um roubo de igreja, lá isso foi.) Por ora, falemos de Romeu Fulano, assim conhecido pela vizinhança por não se lhe conhecer apelido e por nunca jamais vizinho algum se ter atrevido a dá-lo por tu pelo nome de batismo (embora para os mais íntimos o Ruço), e situemo-lo, como mandam as regras, no espaço e no tempo: Romeu Fulano, mais ou menos setenta anos feitos em Abril, que ninguém diria, usando o fato completo de linho que os galhofeiros juravam que nos meses de estio nem no leito retirava, mesmo quando a mulher era viva, faz hoje quinze dias e que Deus a guarde e a compense das passas do Algarve por que ela passou, Romeu Fulano, dizíamos, abriu com vagar a porta do seu prédio, sito às Escolas Gerais, reconhecendo não sem indiferença o ranger que a maçaneta de madeira provocava em conjugação com as ferragens ferrugentas que provocavam a abertura contrariada do trinco, ganhou balanço com um suspiro e um afago no seu bigode ralo, à soleira da porta, e enfim começou a penosa subida em direção ao mosteiro de São Vicente, tomou esse caminho sem razão alguma, só porque sim, aliás como soava fazer todos os dias, saiu pois de casa indiferente à impropriedade daquela hora em que Alfama se transformava em pueblo branco andaluz gozando clementes sestas. Dessa vez, porém, a soberba da sua rotina indiferente aos elementos parecia estar a sair-lhe cara, pois que, à medida que acompanhava em sentido ascendente os trilhos do elétrico vinte e oito, gotículas de suor crescentemente abundantes sulcavam as suas costas, manchando o casaco de linho, inofensivos estiletes pareciam querer furar-lhe o crânio, provocando-lhe insólitas tonturas de calor nunca antes sentidas no percurso rotineiro que cada dia decidia bater, depois de um balanço à soleira da porta traduzido por um suspiro e um alisar do seu bigode ralo. Pelo que, e em consequência, fez uma pausa inusitada à porta de alumínio da padaria, evidentemente encerrada, para retomar o fôlego. Fechou os olhos, Romeu Fulano, o Ruço, e deu-se conta da sinfonia tonitroante de um zumbido pesado feito de grossos moscardos e de anómalas cigarras que invadiam impunemente a urbe, muito para além dos limites que a Criação havia delineado. Teve ainda forças para tomar nota do aroma vaporoso a detritos líquidos das sardinhas assadas de véspera e cujos restos ressequiam solidificados por sobre passeios e asfaltos. Deu mais suspiro e mais um coçar do bigode, tomando balanço, e, reabrindo os olhos, preparava-se para retomar o rumo; eis senão quando, do bolso interior do seu impecável casaco de linho, um inesperado toque metálico o avisava: seria suposto, pois, pegar no telemóvel que o seu único sobrinho, Rogério, quarenta anos feitos que aparentavam muitos mais, lhe havia oferecido pelo último Natal. Pegou então relutantemente no aparelho e, com surpreendente eficácia ou desenrascanço, abriu a caixa de mensagens. Nove algarismos que não constavam da sua lista de contatos lhe comunicavam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ruço, faleceu ontem Rita, vítima doença prolongada. Achei justo saberes. Enterro amanhã. Sentidos pêsames. Raimundo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher com quem havia passado uma vida, passara-se há quinze dias e Romeu Fulano saía com o casaco de linho e o bigode ralo em direção ao Mosteiro de São Vicente, porque sim, todo o santo dia, indiferente aos elementos ou circunstâncias. A namorada de quem nada sabia há uma vida, passara-se há um dia, e o Ruço não mais retomava o passo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Olhava para o céu cristalino, fazia ponto de mira e encarava, com irreverente persistência, dir-se-ia olhos nos olhos, o sol, como se este lhe devesse uma explicação. Até que os seus próprios olhos secavam e se transformavam em crateras de poeira e, quase cego, nada via para além de uma indistinta mancha verde de estupor. Mentalmente repassava o filme da mensagem que o Raimundo lhe enviara, tentando assimilá-la. Tornou-se rígido, um corpo só. Ainda não tinha incorporado, e traduziu, com todas as letras: &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Rita, morreste-me. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E liquefez-se e estendeu-se ao comprido e jazeu entre os carris do tão típico elétrico vinte e oito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E é sobre o que se seguiu, e sobre o que antecedeu, e sobre bairrismos e outras coisas que um dia destes, quando nos aprouver, falaremos, assim que a canícula passar e se possa bebericar lentamente cervejas mornas que ficaram por aviar de véspera em noites de Santo António. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-3549543886595329217?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/3549543886595329217/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=3549543886595329217&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3549543886595329217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3549543886595329217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/07/retalho.html' title='Retalho'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SkwTll8A4II/AAAAAAAAAhE/NXK474bcMKY/s72-c/0,,14876060,00.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6616592575991075824</id><published>2009-06-14T03:27:00.002+01:00</published><updated>2009-06-14T03:57:33.388+01:00</updated><title type='text'>Máxima</title><content type='html'>(&lt;em&gt;foto copyright by rita andorinho)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SjRmkXUJ9zI/AAAAAAAAAg8/e2oeccFc-YM/s1600-h/1611985_184033_5713cccc6b_p.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347011432515499826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SjRmkXUJ9zI/AAAAAAAAAg8/e2oeccFc-YM/s400/1611985_184033_5713cccc6b_p.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(c0nt.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Máxima, na busca juvenil pelo detalhe, pelo concreto, queria ir mais longe, perguntar-lhe o que isso queria dizer, de se agarrar os sonhos com muita força, de se partir os sonhos se os agarrasse, mas a Velha não lhe fez caso, e começou uma reza, que jamais seria interrompida - a pequena Máxima, apesar da meninice, bem sabia que a Velha, por muito que não aparentasse, era uma mulher, e que as mulheres feitas também têm dúvidas e inseguranças, e que às vezes as mulheres graúdas têm de ser mimadas e apaziguadas como as crianças que estão por saber o porvir de ser mulher, e, nesse jogo de troca, a pequena Máxima mimava a Velha, sempre que ela se refugiava em preces, com historietas fantásticas saídas do nada. A Velha ouvia como a pequena Máxima – aflita com o negro recolher – flutuaria impune pelos ares sempre que eles parecessem pardos e revoltos e espessos de solidão e, armada com um espanador mágico, faria em pó as nuvens plúmbeas e vestir-se-ia do brilho do sol, reluzindo os calores contentes como diamantes diáfanos e seriam tão numerosos esses pingentes que os partilharia com a Velha e nunca mais ela seria: triste. A Velha sorria, com uma alegria indulgente, dessas tontices juvenis, mas o seu sorriso colidia sempre com o olhar. Sim, a sua boca desenharia um sorriso envergonhado, as suas bochechas erguer-se-iam com um esforço que parecia, à pequena Máxima, sobre-humano, mas os seus olhos nunca se juntavam à festa. Despojados, impenetráveis. Era claro, para a pequena Máxima, sem contudo ainda o saber, que era um sorriso de favor, um aceno de reconhecimento, uma reminiscência de uma vida que outrora parecia inflamada de expectativa e que parecia renascer com os sonhos da pequena Máxima, mas logo o olhar da Velha delatava, era para Máxima límpido, sem contudo saber bem porquê, o vazio, ou a sabedoria, ou o desencantamento (a verdade dos factores seria, ainda o não sabia bem, arbitrária). E, de sorriso apesar de tudo ainda posto, a Velha retomava o fio à meada e continuava na sua ladainha, no diálogo com o Todo-Poderoso, que os olhos vítreos indiciavam não passar de um monólogo. Dessa vez não foi diferente, e à sofreguidão da pequena Máxima, a Velha retorquiu, com o (des)encanto adulto pelo abstracto, pelo ambíguo: há-de chegar o momento em que perceberás como os sonhos se partem, se os agarrares com força. E em que saberás se és tu que sonhas, se é o teu avesso. Porque nunca somos um só. E nesse momento, por sua vez, os teus filhos terão o direito de tratar por: Velha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E foi nesse preciso momento, em que, num quarto de um hotel, umas mãos carregadas a abanavam de modo a que ela própria, Máxima, por sua vez retomasse o fio à meada, que esta se deu conta que havia chegado o momento em que os seus filhos (se os houvesse) a poderiam, por sua vez, tratar por: Velha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(cont.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6616592575991075824?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6616592575991075824/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6616592575991075824&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6616592575991075824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6616592575991075824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/06/maxima.html' title='Máxima'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SjRmkXUJ9zI/AAAAAAAAAg8/e2oeccFc-YM/s72-c/1611985_184033_5713cccc6b_p.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-9065226852825136757</id><published>2009-05-22T10:59:00.001+01:00</published><updated>2009-05-22T11:00:48.044+01:00</updated><title type='text'>Bénard da Costa</title><content type='html'>Porque não faria melhor, &lt;a href="http://ex-ivan-nunes.blogspot.com/2009/05/eu-era-feliz-e-ninguem-estava-morto.html"&gt;passo a palavra&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-9065226852825136757?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/9065226852825136757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=9065226852825136757&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/9065226852825136757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/9065226852825136757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/05/benard-da-costa.html' title='Bénard da Costa'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-3089790595549094827</id><published>2009-05-07T18:43:00.001+01:00</published><updated>2009-05-07T19:03:29.543+01:00</updated><title type='text'>A Velha</title><content type='html'>Amansada pelo caldo verde que a Velha, como todas noites, servira como ceia, chegava a hora mágica em que fazia as pazes com o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Velha sentava-se no cadeirão de palha e pregava à lareira, beijando de quando em vez o crucifixo, que segurava com força entre as mãos rugosas, pintalgadas de manchas castanhas que a Pequena percorria como se fossem misteriosos continentes desenhados num mapa de outro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orar terços, rezar novenas, rogar aos santos que a acudissem, parecia ser  mister único da Velha. Fazia-o ora com aparente indiferença, ora num fervor de contorcionista, que fazia bailar o longo xaile negro que sempre trazia vestido e que parecia conduzi-la ao centro do universo. A Pequena habituara-se de tal modo àquela ladainha, que, se deixava de a ouvir, receava que a Velha se desfizesse em pedaços, temendo que a lengalenga fosse a argamassa que juntava as peças frágeis daquele corpo mirrado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oração era a companhia da Velha e a Pequena abrigava-se no casulo protector da litania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando as orações, pouco mais a Velha dizia. Mas, terminada a ceia e despachadas as últimas novenas, a Pequena pousva a nuca no colo da Velha e os rostos de ambas brilhavam com os seus relatos. Era a essa hora que a Velha escutava atentamente o que a Pequena lhe tinha para contar. Invariavelmente, eram sonhos, pois que a Pequena, mesmo se desperta, vivia sempre noutros mundos. A Velha nunca a contrariava, por mais estapafúrdios que os relatos fossem, ouvia-a num silêncio a meio caminho entre a atenção e a condescendência, como se imitasse o Padre Vasco que tantas vezes a ouvia em confissão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa noite, com a inocência que ainda não perdera pelos meandros da vida, a Pequena perguntou-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Avó, os sonhos tornam-se realidade?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Velha pensou por longos momentos. O silêncio sufocou a Pequena como um manto grosso e, à medida que aquele tempo despido de sentido se arrastava sem que a Velha  dissesse ai nem ui, a Pequena, de simplesmente curiosa, ficou receosa, com uma expectativa sobre o que aí viria que lhe dava um nó na garganta. Seria aquela uma pergunta proibida? Virou lentamente o pescoço e observou a Velha, à cata de uma pista que decifrasse o mistério. Os sulcos que percorriam aquele rosto retalhado em rugas mostravam ponderação, em vez de indecisão ou arrelia. A pequena acalmou e acabou por sossegar de vez com o sorriso que a Velha lhe dirigiu, como se finalmente se tivesse decidido. Com vagar, retorquiu-lhe as palavras que agora, naquele frio quarto de estalagem, lhe voltavam à memória, como um aviso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Queres saber se os teus sonhos se tornam realidade, Máxima? Sim, se não os partires.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E como os posso partir?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se te agarrares a eles com muita força.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-3089790595549094827?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/3089790595549094827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=3089790595549094827&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3089790595549094827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3089790595549094827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/05/velha.html' title='A Velha'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-5448722203474999632</id><published>2009-05-01T09:48:00.002+01:00</published><updated>2009-05-04T11:19:53.344+01:00</updated><title type='text'>Máxima</title><content type='html'>(Cont.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Máxima não quer pensar e por isso mesmo foca a atenção nos detalhes: faz uma pausa para recuperar o fôlego que é preciso para se chegar de mansinho à realidade, não o quer fazer de rompante, não quer simplesmente abrir os olhos: ganha tempo com os outros sentidos: sente as suas costas amainadas por uma inusitada camisa de noite, feita de sedas que a sua bolsa jamais alcançaria; um tecido feito de pudor, leve, diáfano, de um cobre quase celeste, que não vê ainda, e ainda não quer ver, mas imagina, um vestido de uma sedução paradoxalmente angelical, que não combina com ela; sente-se nele como um peixe fora de água; e depois o olfacto: há uma pureza de água de nascente que lhe conspurca as narinas, como se as mil lavagens dos esticados lençóis de linho conspirassem contra a sua modéstia original, desnudando-a, em vez de a camuflar, na sua simplicidade amorfa; chilreiam os pássaros, lá fora, numa cadência rítmica de que jamais se havia apercebido; e tudo isto é insultuoso, tudo isto a induz à deriva, tudo neste hotel de província, para ela de um luxo que os olhos de um cidadão urbano desdenhariam, põe Máxima no seu lugar; sente um peso que a esmaga, e ainda não teve o arrojo de abrir os olhos. O Diabo te carregue, Máxima, está-se nas tintas, e decide-se. Abre-os. E vê dois pontos pequenos, escuros como a noite, que se alargam à medida que a sua íris tenta focar, debalde, não há nada que foque a esta curta distância, dois pontos negros desrespeitam os limites toleráveis da intimidade, dois olhos vítreos tomam-na de assalto, e ela recua e cerra-os de novo, e umas mãos poderosas arranham-lhe o dorso por sobre a seda, e ela sente-se comprimida em toda esta pressão, a cada instante mais pequena, a cada instante mais desprovida de sentido. Meu amor, o que se passou, sussuram-lhe com hálito cálido ao ouvido, são estas palavras, ainda antes das imagens, com que Máxima cai em si. Caindo em si, Máxima quer sair dali para fora. As unhas de uma força e decisão grotescas dilaceram-na em excitação e ela numa luta vã, numa luta brava. Meu amor, o que se passou, mas meu amor, fica lá quieta, está bem? E Máxima quer ficar quieta, porque Máxima não quer abrir os olhos, porque Máxima quer ser desafectada, descomplicada, não quer despertar, porque Máxima não quer sonhar, não há direito: a sonhar. Mas é nessa recusa, é nesse cosmos pardo feito de olhos cerrados, feito de denegação, que a imagem da Velha lhe aparece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(cont.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-5448722203474999632?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/5448722203474999632/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=5448722203474999632&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5448722203474999632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5448722203474999632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/05/maxima.html' title='Máxima'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4710651486169632409</id><published>2009-04-16T02:42:00.004+01:00</published><updated>2009-04-23T00:19:41.082+01:00</updated><title type='text'>Máxima</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SeaNvOXHnrI/AAAAAAAAAgs/XJOhDcaIaRw/s1600-h/andorinho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325099451860623026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SeaNvOXHnrI/AAAAAAAAAgs/XJOhDcaIaRw/s400/andorinho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; imagem saqueada &lt;a href="http://www.jpgmag.com/people/andorinha"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;(continuação &lt;/em&gt;&lt;a href="http://umcid.blogspot.com/2009/03/maxima_27.html"&gt;&lt;em&gt;daqui&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Diz nada e faz por pensar o nada: mas pensar o nada é claramente pensar em tudo e esse pensamento tão pesado e abarcante e circular atormenta-a, é muita areia para a sua carroça, põe-na doida, dá-lhe achaques só de matutar nisso, o que Máxima quer é esvaziar-se, esvair-se, quer escapar desse remoinho roliço que a entope na existência, vê-se transformar-se concreta, como a argamassa em metamorfose se faz cimento, é um facto irrefutável que ela não saiu da sua cama, mas, vendo bem, não ter vivido nada é um alívio, Máxima, por milagre, é honrada, não deve nada a ninguém, não escapuliu com o amante para a pensão, não mordeu maçã alguma, Henrique não morreu a meio caminho do seu pecado, Henrique não finou por o ter abandonado, não há que fazer penitências, foi tudo um sonho frívolo, frívolo como o são todas as mulheres, bem vistas as coisas tem de pagar pelo pecado original e se a penitência é levar uma lambada do seu marido, ela bem merece a lambada, reze-se um Pai nosso, leve-se uma estalada e estás perdoada, Máxima, o reino dos céus para os pobres de espírito e deixa-te de merdas, Máxima, porque raio não queres abrir os olhos, porque diabo os cerras para não veres o Cristo pregado na parede nua do teu quarto, em nome de quem fazes por não sentir o rubor na face que permanece do castigo do teu marido, é só mais um simbólico correctivo de entre tantos que ainda estão no ror do deve e haver desde os tempos bíblicos, o justo paga pelo pecador e assim está escrito e não há nada a fazer, e então porque sentes uma febre que te alaga toda a fronte, quando foi só um sonho que te aqueceu mais uma indiferente noite de tédio, e porque quando queres sorrir com fleuma o teu sorriso tolo de sabida quando o parvo do teu marido te assoma ao ouvido, assustado – uma vez sem exemplo - “o que foi Máxima”, quando vais dizer, não foi nada, Júlio, foi só um sonho, coisas de mulher, porque raio tu te fechas, e insistes em aferrolhar a sete chaves a tua vista, porque fazes de conta de não sentir o bafo quente do rafeiro que te sopra ao pescoço Acorda, mulher, mas o que te deu?, abanam-te o corpo todo pegando-te pelos ombros e então porque carga de água queres voltar ao sonho, queres tu viver o que de facto jamais viveste, e fechas os olhos como que sentindo a surpresa da criança que pela primeira vez viu os seus pais amando-se como as bestas quando estão de cios, e fazes gazuas aos teus olhos até sentires as pálpebras ardendo para escapar da inteireza, e não queres pensar, e não querer é em si um acto de vontade, que era a última coisa que querias, ter vontade, e quando tudo está prestes a ficar turvo, e plúmbeo, e desvanecido e tranquilo como o espelho que o lago faz nos dias de verão cálido, como o gume que te esfria compadecido o pescoço, quando tudo parece voltar ao seu devido lugar, quando tudo está arrumadinho e quase adormeces para sempre, tão inócua como a rola, contrafeita tornas a sentir a voz, do fundo de ti renasce aquela voz rouca que te faz reacender a fogueira, ruges flamejante de agitações, entreouves aquela voz de poço que te apavora e que te faz sentir viva, Máxima, o que te deu, criatura?, aí não resistes, abres, que remédio, as cortinas do teu olhar, e é com horror, mas sobretudo com alívio, que te apercebes que aquela súplica assustada provém de uns lábios finos que (deveras) mordeste, e que ele está bem vivo, e que o pecado é bem real, e que é Henrique que, te diz, Acorda, Máxima, e, uma vez sem exemplo quase te grita, Acorda, meu amor! não penses em mais nada, já passou, não penses em nada. E tu, Máxima, não queres pensar, não queres pensar em nada, não tens vontade, a mínima vontade de te armares em agreste, mas sem saber de onde isso te vem, pensas, morreria, morreria, no altar de ti, mas ao altar já foste tu, Máxima, e não com Henrique.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(Cont., ou talvez não, dir-me-ão vocês, irrequietos e impacientes leitores)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4710651486169632409?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/4710651486169632409/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=4710651486169632409&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4710651486169632409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4710651486169632409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/04/maxima.html' title='Máxima'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SeaNvOXHnrI/AAAAAAAAAgs/XJOhDcaIaRw/s72-c/andorinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-5081538078758178892</id><published>2009-04-08T19:13:00.002+01:00</published><updated>2009-04-08T19:17:48.373+01:00</updated><title type='text'>Last minute sale</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SdzqQY-jIpI/AAAAAAAAAgk/0sCIsPhNsp8/s1600-h/berlusconi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322386426948690578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SdzqQY-jIpI/AAAAAAAAAgk/0sCIsPhNsp8/s400/berlusconi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aos interessados, nesta Páscoa recomenda-se um fim de semana na belíssima região transalpina dos Abruzzi. &lt;a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1373274&amp;amp;idCanal=11"&gt;Diz &lt;/a&gt;que há parques de campismo onde nada falta. E de borla. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-5081538078758178892?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/5081538078758178892/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=5081538078758178892&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5081538078758178892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5081538078758178892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/04/last-minute-sale.html' title='Last minute sale'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SdzqQY-jIpI/AAAAAAAAAgk/0sCIsPhNsp8/s72-c/berlusconi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-8590045632586263365</id><published>2009-03-27T17:47:00.000Z</published><updated>2009-03-27T17:48:21.748Z</updated><title type='text'>Máxima</title><content type='html'>Mal toma consciência de que a chamam, Máxima deixa o pinheiro para trás e desata a correr com ímpeto de pavor. A mata é espessa e Máxima pouco enxerga naquela neblina, arranha-se por silvas, azevinhos e giestas, desvia-se de pinheiros, carvalhos e vidoeiros, tropeça em calhaus de quartzo, escorrega em camadas de caruma, ouve (ou pensa ouvir) o bater das asas de uns corvos tomados do mesmo pânico, Máxima é um animal acossado numa fuga que vale a vida. Debalde: a voz cava teima em fazer-se ouvir: Máxima, Máxima!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não olha para trás, continua a correr sem destino, bem sabe que as forças lhe vão acabar, os pulmões são foles furados, as pernas bigornas, o cabelo é vime que lhe atrapalha os olhos, o pescoço uma camurça húmida de transpiração e a voz, sempre a voz, sopra-lhe nos ouvidos um bafo quente: Máxima, Máxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sente uma bofetada no rosto e pára, estaca sem que o tivesse ordenado aos membros. A cara arde-lhe como uma febre. O nevoeiro dissipa-se e Máxima apercebe-se que não se encontra em bosque algum, mas deitada numa cama, a sua cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Máxima, Máxima!! O que tens?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nada. Não tenho nada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cont.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-8590045632586263365?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/8590045632586263365/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=8590045632586263365&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8590045632586263365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8590045632586263365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/03/maxima_27.html' title='Máxima'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-26943688347603061</id><published>2009-03-25T13:14:00.002Z</published><updated>2009-03-25T13:15:39.126Z</updated><title type='text'>O Profeta volta à terra</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/ScouZEK_LPI/AAAAAAAAAgc/MmriR-UZCYc/s1600-h/leonard_cohen.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317113318215724274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 390px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/ScouZEK_LPI/AAAAAAAAAgc/MmriR-UZCYc/s400/leonard_cohen.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lisboa, 30 de Julho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-26943688347603061?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/26943688347603061/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=26943688347603061&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/26943688347603061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/26943688347603061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/03/o-profeta-volta-terra.html' title='O Profeta volta à terra'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/ScouZEK_LPI/AAAAAAAAAgc/MmriR-UZCYc/s72-c/leonard_cohen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2129696808609354542</id><published>2009-03-12T23:32:00.004Z</published><updated>2009-03-12T23:51:09.387Z</updated><title type='text'>Máxima</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SbmfUPq8zBI/AAAAAAAAAgU/xAbrhwYqvRk/s1600-h/065218.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312452405613087762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SbmfUPq8zBI/AAAAAAAAAgU/xAbrhwYqvRk/s400/065218.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Foto saqueada, uma vez mais, &lt;a href="http://pelalente.blogspot.com/"&gt;daqui&lt;/a&gt;. Este retalho é continuação deste &lt;a href="http://umcid.blogspot.com/2009/02/retalho_07.html"&gt;retalho&lt;/a&gt;.&lt;/em&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;À luz baça da alvorada que se anunciava (como era possível ter passado tanto tempo) não tinha pistas para discernir onde se encontrava. A paisagem não lhe era familiar, ela que tantas vezes tinha percorrido aquela estrada, a mesma que tinha traçado, em marcha inversa, com o seu amante, antes do momento fatídico que alterararia a sua vida para sempre. Os castanheiros e rochedos graníticos tinham desaparecido por artes mágicas e Máxima, à sua volta e no nevoeiro que repentinamente tinha caído, mal conseguia enxergar um palmo à frente do nariz. As vozes, cavas e indistintas como o rosnar de um mastim, aproximavam-se, sem que Máxima se apercebesse do que diziam. Instintivamente, escondeu-se por detrás de uns pinheiros. Encolheu-se o mais que pôde, aterrorizada, ela que (apercebia-se agora) durante tanto tempo deambulara sem rumo certo, perdendo-se no desespero. As vozes estavam cada vez mais perto. Tremeu da cabeça aos pés: alguma coisa lhe dizia que não devia revelar-se aos sujeitos que se aproximavam, que a única coisa que importava era que eles não soubessem de que ela ali estava e o que lhe tinha acontecido. Nem que a apatia representasse a morte certa de Henrique. Rezou, Máxima, sem abrir os lábios, rogou a Deus que os caminhantes passassem do outro lado da estrada e não a notassem. De novo se sentiu a criança que fora, fazendo tudo para se fundir com o pinheiro. As vozes chegavam quase à sua beira, nem assim Máxima entendia o que diziam. Um suor frio percorreu-lhe todo o comprimento da coluna. Cada vez mais perto, Máxima rezando Avé-Marias. O nevoeiro fechava-se em si mesmo, enrolava-se num novelo de algodão espesso, tosco, agreste, que a sufocava. As vozes mais intensas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vozes? A voz. Aqueles eram sons de uma só alma. Um monólogo. Um chamamento. A princípio, não quis acreditar. Mas a voz rouca estava já demasiado próxima para que Máxima pudesse recusar ouvir o que dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Máxima!”. “Máxima!”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;to be continued.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2129696808609354542?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2129696808609354542/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2129696808609354542&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2129696808609354542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2129696808609354542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/03/maxima.html' title='Máxima'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SbmfUPq8zBI/AAAAAAAAAgU/xAbrhwYqvRk/s72-c/065218.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-644277289880419044</id><published>2009-03-02T20:10:00.005Z</published><updated>2009-03-03T11:06:25.465Z</updated><title type='text'>Retalho</title><content type='html'>Quarenta anos tinham passado desde que ali arribara e Joaquim teimava em não morrer de amores por Lisboa. Isto é lá lugar para namoros, era a resposta que Amália aturava do estafermo do marido sempre que lhe pedia para a levar a arejar. É que da cidade Joaquim pouco mais conhecia do que os nomes das ruas que a furgonete atravessava pachorrenta nas madrugadas sonâmbulas, da casa nos arrabaldes até ao mercado, junto ao Tejo. Mas ali sim, sentia-se em casa, como que num romaria virtual às suas origens. Se algum amigo lho perguntasse, não saberia nunca explicá-lo, que era homem de escasso vocabulário e pouco dado às subtilezas da metafísica (e, de qualquer modo, era sujeito de poucos amigos e nenhum deles sequer particularmente curioso, quanto mais dado às mariquices da especulação filosófica), mas sentia-o, isso sem dúvida, pois que, longe de ser sentimental, não deixava de ter vindo ao mundo provido da sensibilidade própria de quem nasce orgulhosamente campónio: para ele, nada como os víveres preparados pelas mãos instruídas de mulheres fortes, carrinhos de mão onde um mundo inteiro cabia, oleados deixando entrever um repolho aqui, um molho de cebolas ali, um cesto de pão fumegante abrindo apetites, o odor azedo de queijos cortados à navalha por dedos sujos de trabalho, chegava mesmo a comover-se com o vôo dos sacos de plástico flutuando a meia altura no mercado, pareciam-lhe, perdoe-se-lhe a rudeza da imagem, aves de rapina sustentadas no ar quente, aquecido a fritos, cozeduras e sudações laborais. Gostava do perfume do pé-de-salsa, do ruído dos jornais da véspera embrulhando os jaquinzinhos, sorria dos resmungos do louco residente, compartilhava as gargalhadas do talhante, compadecia-se, com sobranceria máscula, das inocentes zaragatas das comadres peixeiras, invejava a destre cantilena fadista dos ciganos que protestavam contra a infame prepotência do fiscal que lhes passava mais uma multa pela ausência de licença, encantava-se com os desenhos das escamas do peixe debulhado decorando de neve salgada o pavimento do recinto, enternecia-se com o amuo das crianças arrastadas pelas mães-freguesas, participava na tagarelice das velhotas da hortaliça, pilhava com parcimónia os escaparates das azeitonas gordas, galhofava dos pimentos convidando ao deboche, dialogava com os olhos redondos do besugo perguntando ao que tinha vindo, identificava-se com o coração mole da couve-flor, rebatia argumentos com peritos de trazer por casa sobre os mistérios da maturidade do melão, excitava-se, enfim, com o alvoroço permanente daquela bolsa de valores à escala humana. Até que uns anjos vestidos de bata e munidos de amoníaco esterilizavam a grande loja e tudo permanecia na obscuridade até à próxima alvorada. Mas até à hora da limpeza geral, ainda que o chão estivesse sujo e fedorento, o ar perfumava-se com o incenso dos sumarentos limões, da dourada canela, dos rijos camarões, dos fumegantes papos-secos, dos frescos coentros, do robusto queijo da serra. Aquilo, para Joaquim, era um concentrado de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-644277289880419044?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/644277289880419044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=644277289880419044&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/644277289880419044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/644277289880419044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/03/retalho.html' title='Retalho'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-444854400152610998</id><published>2009-02-26T16:34:00.005Z</published><updated>2009-02-26T17:07:22.142Z</updated><title type='text'>as words do wordaholic</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SabGKyipopI/AAAAAAAAAf8/_31joGaOXJc/s1600-h/wordaholic.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307147099570807442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SabGKyipopI/AAAAAAAAAf8/_31joGaOXJc/s400/wordaholic.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.wordle.net/"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-444854400152610998?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/444854400152610998/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=444854400152610998&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/444854400152610998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/444854400152610998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/02/as-words-do-wordaholic.html' title='as words do wordaholic'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SabGKyipopI/AAAAAAAAAf8/_31joGaOXJc/s72-c/wordaholic.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2104952100957218954</id><published>2009-02-19T19:24:00.003Z</published><updated>2009-02-19T20:02:44.666Z</updated><title type='text'>Retalho</title><content type='html'>Uma nuvem manhosa surpreendeu-os no caminho, deixando que o sol os vigiasse por detrás da espessura, a espaços. O cavalo de ferro relinchava, as rodas queixavam-se dando golpes como coices, como se de súbito os seus mecanismos tivessem produzido um artificial instinto de sobrevivência e se quisesse libertar das rédeas do motard inconsciente que o lançava a toda a brida, disparada como um projéctil furioso pelas estradas de Monsanto. Quente, imóvel, sonolento no bafo, o bosque, revelado às claras, apavorava-a, como se a luz do dia concretizasse os pinheiros, eucaliptos, amendoeiras e demais obstáculos verticais que, na obscuridade, ela evitava com imprudência ágil, obedecendo ao pulso firme do dono. O motard conduzia-o por uma curva longa, o dorso quase raspando o asfalto, e enfiava-a agora pela descida até ao grande viaduto. Não oiço nada, pensava, só o cantar agudo dos pneus, não sinto nada, só a vibração dos metais, em ziguezague serpenteio entre veículos, carro após carro após carro, o vento esbofeteia-me a cara, o peito comprimido contra o ar feito uma muralha, o rosto é plasticina contorcida, vejo o meu caminho, encolho os traços que pintam as bermas da estrada e transformo-os numa linha só, carros e camiões, navego-os como uma bala, pneus, ligas leves, os espelhos revelam sombras de rostos assustados deixados para trás, desvio-me desses elefantes com rodados longos no lugar de patas que me passam ao lado, galgo esta curva e vou galgar a próxima, cada vez mais depressa, o motor quente quer voar, o meu cavalo de ferro, borracha e combustível dá um salto levantando a dianteira, o guincho, a borracha queimada entra-me nas narinas, é uma droga, é uma doga que acelera pulsações, o coração bombeia fluidos, sangue e seiva e adrenalina, ritmo sincopado com pistões e válvulas, um coração nervoso que bombeia e bombeia e bombeia, e passo este gajo e agora o próximo, e passo o vento e passo os pássaros e tubarões prateados e cães atravessados no caminho, e as figuras e os rostos e os corpos, e assim não sinto mais nada, e nesta vertigem não penso em mais nada, e nesta vertigem não penso no que ficou por te dizer, que devia tê-lo dito mas estava bêbado da tua beleza, que a minha pele tem memória das tuas mãos que nunca me tocaram, está impregnada do perfume que só ao de leve senti, que o meu tacto sente as tuas vibrações, que as tuas conquistas são as minhas derrotas, cada encontro com a Lisboa em penumbra está marcada pelos teus restos e rastos, por tua causa amo agora Lisboa como quem ama uma mulher de rosto desfigurado, tudo em mim é compostura, compostura, compostura e medo, devia ter-to dito, é um crime não to ter dito, é um crime não te ter falado dos diamantes que nadam nos teus olhos, esses olhos pardos que em plena ausência me atormentarão todos os meus dias, devia ter-te dito que, longe de ti, tu e os teus olhos cinzentos serão para sempre as testemunhas oculares dos dias iguais que se seguirão, um domingo único e solitário, sei-o de antemão, tu e os teus olhos atestarão que as mil ruas de Lisboa que percorrerei serão uma única ruína, os teus olhos ausentes confirmarão que passarei os meus dias lendo páginas rançosas de livros por escrever, rumo a um final previsível que não será feliz, em tudo o que importa tento não pensar por entre a vertigem do galope deste fiel cavalo de metais, borrachas e gasolinas, é inútil, tenho de parar. A fera de ferro calou-se. E agora? O eco deste silêncio pesado rebatido pelos muros e ruínas de Lisboa rompe-me os tímpanos. A minha vida esvai-se, como o óleo que pinga do escape. E agora? Devia ter-to dito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2104952100957218954?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2104952100957218954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2104952100957218954&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2104952100957218954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2104952100957218954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/02/retalho_19.html' title='Retalho'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2577822866207124992</id><published>2009-02-07T00:05:00.007Z</published><updated>2009-02-09T12:50:14.509Z</updated><title type='text'>Retalho</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SYzYGdS__yI/AAAAAAAAAfs/1pbsKTmlYtc/s1600-h/choupos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299848466963365666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 278px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SYzYGdS__yI/AAAAAAAAAfs/1pbsKTmlYtc/s400/choupos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto saqueada &lt;a href="http://pelalente.blogspot.com/"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tanto sangue? Mas o que aconteceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou a esticar a mão para o peito do corpo deitado a seu lado, e não sentiu nada. Reflexamente, o seu próprio coração pareceu deixar de bater.&lt;br /&gt;Henrique estava inconsciente, pensou. Voltou a chamar por ele, num sussurro, as suas cordas vocais engasgadas pelo horror. Forçou-as até à dor e saiu-lhe (quase audível) o nome do lavrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lhe respondeu. Permanecia inconsciente. Permanecia ferido. “O que é que eu faço, o que é que eu faço, meu Deus?”, perguntou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritou, tão alto quanto pôde, por socorro. Esperou uns momentos e voltou a gritar. Apenas as gotas de água afagando a cama de folhas mortas lhe respondiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguiu num esforço desmesurado pôr-se de pé, contrariando ardores afiados que lhe prendiam as articulações e agulhas pontiagudas que lhe inflamavam o cérebro. A tontura quase a levou de novo ao solo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Endireitou-se e olhou em frente para o tronco claro dos grandes choupos, únicas testemunhas vivas do seu pânico. É claro que não se atrevia a olhar de novo para o corpo do amante. Queria conservá-lo naquele estado de inconsciência: temia que mais um olhar, ainda que de relance, confirmasse o pior. Ou levasse ao pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pescoço inclinado para as copas altas dos choupos, tacteou procurando, sem olhar, os fósforos com que Henrique acendia os seus cigarros e que sabia que trazia sempre no bolso das calças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É tudo medonho quando se olha no escuro”, pensou. “Quando puder ver direito, verei os seus olhos abertos – nada se passou, tudo está bem.” Mas, no fundo, temia abrir os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tímido raio de luz enganou a escuridão quando Máxima riscou os fósforos, protegidos da chuva pela flanela grossa dos bolsos de Henrique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz envolveu o espectro inteiro no curto momento em que o processo químico da queima atingiu o seu expoente. Aí os choupos confirmaram, com o sangue-frio feito de seiva, que, de Henrique, restava apenas um resto de corpo. Máxima, com o sangue-quente feito de ilusão apaixonada, abrigou-se de novo no breu que se seguiu ao apagar do pau de fósforo. Máxima entrincheirou-se na escuridão, sentindo-se protegida pelo velo, dela hesitava em sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não, não é possível”. Decerto não teria visto bem àquela luz tímida. Henrique estaria apenas desmaiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se continuasse assim, morreria mesmo, esvaindo-se lentamente em sangue como o suíno na matança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma voz interior, a mesma que contra a sua vontade havia antes balbuciado o nome de baptismo do amante, dizia-lhe, no entanto: “Por favor, aceita, aconteceu uma desgraça. Os desígnios de Deus são insondáveis, seja feita a Sua vontade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cala-te!”, gritou Máxima, e desta vez de viva voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que fazer”, disse baixinho de si para si. “O que fazer? Não é verdade, não pode ser verdade, tenho de buscar socorro antes que seja tarde demais”, sussurrava, sentindo calafrios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se ao menos aparecesse alguém. Se ao menos algum pastor viesse atrasado da recolha”. Mas Máxima pensou que um pastor não lhe serviria, mesmo que viesse, o que Henrique precisava era de um médico. Tinha de ir em busca de um, precisava desesperadamente de encontrar nestas paragens uma casa com um telefone que lhe trouxesse um médico, e a estas horas, e imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e o que fazer, deixar Henrique ali sozinho, inconsciente, à beira da morte? E se o homem acorda apenas para se aperceber que vai morrer sozinho? Melhor será fazer-lhe companhia, tranquilizá-lo, chamar por ele, despertá-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momentos intermináveis passaram, Máxima aninhava-se, como uma criança, num limbo de indecisão. Até que, num assomo de consciência adulta, Máxima percebeu que tinha de ser ela a pôr mãos à obra. Agora que Henrique jazia ao seu lado, não restava ninguém que pudesse decidir por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu-se, pois, beijou a testa – singularmente gelada - do amante e trepou o monte até à estrada. Não foi difícil dar com o caminho, bastou-lhe seguir as pegadas de metal e borracha dos destroços. Dirigiu-se para norte, dando costas à Estrela, em sentido contrário ao rastro de entranhas metálicas que o Mercedes tinha antes cuspido. Não se lembrava de ter visto sequer um abrigo de pastor, quanto mais uma casa com cabeça, tronco e membros e a porcaria de um telefone que lhe permitisse chamar uma ambulância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Máxima era impelida pelo desespero, caminhando em duelo quixotesco contra todas as probabilidades. Naquelas circunstâncias, não havia outra alternativa suportável: Máxima não esperava menos do que um milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá ia ela a passo ligeiro, tanto quanto a teimosia forçava as pernas entorpecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando fazer ouvidos moucos às vozes que a perseguiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tapou os ouvidos com força, a tal ponto que sentiu os lóbulos a arder. Debalde, porque era da sua mente que aqueles sons medonhos lhe chegavam, não das copas escuras dos castanheiros que agora lhe ensombravam a caminhada: era o seu cérebro traiçoeiro que produzia os gemidos de Henrique chamando por si. Teria ele acordado e ela o largado abandonado nas silvas, o sangue diluindo-se na morrinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia por não os ouvir, do mesmo modo que o pastor faz ouvidos moucos ao grunhir medonho da ovelha predilecta que foi abatida para a ceia de Natal. Era preciso não dar ouvidos ao desespero de Henrique deixado para trás, de outro modo não haveria para este remédio. Ainda assim, cedia o passo quando o cérebro lhe pintava uma imagem mais nítida de Henrique despertando e sofrendo eremita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se apercebeu das suas hesitações, acelerou o passo, lutando contra a sua imaginação. Era urgente ter uma fé absolutamente cega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estugou o passo, mas, mal tinha silenciado, à força de uma teimosia de paquiderme, os bramidos informes do amante moribundo, desenhou-se no seu pensamento uma imagem, nítida, precisa, acutilante, imóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória tinha, vencendo facilmente a sua vontade, revelado, com precisão de bisturi, uma fotografia, iluminada à luz do fósforo que há momentos tinha aceso, dos lábios de Henrique: gretados, secos, pálidos, pardacentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incolores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse preciso momento, discerniu pela primeira vez com uma clarividência de assombro: é assim, a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu-se só, Máxima, enquanto percorria mais uma centena de metros da Estrada municipal sem avistar nem uma choupana. Sentia-se só, Máxima, enquanto a sua mente imaginava a respiração moribunda do Henrique deixado para trás, querendo, à beira do juízo final, sussurrar-lhe, por fim, palavras de ternura e de arrependimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forçou-se a recordar a voz ríspida e cortante do seu amante, já tão vaga na reminiscência, apesar do pouco tempo que passara desde o último momento em que a ouvira. Forçou-se a ouvi-la, a voz seca do seu amante. “Enquanto a ouvir”, pensou Máxima, “não estou sozinha, enquanto em mim o ouvir. Há um fogo que a sua voz ateia, e essa luz está aqui, comigo, enquanto caminho”. Essa luz trazia-lhe vida, estava grata a Deus pela vida calorosa que essa luz lhe trazia. Havia mais vida nesta luz do que em toda a sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguia o seu passo, mais uma centena de metros, sem avistar vivalma, mas sonâmbula, perseguindo o improvável em que voltava a ter fé. A luz abstracta que levava consigo protegia-a contra a figura concreta que tinha deixado para trás: um corpo inerte, com todos os sinais de um cadáver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência da palavra “cadáver” que Máxima sentiu a pairar por sobre si como uma bigorna moral prestes a esmagá-la fê-la voltar a si. “Cadáver”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, numa espiral de vertigens, mais do que sozinha, sentiu-se fora de si mesma. Sentiu que se observava, crescia grotescamente para dimensões transcendentes, expandindo-se até que flutuava muito acima do seu corpo e da matéria que a rodeava. Viu-se deambulando, sem rumo, em busca de coisa nenhuma. Nada poderia evitar o que acontecera. A voz não vinha de Henrique, vinha de dentro do seu pensamento, não havia candeia que lhe alumiasse o caminho, apenas trevas cercando-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto não vai dar a lado algum. E se encontrar alguém, o que já de si não é provável, o que lhe digo? Que tive um acidente com um sujeito às oito da noite numa estrada perdida da Beira e que o tipo está moribundo (ou estará antes que lá cheguem)? Perguntar-me-ão quem sou e o que faço. E outras perguntas mais, que antes que acabem já o Henrique terá ido desta para melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que devo responder? Não lhes direi nada, não tenho nada que responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu vozes à distância. Quase gritou pelo socorro por que tanto ansiara. Calou-se no último instante. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Sem inspiração que me servisse de mote, fui à caça dela num baú cheio de &lt;a href="http://umcid.blogspot.com/2008/10/retalhos-de-uma-vida-ficcionada_26.html"&gt;retalhos velhos&lt;/a&gt;. Saiu-me esta espécie de continuação, sei lá de onde isto me vem. Ainda estou, e estarei, para descobrir (e é esta tentativa o que de mais estimulante representa o acto solitário da escrita para um tipo, como eu, sem quaisquer ambições literárias senão as do seu mero e tendencialmente prazenteiro exercício) porque carga de água a um gajo bem disposto, com sentido de humor q.b. e com um tranquilo sentido de relatividade sobre a importância de todas as cousas, lhe saem estas coisas desconcertantes (e, à segunda leitura, um tudo quanto deprimentes) sempre que lhe dá a veneta para ficcionar. É que não sei mesmo como isto me sai. E portanto, cara &lt;a href="http://comaluzacesa.blogspot.com/"&gt;Ângela&lt;/a&gt;, depois de muito porfiar, lamento não satisfazer a tua curiosidade, pois se nem eu satisfaço a minha. Sei lá eu anotar de mim seis particularidades. É questão de questionar o o eléctrico amarelo, de sua graça númaro 28, pode ser que o preguiçoso e plúmbeo paquiderme guinchante veja a luz ao fundo do túnel.&lt;/em&gt;&lt;em&gt; Eu, confesso, ainda não percebi a linguagem do simpático monstro rolante.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2577822866207124992?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2577822866207124992/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2577822866207124992&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2577822866207124992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2577822866207124992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/02/retalho_07.html' title='Retalho'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SYzYGdS__yI/AAAAAAAAAfs/1pbsKTmlYtc/s72-c/choupos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-953024377117801222</id><published>2009-02-02T18:39:00.005Z</published><updated>2009-02-03T10:59:17.389Z</updated><title type='text'>Retalho</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SYdCtgE_7_I/AAAAAAAAAfk/lH9cd2aNHqw/s1600-h/nevoeiro2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298276836097126386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SYdCtgE_7_I/AAAAAAAAAfk/lH9cd2aNHqw/s400/nevoeiro2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Abandono o pátio a uma hora insolitamente matutina, o selim da bicicleta cintila de geada. Fecho bem o capuz com o cachecol, exalo fumo, esfrego mãos e, ala, pedalo pelo asfalto prateado de orvalho. Rola e rola a roda, a corrente ruge de ferrugem fazendo-me companhia pelas ruas ocas. A Cerca Moura perdeu o ponto de fuga, este Tejo abraçou-a numa nuvem grossa e cinzenta, um hipopótamo de vapor chegando-se a ela como se lhe portasse um recado de Poseidon. Nela mergulho e, como São Vicente e os seus corvos, também eu desapareço. Desço às cegas a colina, os trilhos do 28 servindo-me de cão-guia. Muito para recordar, muito cedo para sentir. Lisboa, assim vestida em brumas, é furtiva como uma amante. O ar está gelado e com os olhos em lágrimas de vento busco algum indício. Para lá do velo, vislumbro um varandim, a que se segue outro, aqui uma portada se abre, uma janela aguarda que lhe subam o pano, para que a peça deste dia de Janeiro se encene. A vitrina de um café ao pé da Sé mostra a primeira fornada, mas não só. Nela se encosta o meu reflexo: conturbado, revolto, sombrio. Eis os despojos da noite sem nome, aquela que agora começo a recordar com o fôlego suspenso, um novelo de arame na garganta, a face rubra de vergonha. E enquanto o nevoeiro levanta desnudando a cidade dos seus pudores – vergonha! –, outro vulto se fixa na vitrine: comeria com os olhos o produto fumegante da pastelaria ou sondaria no meu olhar a marca do delito? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-953024377117801222?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/953024377117801222/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=953024377117801222&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/953024377117801222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/953024377117801222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/02/retalho.html' title='Retalho'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SYdCtgE_7_I/AAAAAAAAAfk/lH9cd2aNHqw/s72-c/nevoeiro2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-952114632064691314</id><published>2009-01-26T19:37:00.006Z</published><updated>2009-02-03T10:59:53.509Z</updated><title type='text'>Retalho</title><content type='html'>Recolhe as moedas todas espalhadas pelo passeio e pára de desafiar os transeuntes com aquele olhar de incriminação, a rapariga dos sapatos descascados e das roupas dois números acima da sua actual medida. De súbito, rompe num pranto e pede-me cigarros (em vez das moedas que me enchem o bolso pequenos dos jeans importunando o osso cujo nome desconheço, aquele que fica na esquina da anca). A mudança de alvo terá sido provocada por uns sujeitos que se aproximam, apercebo-me quando a rapariga se enrosca nos seus trapos e, com um arrepio, lança o canto do olho para os dois impecáveis polícias que cirandam ali pela esquina com os seus asseados uniformes azuis: pensará a rapariga estarem fazendo ronda aos seus metaizinhos preciosos e em serviço a bófia pelo menos ainda não fuma, tal mancharia a limpeza da corporação, o que não quer dizer que não roube, e a rapariga essas coisas lá terá aprendido nas aulas que a rua lhe deu, treinando-a para desmascarar o perigo, use ele o disfarce que lhe aprouver, que mil formas toma o Diabo. O vagabundo que lhe faz as vezes de um parceiro insiste em soltar-lhe imprecações ininteligíveis (que a rapariga visivelmente compreende) não satisfeito por lhe ter aplicado um violento pontapé no caixote de cartão castanho onde antes jaziam as economias (comuns?) recolhidas ao longo do dia. Finalmente vai-se, numa ira tamanha, sei lá eu porquê (sabê-lo-á a rapariga dos olhos de gato, mas entre marido e mulher, já dizia o outro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximo-me dela e faço como se me fosse sentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Posso?" – indago com deferência, a modos de quem pede para entrar no hall da casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-952114632064691314?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/952114632064691314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=952114632064691314&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/952114632064691314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/952114632064691314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/01/reta.html' title='Retalho'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-3571427348400645354</id><published>2009-01-22T20:06:00.002Z</published><updated>2009-01-23T14:12:43.468Z</updated><title type='text'>Retalho</title><content type='html'>Assim, Carlos, por uns tempos, trabalhou, comeu e dormiu por entre as cinzas da Grande Fábrica Panificadora na Grande Cidade. Pegava no serviço às oito da noite e não o largava antes de o sol retomar a sua descida. O seu trabalho consistia em alimentar a enorme fornalha e limpar a escória sobejante, alimentar a enorme fornalha, limpar a escória sobejante, alimentar a enorme fornalha e limpar a escória sobejante. Enquanto se ocupava destas tarefas, outros homens encostavam-se às mesas de pedra e amassavam farinha, amassavam farinha, davam-lhe forma, davam-lhe forma, amassavam farinha, amassavam farinha, davam-lhe forma, davam-lhe forma. Os braços dos trabalhadores e o calor da fornalha produziam os únicos sons: ninguém dizia palavra, o que seria, aliás, inútil, se ninguém falava a mesma língua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-3571427348400645354?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/3571427348400645354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=3571427348400645354&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3571427348400645354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3571427348400645354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/01/retalho.html' title='Retalho'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-3623057350512532754</id><published>2009-01-16T11:40:00.009Z</published><updated>2009-01-16T14:12:24.884Z</updated><title type='text'>Amor de pai ou como Oscar Wilde reencarnou ontem em Lisboa</title><content type='html'>Ontem, aniversário de um tipo já graúdo, aos olhos dos progenitores ainda sempre o miúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe celebra a ocasião, como é de tradição lá em casa, com um belo discurso recheado de emoção, aparentemente contida dentro dos muros da eloquência, correcta construção frásica e singular ordenação de ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desafiando a mesma tradição da casa, o irmão mais novo (fedelho que, abrigado pelo escudo protector do varão aniversariante, saiu, como é dos livros, o provocador inato da família) lança o repto ao pai: discurso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariando as expectativas, este não protesta, mira o filho mais velho e profere:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando te vi pela primeira vez, pensei: como é possível amar tanto um tipo que nem conheço?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-3623057350512532754?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/3623057350512532754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=3623057350512532754&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3623057350512532754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3623057350512532754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/01/amor-de-pai-ou-como-oscar-wilde.html' title='Amor de pai ou como Oscar Wilde reencarnou ontem em Lisboa'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2321753811433742832</id><published>2009-01-15T19:00:00.001Z</published><updated>2009-01-15T19:06:02.920Z</updated><title type='text'>Parecem bandos de pardais à solta, os...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SW-JDgCmYGI/AAAAAAAAAfE/wqIsnzAORWI/s1600-h/IMG_2344.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291598780417073250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SW-JDgCmYGI/AAAAAAAAAfE/wqIsnzAORWI/s400/IMG_2344.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2321753811433742832?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2321753811433742832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2321753811433742832&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2321753811433742832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2321753811433742832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/01/parecem-bandos-de-pardais-solta-os.html' title='Parecem bandos de pardais à solta, os...'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SW-JDgCmYGI/AAAAAAAAAfE/wqIsnzAORWI/s72-c/IMG_2344.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2486021676875050339</id><published>2009-01-13T15:51:00.002Z</published><updated>2009-01-13T15:53:46.117Z</updated><title type='text'>Boutique</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SWy5AE5WVUI/AAAAAAAAAes/93WgM1iJ-yA/s1600-h/~loja+de+roupa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290807073218909506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SWy5AE5WVUI/AAAAAAAAAes/93WgM1iJ-yA/s400/~loja+de+roupa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2486021676875050339?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2486021676875050339/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2486021676875050339&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2486021676875050339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2486021676875050339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2009/01/boutique.html' title='Boutique'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SWy5AE5WVUI/AAAAAAAAAes/93WgM1iJ-yA/s72-c/~loja+de+roupa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-7777706201656908957</id><published>2009-01-13T15:48:00.002Z</published><updated>2009-01-13T15:51:06.620Z</updated><title type='text'>Cowboys</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SWy4Y5rhF1I/AAAAAAAAAek/tstG8lECdO8/s1600-h/guardadores+de+vacas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290806400193206098" style="DISPLAY: block; 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MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SVUD7yVjZaI/AAAAAAAAAeM/jhgslRmoEIA/s400/327.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Faltam dois dias. Com estes e outros amiguinhos ansiosos por nos conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.globalangels.org/fundraiser/Guludo/"&gt;http://www.globalangels.org/fundraiser/Guludo/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-1071050182891329664?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/1071050182891329664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=1071050182891329664&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1071050182891329664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1071050182891329664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/12/countdown_26.html' title='Countdown'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SVUD7yVjZaI/AAAAAAAAAeM/jhgslRmoEIA/s72-c/327.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2656234971767575668</id><published>2008-12-26T14:33:00.001Z</published><updated>2008-12-26T14:54:43.496Z</updated><title type='text'>Hit the road, jack</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SVTwERNjw4I/AAAAAAAAAeE/c4YWCQMIHRI/s1600-h/lam.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284112218942849922" style="DISPLAY: block; 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Talvez até um terramoto, isto fica por decidir. Tudo isto há na grande Lisboa que eu amo. Sobre tudo isto falarei, porque sim, e tudo isto resulta numa grande salganhada e o consequente o cabo dos trabalhos. Et pour cause, en ce blog il y a une pause.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-513978432587132580?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/513978432587132580/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=513978432587132580&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/513978432587132580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/513978432587132580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/12/melting-pot.html' title='Melting pot'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6679822352406681964</id><published>2008-11-27T14:40:00.002Z</published><updated>2008-11-27T14:46:53.257Z</updated><title type='text'>Eno &amp; Byrne are back</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/whRRR08A3Ac&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/whRRR08A3Ac&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Download gratuito em &lt;a href="http://www.everythingthathappens.com/"&gt;http://www.everythingthathappens.com/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6679822352406681964?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6679822352406681964/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6679822352406681964&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6679822352406681964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6679822352406681964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/11/eno-byrne-are-back.html' title='Eno &amp; Byrne are back'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2332305116232628686</id><published>2008-11-27T14:16:00.001Z</published><updated>2008-11-27T14:23:36.909Z</updated><title type='text'>Queridos 80</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TSGD-C1tbjs&amp;hl=en&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/TSGD-C1tbjs&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2332305116232628686?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2332305116232628686/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2332305116232628686&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2332305116232628686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2332305116232628686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/11/queridos-80.html' title='Queridos 80'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2735212159294627137</id><published>2008-11-18T13:29:00.011Z</published><updated>2008-11-26T00:18:28.516Z</updated><title type='text'>) (</title><content type='html'>Terminado o encontro fortuito, que um técnico apelidaria por coito, de modo a abarcar não só o processo, mas todas as possíveis consequências, ele virou-se para a esquerda, ela para a direita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amantes deram as costas um ao outro no leito e os seus corpos formaram, talvez até conscientemente, uma simbólica borboleta )(&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respiração de ambos foi aplanando e acabaram por embalar na sinfonia colectiva e imutável da cidade, um canto suave, abafado quem sabe em que medida pelas venezianas da janela e pela culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram assim umas boas duas horas, naquele silêncio recheado, até que ela se levantou com elegância, num capricho de leveza ou num impulso de dignidade, amputando a borboleta da sua asa direita ) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com aquele passo de dança, certo é que fechou um parêntesis de beleza efémera e retomou as rédeas da sua continuidade essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi deixando-se estar, permanecendo ainda no lado de cá - ou de lá, não é a verdade senão perspectiva? - , até que, com um suspiro, de dormência ou de alívio ou de aborrecimento ou de desilusão ou de nostalgia, se levantou por seu turno, dando o golpe de misericórdia na borboleta mutilada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2735212159294627137?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2735212159294627137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2735212159294627137&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2735212159294627137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2735212159294627137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/11/blog-post.html' title=') ('/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-8853731287654502631</id><published>2008-11-15T10:08:00.001Z</published><updated>2008-11-15T10:09:42.672Z</updated><title type='text'>Let's look at the trailer</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SR6f1fQQo2I/AAAAAAAAAV8/bxgNIOU_ri4/s1600-h/mckeestory.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 153px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SR6f1fQQo2I/AAAAAAAAAV8/bxgNIOU_ri4/s400/mckeestory.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268824355341640546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-8853731287654502631?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/8853731287654502631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=8853731287654502631&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8853731287654502631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8853731287654502631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/11/lets-look-at-trailer.html' title='Let&apos;s look at the trailer'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SR6f1fQQo2I/AAAAAAAAAV8/bxgNIOU_ri4/s72-c/mckeestory.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-9130539008137766442</id><published>2008-11-11T12:51:00.003Z</published><updated>2008-11-12T12:42:48.116Z</updated><title type='text'>Retalhos de uma vida ficcionada</title><content type='html'>Pensa na primeira vez que respiraste: um vento imparável que te entrou pelos pulmões, te assoberbou de espanto e que devolveste com um furacão digno do génese. Que primeiro e marcante berro soltaste! Ainda não vias nada, mas revoltavas-te contra o frio da sala de parto, contra as mãos ásperas do médico que te seguravam enquanto choravas como uma hiena endiabrada, essas mãos que depressa desistiram para te entregar ao regaço sanguíneo da tua mãe, calando-te, permitindo que ouvisses pela primeira vez a voz vermelha, forte, do teu pai finalmente emocionado, por tua causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eu, recusei-me a respirar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve médico que me segurasse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conheci o colo da minha mãe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço ideia onde parava o meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não respirei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci apressado, sem aviso, um mês antes de tempo. Olhando para trás, o meu nascimento prematuro é uma metáfora perfeita do que seria o resto da minha vida: uma ultrapassagem a galope, passando ao seu lado. Vi a vida, mas não a agarrei. Toda a minha existência procurei recuperar o momento primordial da minha existência, o momento de um tal assombro que os pulmões, dotados de auto-arbítrio, se recusaram a funcionar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui-o uma única vez, tão brevemente como nos primeiros minutos da minha vida, no exacto instante em que me cruzei com um rosto frágil, que parecia caber na palma de uma só mão, um sorriso triste, uns olhos feitos de anis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esse momento, tão breve como um relâmpago, fiquei sem fôlego. Mas ele parece durar para sempre, como a chaga de uma guerra para a qual fosses alistado sem a quereres combater.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-9130539008137766442?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/9130539008137766442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=9130539008137766442&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/9130539008137766442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/9130539008137766442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/11/retalhos-de-uma-vida-ficcionada_11.html' title='Retalhos de uma vida ficcionada'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-8594472675055091900</id><published>2008-11-09T02:55:00.000Z</published><updated>2008-11-09T02:57:30.131Z</updated><title type='text'>Retalhos de uma vida ficcionada</title><content type='html'>Lá no alto, um deus pequenino e solitário dá uma atmosférica dentada em algodão-doce:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal deus menor abocanha a nuvem, saboreia, degusta, fura a nuvem. Com a insolência que só a infância permite, espera,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Faz figas),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que alguém, lá em baixo, entenda o seu gesto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temerário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por seu turno, cá no solo, um puto, metido consigo mesmo, dá uma rasteira dentada no insecto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal puto, abocanha, matreiro, perniciosio, uma formiga. Com a insolência que só a infância permite, espera,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Faz figas),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que alguém, lá no alto, entenda o seu gesto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temerário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-8594472675055091900?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/8594472675055091900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=8594472675055091900&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8594472675055091900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8594472675055091900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/11/retalhos-de-uma-vida-ficcionada.html' title='Retalhos de uma vida ficcionada'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-624857559703882501</id><published>2008-11-07T17:55:00.000Z</published><updated>2008-11-07T17:57:44.406Z</updated><title type='text'>Retalhos da vida de um consultor</title><content type='html'>É sexta-feira. Quando chegar a casa, Sérgio vai largar a mala no sofá, despir a farda de consultor fiscal, abrir o frigorífico para servir-se de um vodka tónico (Black Goose, não um vodka qualquer). Não, não vai, porque a bebé exige atenção, Sérgio muda-lhe as fraldas, dá-lhe o biberon e fá-la arrotar. A miúda adormece quando a mãe chega. Jantam. A miúda acorda. A mãe trata da arrumação e Sérgio embala o bebé. Este adormece. A mulher deita-se. Leva a miúda consigo. Embora ainda não tenha quarenta anos, Sérgio sente-se um veterano extenuado, um resto, uma sobra. Diz à mulher que já lá vai ter, faz um desvio no escritório e liga-se ao ITunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta noite, Sérgio vai ouvir a música que fez da sua adolescência um período vibrante. Com os fones high-fidelity nos ouvidos, Sérgio grita os versos toscos de Rockaway Beach. Com esta música, Sérgio é transportado para os catorze, em que era conhecido por S Ramone e tinha formado uma banda com um pessoal punk, da Linha.&lt;br /&gt;Estamos, pois, em 1985. Sérgio está de pé, em cima do divã do escritório, e toca uma guitarra imaginária. Faz pose de rock-star, dá saltos mortais, chuta almofadas e atira-se contra a parede. O som do seu instrumento de vento é real. Quase um vendaval. No poster que imagina pregado na parede branca, Joey Ramone (o genuíno) levanta o polegar em aprovação. O concerto é electrizante, inesquecível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na porta do quarto um toc, toc, que Sérgio não ouve. Quem pode interromper um solo arrasador como aquele? Quem pode parar a fúria punk de S Ramone, o prodígio da guitarra? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S Ramone, o menino lingrinhas e cheio de borbulhas, sente-se o tipo mais poderoso do universo. Agora, só falta aprender a fumar e entender qual a graça do sabor amargo das cervejas que o seu irmão mais velho costuma emborcar, umas atrás das outras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como rock star, sabe também que tem o engenho, e sobretudo o descaramento, para falsificar a assinatura do pai naquele desastroso teste de matemática. Afinal, para que carga de água serve a trigonometria? Um guitarrista não precisa de ir à faculdade, certo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o ritmo de Rockaway Beach, S Ramone canta versos criados por ele, que surpreendentemente desencantou sem esforço de um canto obscuro da sua memória. O puto já escreveu canções sobre o fim do mundo, guerras nucleares, pais repressores e professores decapitados em salas de aula. S Ramone acredita no sucesso. Vai vender milhões de discos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Troca a sua guitarra eléctrica de faz de conta por um violão de mentira. Como profissional do show business, S Ramone sabe que toda a boa performance precisa de um momento romântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa canção, a única que o Joey Ramone do cartaz não aprovava, foi composta para a Alexandra do 8º B e para a rapariga da capa da primeira Playboy que Sérgio tinha tido coragem de comprar, de cujo nome naturalmente não se lembrava, porque não era o nome que estava em causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S Ramone toca lúgubre. Canta o amor, a dor e o sangue escorrendo pelos corredores da escola. No refrão, narra uma cena de porrada no recreio. Até que o vencedor do duelo de boxe categoria pesos-abaixo de pluma (ele, evidentemente), entrega uma rosa para a Alexandra do 8º B ou para a rapariga da Playboy (dependendo da versão). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S Ramone atira a guitarra para a público. Agradece os aplausos e salta do divã. Anda de um lado para o outro, ouvindo a turba ululante ao som de “só mais uma, só mais uma”. Salta de novo para o divã e empunha a sua guitarra vermelha (era vermelha, pois). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, voltamos a 2008. S Ramone transformou-se em Sérgio. Ele já sabe fumar e trata por tu o sabor amargo da cerveja. Em compensação, perdeu, totalmente, o contacto com a Alexandra do 8º B e nunca mais encontrou a sua velha e gasta Playboy. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje, quando Rockaway Beach despertar a sua alma gasta, Sérgio vai saltar no divã e dedilhar o ar mais uma vez. Até que a mulher (de boca aberta de espanto) e a filha (de boca aberta de gargalhadas) irrompam escritório adentro, pensando se é mesmo aquele o seu marido e pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(para o chefe bacano)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até para a semana. Ou até sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-624857559703882501?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/624857559703882501/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=624857559703882501&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/624857559703882501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/624857559703882501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/11/retalhos-da-vida-de-um-consultor.html' title='Retalhos da vida de um consultor'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2019033048030856081</id><published>2008-11-03T18:27:00.004Z</published><updated>2008-11-04T16:41:43.600Z</updated><title type='text'>Um conto do imprevisto</title><content type='html'>(Cont.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cavalo, entretanto, acaba de engolir a pasta verde que lhe enchia a boca e agora, por um interminável segundo, volta a olhar, sem ver o horizonte. Baixa a cabeça com parcimónia (movimento que é seguido pelas moscas que não há modo de lhe largar as orelhas), esfregando a boca no chão húmido para se livrar de umas flores bonitas que lhe haviam ficado entaladas entre os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amélia estava prestes a morrer uma vez mais quando o leitor faz uma pausa no drama, deixando-a suspensa, mas nem por isso expectante, consciente do seu inevitável destino. Marcando a página com intenção de lá voltar, o leitor fecha o livro e abre um exemplar raro da revista “O Cruzeiro”, saída ao prelo nos idos de 16 de Abril de 1878. Faz fé no que agora lê, com a consideração que lhe deve o prestígio do mestre Machado de Assis: numa crítica aí publicada, Machado de Assis, das alturas do Olimpo Literário que conquistou, profere a lapidar sentença, publicada preto no branco e constante de folhas: «“O Crime do Padre Amaro” é imitação do romance de Zola, “La Faute de l’Abbé Mouret"».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em consequência, o leitor abandona definitivamente a leitura de “O Crime do Padre Amaro”, faz um esgar de desprezo e solta o livro às labaredas da salamandra com que aquecia os pés, condenando Amélia a uma morte desta vez diferente. Antes de sucumbir às chamas, Amélia pensa como desejaria conhecer a irmã francesa inventada por Zola e de quem nunca antes tinha ouvido falar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco Mendes está prestes a sair do bar quando, numa prova de que a vida é feita de acasos e imprevistos, a equipa visitante, de fracos pergaminhos, realiza uma daquelas proezas de que o futebol é fértil e que fazem dele um desporto de multidões. Contra todas as probabilidades, o trinco dos visitantes, cujos dotes técnicos se  resumem no justificado epíteto de “carrega-pianos”, faz um movimento de ruptura que deixa os bem mais dotados atletas da equipa caseira pregados no relvado, de tal modo que o central da equipa hóspede, ferido no orgulho, derruba a pés juntos o adversário. Livre directo, último minuto da partida. Francisco Mendes olha para o televisor e dá um último gole no scotch. O livre é bastante mal cobrado mas o esférico é lançado numa improvável órbita que desafia as leis da balística. A bola ressalta nas costas de um defesa, o guarda-redes não consegue calcular a trajectória ziguezagueante, indo o esférico embater com estrondo na trave e de novo numas costas de um jogador caseiro, agora do guarda-redes, entrando consequentemente na baliza defendida pela equipa da casa e fixando o resultado final: um inacreditável zero um. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lance incaracterístico e improvável é tomado por Francisco Mendes como um sinal: sai do bar disparado para a estação de comboios, nem sequer passando pelo apartamento para recolher os seus parcos haveres, e aí compra um bilhete só de ida para o apeadeiro transmontano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A composição atravessará, manhã cedo, um pasto onde um cavalo velho vê a refeição interrompida pelo ruído do monstro circulante. Francisco Mendes, nesse preciso momento, está à janela, mirando o vazio com um olhar fundo, que parece preenchido de tudo o que não vê, como se os montes que lá ao longe o contemplam impregnassem o mirar humano do sentido da insignificância. Repara, contudo, na figura triste de uma pileca e parece-lhe (não sem incredulidade), que o animal baixa a cabeça à sua passagem, como que cumprimentando com sábia familiaridade um ser que, bem vistas as coisas, com ele partilha muito mais profundas semelhanças do que as anatómicas diferenças que aparentemente os separam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2019033048030856081?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2019033048030856081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2019033048030856081&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2019033048030856081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2019033048030856081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/11/um-conto-do-imprevisto.html' title='Um conto do imprevisto'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6149810752947441864</id><published>2008-10-31T18:49:00.003Z</published><updated>2008-11-04T12:06:15.611Z</updated><title type='text'>Retalho de um conto</title><content type='html'>Um velho cavalo rumina, rodando as largas mandíbulas em círculos. O cavalo tem cara de panorama. Olha para o vazio, carrega consigo um olhar dir-se-ia sem fundo, parece preenchido de tudo o que não vê, como se os montes que o contemplam impregnassem aquele olhar equídeo do sentido da insignificância. Por um segundo, parece notar alguma coisa, fracção de tempo em que pára de mascar a erva fresca, mas logo, percebendo que era a mesma árvore de ontem bailando agora com a brisa, retoma o seu eterno afazer com o vagar que os seus dentes gastos exigem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por seu turno, Francisco Mendes pede um whisky duplo ao balcão do Dez. Essa é a medida que concede ao tempo até que algo aconteça. Infelizmente para Francisco Mendes, o tempo está-se nas tintas para o seu whisky, o Dez não é um diner de Los Angeles, nem ele é figurante de um filme de série B e, como tal, finda a bebida, nenhum jovem casal de ladrões de trazer por casa ameaçará a freguesia brandindo pistolas e gritando “Everybody be cool, this is a robbery!”, como, num aparente paradoxo, Francisco Mendes desejaria. Francisco Mendes chegou a chefe de contabilidade em esforçados vinte e cinco anos de carreira. Nada de novo se passará neste fim de tarde, à parte talvez mais uma dose dupla com que medir o tempo e mais um jogo europeu que será transmitido no ecrãs reluzentes do Dez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O whisky, o balcão do Dez e o futebol são mundos desconhecidos para Amélia, rapariga na flor da idade, viçosa, morena e alta. Amélia, ela, não faz mais nada senão representar à risca o seu papel, sempre que algum leitor (e não são poucos) resolve ler o clássico do século XIX, ressuscitando-a. Quando tal acontece, segue o destino que o escritor lhe traçou: vive um amor proibido, engravida, retira-se em consequência para uma quinta nos arredores da cidade sob a vigilância de uma beata fanática, redime-se à custa do único padre que se comporta de acordo com os cânones, até que volta a morrer, do mesmo parto, para percorrer igual via sacra sempre que alguém volte a folhear o romance. Uma adaptação cinematográfica quebrou fugazmente a sua monotonia, mas, como é sabido, o formato audio-visual é efémero e, de qualquer modo, o filme agudiza, em vez de amenizar, a fama de devassa que carrega como uma cruz. Ninguém mudará a sua sorte, o autor finou-se há uns bom cem anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cont.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6149810752947441864?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6149810752947441864/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6149810752947441864&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6149810752947441864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6149810752947441864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/10/retalho-de-um-conto.html' title='Retalho de um conto'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6741409779013791180</id><published>2008-10-28T19:24:00.004Z</published><updated>2008-10-28T19:30:18.811Z</updated><title type='text'>E o Natal está quase aí ao virar da esquina...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SQdnYV2vScI/AAAAAAAAAVc/UfkCxnmjyGM/s1600-h/transa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262288357486971330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 287px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SQdnYV2vScI/AAAAAAAAAVc/UfkCxnmjyGM/s400/transa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda não li, mas é como se já tivesse lido. Recomendo, sem medos. Este &lt;a href="http://sushileblon2.blogspot.com/2008/10/est.html"&gt;livro &lt;/a&gt;vai para o sapatinho de muitos amigos. Aguardo autógrafo, lá para Dezembro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6741409779013791180?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6741409779013791180/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6741409779013791180&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6741409779013791180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6741409779013791180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/10/e-o-natal-est-quase-ao-virar-da-esquina.html' title='E o Natal está quase aí ao virar da esquina...'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SQdnYV2vScI/AAAAAAAAAVc/UfkCxnmjyGM/s72-c/transa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4667803891149440075</id><published>2008-10-26T02:23:00.001Z</published><updated>2008-10-27T17:56:50.488Z</updated><title type='text'>Retalhos de uma vida ficcionada</title><content type='html'>Máxima tardava a responder. Nunca o chegou a fazer. Ia abrir a boca e assim a teve de deixar ficar, suspensa pela expectativa.  Sentiu que voava, num improvável salto a galope. De boca ainda aberta, saltou do banco, sem apoio, tentando agarrar-se a qualquer coisa, a sua mão não conseguindo melhor do que fechar-se no ar vazio. A boca sempre aberta, fechou os olhos com força, a mesma força que gostaria de usar para fechar os ouvidos, se ao menos Deus tivesse assim concedido ao homem mais essa vantagem competitiva. Tal serviria para calar a singular orquestra composta de inconcebíveis guinchos de pneumáticos e terríveis acelerações de motores pairando no vácuo. Seguiu-se um som surdo de uma pancada, o baque da sua própria fronte contra uma parede de vidro estilhaçando-se, seguido de um silvo crescente, o som do seu corpo deslizando com o impulso por entre as finas moléculas da atmosfera. Transformou-se pois num projéctil humano disparado para o vazio, de tal modo que naqueles instantes nada via para além de um túnel de luz ofuscante à sua frente, sem que lhe vislumbrasse fim. Naqueles intermináveis momentos voadores, sentiu-se, como nunca mais se sentiria, independente, feita de si mesma, incomensuravelmente distante de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa. Vazio. E pausa. E vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algures, o ruído de metais retorcidos por uma pancada brutal conseguiu penetrar de novo na sua consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou a si deitada num cama húmida de urzes, olhando para o cadáver de um automóvel, rodas viradas para o firmamento que não cessavam de girar, fumos saindo de entranhas mecânicas quebradas. Em contraste com a visão dantesca, o que agora ouvia era apenas o gotejar tranquilo da chuva morna que se esvaía, como ela, no cómodo tapete de musgo e urzes a que tinha ido parar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terror imobilizava-a. Não lhe doía nada, ainda que sentisse o gosto doce do sangue que lhe descia do nariz até aos lábios por acção lenta da gravidade. Deixou-se ficar quieta, fazendo por crer que tudo aquilo era um sonho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4667803891149440075?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/4667803891149440075/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=4667803891149440075&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4667803891149440075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4667803891149440075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/10/retalhos-de-uma-vida-ficcionada_26.html' title='Retalhos de uma vida ficcionada'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-1798944699487728912</id><published>2008-10-20T18:56:00.004+01:00</published><updated>2008-10-27T19:06:26.496Z</updated><title type='text'>Retalhos de uma vida ficcionada</title><content type='html'>“Ao menos quando ela chegar não se vai pôr com temores de ser vista por coscuvilheiros. Quando está receosa fica danada, faz-se difícil”, pensou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é que ela viria. Henrique pensou se estava impaciente por que ela viesse ou porque não aparecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para o seu relógio: pouco passava das sete, mas o breu era opaco. O Outono tinha chegado sem aviso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dou-lhe mais um quarto de hora”, disse para si próprio, “depois disso vou para casa e ela que se amanhe com quem lhe faça outro filho, a começar pelo impotente do marido, e que sustente o que já por cá anda. De qualquer modo, começa a perder o viço”, num monólogo consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio da vila tinha acabado de soar as sete e um quarto e Henrique, determinado em cumprir a jura que se havia feito, rodava já a chave da ignição, quando lhe pareceu vislumbrar alguém aparecendo por detrás da esquina do edifício.  Desligou o motor e apagou as luzes. Seria ela? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela viu-o e apressou o passo na direcção do automóvel, rodando o pescoço para trás de quando em vez, à cata de testemunhas inoportunas. Não vendo ninguém, chegou-se com cuidados ao grande Mercedes preto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique saiu e abriu a porta do lado, um tudo-nada antes de tempo, precavendo Máxima da impaciência que a espera tinha provocado ao amante. O lavrador não estava habituado a depender dos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Máxima, mãe solteira na época em que elas não existiam senão por obra do Demo, dependia totalmente dos outros, particularmente do pai do seu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dependia de Henrique Redondo e de quem lhe calhasse por sorte ao caminho: a propósito, Máxima não podia revelar ao seu amante que a demora devera-se aos avanços atrapalhados do director da fábrica a que ela fingia ir resistindo, num jogo do gato e do rato em que a presa é, evidentemente, o suposto caçador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longe, no ponto onde o caminho de terra se unia à estrada municipal remendada de asfalto, passou um vulto. Os amantes esperaram em silêncio, ansiando que o sujeito não notasse o carro camuflado sob a copa baixa dos pinheiros mansos. O vulto entrou no seu carro, estacionado no parque da fábrica, ligou o motor e fez-se à estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem era aquele?”, inquiriu secamente Henrique.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-1798944699487728912?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/1798944699487728912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=1798944699487728912&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1798944699487728912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1798944699487728912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/10/retalhos-de-uma-vida-ficcionada_20.html' title='Retalhos de uma vida ficcionada'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-5290609511830284242</id><published>2008-10-18T02:47:00.011+01:00</published><updated>2008-10-22T11:49:23.297+01:00</updated><title type='text'>Retalhos de uma vida ficcionada</title><content type='html'>Agora é este o cenário: um shopping center de subúrbio com quarenta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descontando a alcatifa que antes havia galgado e serpenteado os corredores escuros, que foi arrancada para dar lugar a mármore (naturalmente falso), o demais preparo ficou como sempre esteve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois andares de pequenas lojas prestando pequenos serviços, isto é, acessórios de telemóveis, venda de electrodomésticos, videoclubes, bijuterias e bugigangas várias, confecções e roupas berrantes, iluminação para o lar, tabacarias, lavandarias, um cabeleireiro uni-sexo que faz implantes de tranças artificiais ou naturais e até importadas do estrangeiro, restauro de hardware e outras informáticas, a capela de uma igreja baptista, fotógrafos para casamentos e baptizados, decorações para o lar, acolchoados, retrosarias, afins, e por aí adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá em baixo, junto à saída das traseiras, um snack-bar discreto neste shopping sumido, a que um pato-bravo, num raro momento de inspiração premonitória, baptizou de “Shopping Babilónia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, frequenta esta portuguesa torre de Babel, feita de dois-pisos-dois de galerias comerciais, uma amálgama de gentios de todas as raças, credos, origens, etnias, disposições e feitios que na Amadora se podem encontrar: trabalhadores honestos e, modo geral, bastante feios. "Esta gente", parafraseando um conhecido colunista de um jornal diário, vinga-se do dia a dia o melhor que pode refastelando-se em cadeiras de metal consumidas, atarrachadas por parafusos carcomidos, a mesas de alumínio oxidadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No círculo que estas mesas formam formam-se, por seu turno, comunidades (de imigrantes) que se espalham (mornamente cavaqueando) naquela imitação de esplanada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(com tanta descontração como se eles estivessem na sua terra, pensa de si para si Sílvio, contendo silenciosamente, também ele o melhor que pode, o seu desprezo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, pois, neste bar decrépito que elas (as freguesas) acomodam os seus rabos rotundos para observar a quantidade exacta de sacos de compras que carregam as demais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(importa sobremaneira, é bom de notar, instalar-se nas cadeiras frias com o máximo de sacos de compras possível, sinal de sucesso no sonho lusitano),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há que fingir conversar com as vizinhas (disfarçando com tragos rápidos de bicas mornas) para poder dialogar, acima de tudo e porque é isso que verdadeiramente conta, com os sacos de compras das outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É também na esplanada a céu fechado, que eles (os fregueses) fumam os seus cigarros nacionais (numa uniformidade de gosto que previne o cravanço) e tragam em goles gulosos cervejas de medida comedida (as grandes perdem rapidamente frescura).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles estão sentados no ângulo oposto ao balcão, trincando rissóis (quando sentem muita larica) e cuspindo cascas de tremoço (quando apenas a querem distrair).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contam, nas gargalhadas que enfeitam a conversa reservada a machos, anedotas sobre mulheres. Se uma senhora se aproxima , quase sempre se calam. Ocasionalmente, dirigem-lhes a palavra (o que sucede apenas quando as qualidades sedutoras são unanimemente observáveis pela sabedoria barata daquela horda de alarves).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes piropos são lançados do canto onde eles, os fregueses, teimosamente persistem em se plantar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal faz-se junto da penumbra que cerca a casa de banho das senhoras, à boca do trajecto que as senhoras têm de percorrer em passo rápido,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para escapar aos olhares sôfregos dos senhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, pois, neste bar, chutado para canto de um shopping remoto, que Sílvio, que nunca teve uma mãe (pelo menos que fosse digna da enormidade opressiva da palavra: “mãe”), serve com indiferença freguesas e fregueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sílvio gostaria de passar à acção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espancar, talvez até à morte, as pessoas indiferentes. Para Sílvio, há sujeitos que não contam enquanto tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente para o quadro de valores que foi interiorizando na ausência de superior aconselhamento (materno ou outro), Sílvio sente enorme frustração por ninguém tomar as rédeas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sílvio gostaria, é evidente, de fazer justiça pelas próprias mãos mas, não sem hedionda vergonha, resigna-se a esperar que uma mirífica milícia de jovens suburbanos trate do assunto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sílvio acredita ainda menos no Governo ou nos políticos, que deram provas dadas que jamais deram, dão ou darão conta do recado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera que uns jovens heróis sujem as mãos por ele, para que as suas possam permanecer limpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim vai, com a ira que só a cobardia consegue suster, servindo bicas mornas e cervejas de medida comedida àquela gente suja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-5290609511830284242?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/5290609511830284242/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=5290609511830284242&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5290609511830284242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5290609511830284242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/10/retalhos-de-uma-vida-ficcionada_18.html' title='Retalhos de uma vida ficcionada'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-5312839651168297795</id><published>2008-10-16T18:50:00.000+01:00</published><updated>2008-10-16T18:57:20.623+01:00</updated><title type='text'>O elogio do inútil</title><content type='html'>Escreveram-me:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O inútil é o subtrair-se à ditadura das finalidades que acabam por nos desviar do viver autêntico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revemo-nos no versos que Alexandre O'Neill escreveu em "Adeus Português"".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«... nesta cadeira &lt;br /&gt;onde passo o dia burocrático &lt;br /&gt;o dia-a-dia da miséria &lt;br /&gt;que sobe aos olhos vem às mãos &lt;br /&gt;aos sorrisos &lt;br /&gt;ao amor mal soletrado &lt;br /&gt;à estupidez ao desespero sem boca &lt;br /&gt;ao medo perfilado &lt;br /&gt;à alegria sonâmbula à vírgula maníaca &lt;br /&gt;do modo funcionário de viver»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a prova de que a minha mãe é muito melhor do que a mãe da minha vizinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-5312839651168297795?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/5312839651168297795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=5312839651168297795&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5312839651168297795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5312839651168297795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/10/o-elogio-do-intil.html' title='O elogio do inútil'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-8785538839146133668</id><published>2008-10-13T18:45:00.001+01:00</published><updated>2008-10-13T18:53:49.941+01:00</updated><title type='text'>Retalhos de uma vida ficcionada</title><content type='html'>Estou equipado com um olhar diferente, hoje em dia. Infelizmente, não se limita, como antes, a raiar a superfície das coisas. Prescruta mais fundo e cai no abismo do horizonte. Esta eficiência é muitas vezes desconfortável, troca-me os passos, cerra-me os olhos, perante a luz tanto quanto perante a escuridão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponho-me no lugar da Velha e tento pensar na quantidade de memórias que terão restado de tudo o que o seu olhar registou. Penso na sua força e tremo. Tenho tantas fotografias guardadas atrás dos meus olhos e mantenho-as numa desarrumação caótica, estão desligadas, lutam entre si tentando ocupar o espaço da outra, numa luta inglória para tomar o lugar que lhes pertence. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho arduamente nesta tarefa metódica, de dar sentido àquilo que vejo. Por isso registo tudo, faço por notar a mais pequena variação de luz que cada momento cria, tento conter cada pedaço de tempo bem atado dentro de si mesmo – como agora, enquanto a observo da cama, está sentada à luz ténue do candeeiro de secretária que revela apenas uma das faces do rosto contra a escuridão e ilumina o pó que decora a lombada do livro sobre o qual se debruça, o olhar fixo no seu mundo de fantasia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está imóvel, a tal ponto imóvel que a sua respiração tranquila chega para transformar o que seria uma fotografia numa cena em tímido movimento, digna de um filme de Bergman. Enquanto a observo enfeitiçado, os lábios carnudos firmemente cerrados, a fronte enrugada pela concentração, todas as outras imagens se desvanecem no escuro da noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-8785538839146133668?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/8785538839146133668/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=8785538839146133668&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8785538839146133668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8785538839146133668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/10/retalhos-de-uma-vida-ficcionada.html' title='Retalhos de uma vida ficcionada'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-1794133144455169707</id><published>2008-10-13T16:20:00.000+01:00</published><updated>2008-10-13T16:23:37.569+01:00</updated><title type='text'>As segundas, de manhã</title><content type='html'>Sabes como é acordar de um sonho, &lt;br /&gt;Certo de que voas &lt;br /&gt;E que um amigo, que aliás &lt;br /&gt;Jamais conheceste,&lt;br /&gt;Voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E animas-te com a ânsia, breve,&lt;br /&gt;De te fazeres à estrada e de com ele&lt;br /&gt;Sentires nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ao menos domar o volante e arrastares contigo &lt;br /&gt;Aqueles que amas&lt;br /&gt;E sentires tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes como é,&lt;br /&gt;Enquanto te escanhoas e contemplas &lt;br /&gt;As tuas sobras no espelho,&lt;br /&gt;Fazes as contas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao percentil dos dias,&lt;br /&gt;Dos que transportas no dorso, que &lt;br /&gt;Gastaste em assinar o teu nome,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o dia começa enquanto conduzes&lt;br /&gt;Dando prioridade &lt;br /&gt;Aos que te conduzem, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada aquela fresta de hora, o momento &lt;br /&gt;Solitário,&lt;br /&gt;O dia ressuscita e ultrapassa-te, ele é&lt;br /&gt;Aquele carro, &lt;br /&gt;E mais outro&lt;br /&gt;E mais outro carro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-1794133144455169707?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/1794133144455169707/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=1794133144455169707&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1794133144455169707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1794133144455169707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/10/as-segundas-de-manh.html' title='As segundas, de manhã'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2835165756245788226</id><published>2008-09-29T19:51:00.001+01:00</published><updated>2008-09-30T17:54:17.318+01:00</updated><title type='text'>Retalhos de uma vida ficcionada</title><content type='html'>Amansado pelo caldo verde que a Velha, como todas noites, servira como ceia, chegava a hora mágica em que fazia as pazes com o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Velha sentava-se no cadeirão de palha e pregava à lareira, beijando de quando em vez o crucifixo, que segurava com força entre as mãos rugosas, salpintadas de manchas castanhas, como continentes num planisfério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orar terços, rezar novenas, rogar aos santos que acudissem numa cantilena monótona era tarefa que a Velha desempenhava amiúde, ora com aparente indiferença, ora num fervor que parecia conduzi-la ao centro do universo. Habituei-me de tal modo àquela ladainha contínua, que, se deixava de a ouvir, receava que a Velha se desfizesse em pedaços, temendo que a rotina sonora fosse a argamassa que juntava as peças frágeis do seu corpo mirrado. A oração parecia protegê-la e eu sentia-me protegido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando as orações, pouco mais dizia. Mas, acabado o terço da noite, colocava a minha nuca no seu colo e os nossos rostos brilhavam com os sonhos que lhe revelava. Era só depois da ceia e da oração que lhe seguia que a Velha ouvia o que eu tinha para contar. Nunca os punha em dúvida, por mais absurdos que pudessem parecer, embora, quando uma noite lhe perguntei se os sonhos se tornavam realidade, ela respondeu-me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se não os partires”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E como os posso partir?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se te agarrares a eles com muita força.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2835165756245788226?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2835165756245788226/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2835165756245788226&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2835165756245788226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2835165756245788226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/09/retalhos-de-uma-vida-ficcionada.html' title='Retalhos de uma vida ficcionada'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-7930791778935556950</id><published>2008-09-23T17:01:00.001+01:00</published><updated>2008-09-23T17:06:25.877+01:00</updated><title type='text'>Ouvindo a conversa na mesa do lado</title><content type='html'>- Epá, este fim de semana fui almoçar a casa do Pedro.&lt;br /&gt;- A casa de praia?&lt;br /&gt;- Sim, pá. E conheci a mulher do gajo.&lt;br /&gt;- E então?&lt;br /&gt;- Epá, é feia, feia, feia que nem imaginas.&lt;br /&gt;- Pior do que as nossas?&lt;br /&gt;- Nem imaginas, pá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-7930791778935556950?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/7930791778935556950/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=7930791778935556950&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/7930791778935556950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/7930791778935556950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/09/ouvindo-conversa-na-mesa-do-lado.html' title='Ouvindo a conversa na mesa do lado'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-9120055166324718871</id><published>2008-09-19T10:43:00.003+01:00</published><updated>2008-09-19T17:50:50.219+01:00</updated><title type='text'>Expliquem-me como se fosse muito burro</title><content type='html'>- Então diga lá, ó Alberto Martins, o senhor é a favor do casamento entre homossexuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao contrário da conservadora líder do principal partido da oposição, que acha que se deve chamar outra coisa qualquer ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, nós no PS somos muito progressistas. A resposta é sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então o PS vai votar a favor da proposta do BE e dos Verdes para admitir o casamento entre homossexuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E vai dar liberdade de voto aos seus deputados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Somos  um partido plural, mas neste caso não vamos dar liberdade de voto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos lá ver se entendi? É a favor do casamento entre homossexuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o PS vai votar a favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não vai dar liberdade de voto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque a medida não estava no programa eleitoral, portanto o PS não tem legitimidade para a tomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a nova lei do divórcio, estava no programa eleitoral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-9120055166324718871?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/9120055166324718871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=9120055166324718871&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/9120055166324718871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/9120055166324718871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/09/expliquem-me-como-se-fosse-muito-burro.html' title='Expliquem-me como se fosse muito burro'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2750065626204918636</id><published>2008-09-17T17:57:00.003+01:00</published><updated>2008-09-17T18:07:39.920+01:00</updated><title type='text'>O consultor rotundo</title><content type='html'>É tão gordo, tão gordo, tão gordo, que nunca desaperta a gravata, mesmo quando o calor aperta o pescoço e a gola da camisa se inunda de transpiração: não sobraria ponta de gravata para manter o nó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2750065626204918636?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2750065626204918636/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2750065626204918636&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2750065626204918636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2750065626204918636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/09/o-consultor-rotundo.html' title='O consultor rotundo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2460069776259785993</id><published>2008-09-17T12:37:00.002+01:00</published><updated>2008-09-24T14:57:07.564+01:00</updated><title type='text'>Coisas do bloco de notas</title><content type='html'>(cont.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terei saído porta fora e os carros terão passado ao largo sem que lhes saísse fumo dos bofes, as crianças recém arrancadas ao leito terão feito idênticas birras de sono expressando guinchos sem que um berro lhes saísse das goelas estridentes, uma cadeia em série de mães terá ameaçado a palmada no rabo com a mão aberta, irrompendo-se-lhe esgares mudos de impaciência, o cão vadio que mora debaixo do cornijo na esquina terá mijado no pneu da carrinha abandonada sem que nascesse o riacho delimitador de território canino. Da boca desdentada do vendedor de cautelas, hoje cerrada, sai um pregão, incrivelmente mais sonoro, mais límpido, que atrai as atenções dos transeuntes, que augura TANTOS-MIL-EUROS-SEXTA-FEIRA-ANDA-A-RODA. Hoje o pregão saiu com voz de Manuel Alegre, como se a sorte da nação se confundisse com a sorte da taluda. O painel electrónico estacionado em cima do viaduto, virado para a centopeia com rodas no lugar de patas que entope este carreiro, também esse ofusca tudo, cintilando ESTREIAS e FINAIS DE TELENOVELAS e respectivos PATROCINADORES e EXPOSIÇÕES e concernantes FILANTROPOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chumbo atmosférico mói, dissolve as coisas de que o quotidiano citadino era feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos a publicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero lá saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começou, o dilúvio, como parecia estar escrito, nessa manhã em que um Inverno tomou de assalto o Verão de calendário, sem pedir licença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sem guarda-chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse preciso momento, escorrego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escorrego e deslizo, sobre um mar de folhetos publicitários que jazem na rua, caídos do céu metálico. O asfalto está grávido de celulose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A camada de papelada empilha-se progressivamente e os limpa-neves (não os sabia nos arrabaldes de Lisboa, mas que sei eu) chegam de imediato e não lhe dão meças, as máquinas também escorregam e deslizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos folhetos fininhos de publicidade, pequenas lâminas de barbear que esfacelavam os guarda-chuvas dos vizinhos previdentes, sucedem maços de jornais atados por cordas como se empacotados para os diversos quiosques de esquina. Peguei num deles, que me tinha caído com estertor de dilúvio a poucos centímetros do meu corpo, só por acaso não me levou desta para melhor, ou para pior, o que sei eu, e não se tratavam, afinal, de jornais, seriam grossos catálogos de publicidade, viagens em promoção a seguros e catalogados paraísos que cantam, e esses amanhãs anunciados chovem magoando os transeuntes incautos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias passam e a tempestade amaina, mas não pára. Uma contínua e modorra chuva de modestos mas insistentes folhetos publicitários mantém-se, molhando parvos, acabando por cobrir toda a via pública, uns centímetros primeiro, uns metros passados uns dias. Ao quinto dia de chuvisco publicitário ininterrupto, a papelada chega ao terceiro andar do prédio dos arrabaldes, o estado de calamidade pública foi decretado e o trânsito cessa, deixa de haver condições para a circulação automóvel, os sub-urbanos voltam aos abrigos, e, com eles, a centopeia com rodas no lugar de patas regressou ao casulo deixando o carreiro livre à PROPAGANDA. Ao menos o ruído dos escapes, rotos, remediados ou duplos, cessou, substituído porém por estridentes ANÚNCIOS sonoros a todo o género de PROMOÇÕES, vindos nitidamente da nuvem que não havia meios de embranquecer, nem com o DETERGENTE LAVA-MAIS-BRANCO que os obuses do exército lançavam inclementemente na sua direcção, sem resultados visíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá que não vá que vivo num andar alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez na história a televisão passava, a-verde-e-branco, o boletim meteorológico da publicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao sétimo dia, a tempestade desabou. Granizaram todos os livros que já ninguém lia, arrastando tudo à sua passagem, rios de papel velho pareciam vingar-se do esquecimento, cascatas de filosofia existencial justificavam a sua existência. Chegaram ao meu andar dilúvios de caderninhos, daqueles de apontar notas, revestidos de cabedal preto, MOLESKINES, milhares de MOLESKINES empilhavam-se até ao meu piso, a janela quebrou-se sob o seu peso, abri um, antes que me afogasse na torrente de caderninhos de cabedal e reconheci, no átomo de segundo que restava da minha existência, naqueles gatafunhos a minha impressão digital, aquela era a minha letra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morri, pois, sufocado de milhares de MOLESKINES cheios de inutilidades apontadas por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reencarnei arfante, ridiculamente perturbado, perante a luz laranja que afagava as pálpebras fechadas, anunciando o calor de uma manhã de Verão, como tantas outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os discípulos daquele velho austríaco que expliquem o pesadelo, se quiserem fazer de mim um caso clínico. Por mim, estou-me nas tintas para simbolismos oníricos. Faz-me feliz, esta luz morna de Lisboa que me invade o quarto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2460069776259785993?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2460069776259785993/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2460069776259785993&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2460069776259785993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2460069776259785993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/09/coisas-do-bloco-de-notas_17.html' title='Coisas do bloco de notas'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4582872284886578969</id><published>2008-09-13T01:57:00.005+01:00</published><updated>2008-09-24T14:56:01.104+01:00</updated><title type='text'>Coisas do bloco notas (aquele sempre deixado ao lado da cama)</title><content type='html'>Viro-me para o termómetro pendurado na parede por detrás de mim e o mercúrio parece ter perdido todas as suas coordenadas registando temperatura alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me ausente, vendo bem, nada de novo, nem me chego a aperceber de que não se trata de nada de novo, isso exigiria análise, e eu cheguei, no que toca à exploração da inércia, a uma região para lá dos limites conhecidos, não me reconheço nem deixo de me conhecer, sou melhor definição de céptico do que a encontro no dicionário – uma hipérbole de niilismo, eu sou aquele que nem acredita que exista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomo uma dose reforçada de cepticismo, faço de conta de que não é nada comigo e retiro do armário, não, não é esse do pinho barato, o outro, o da kitschenete por cima do lavatório onde jazem os pratos conspurcados de restos de comida de pacote, e retiro a cafeteira engavetada com que costumo preparar o café aromático e fervente (nesta casa a única iguaria é o café de Timor com que enfrento manhãs chatas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esta não é chata, é esquisita, mas que se lixe, ponho-o ao lume e imediatamente me apercebo, mas que grandessíssima merda, que as munições acabaram antes mesmo do combate, a chama do pavio a álcool está, nesta manhã de chumbo, esquisitamente inerte, incolor. Cinzenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raios a partam, não me dando por vencido reforço a mezinha, juntando ao preparado, apenas morno, umas pingas do meu scotch, que hoje, que grande porra, não podia senão cheirar a vodka, ou seja a nada, e saber mesmo a vodka, ou seja, a vácuo. Faz por arranhar a garganta e tanto, por quão pouco, é, por enquanto, quanto baste. Pouso a caneca no balcão, sento-me no banco alto comprado nos grandes armazéns suecos, alcanço o controlo remoto e aponto-o para a televisão. Não acende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque me trocaram o ele-cê-dê por esta velha caixa de plástico preto encardido, logo a Grundig da era pré-sonyca que me proporcionava desenhos animados saídos do imaginário da cortina de ferro, aqueles que eram apresentados por aquele sujeito fininho de ar ingénuo, o careca, como é que o gajo se chamava,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasco qualquer-coisa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasco Quinta,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(porra, como se chamava o gajo?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasco Granja,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso!,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O saudoso Vasco Granja, o que será feito do Vasco Granja da minha infância e o que será feito dos artistas plásticos da cortina de ferro e o que será feito do Marcelo de cabelos ruivos que jogava comigo à bola no campo do bairro e que era sempre chutado para a terceira equipa (como eu), e que protestava e guinchava e chorava de frustração (coitado, precisamente ao contrário de mim, que sempre soube o meu lugar, defesa central da terceira equipa, mas dava o litro pelo colectivo, era o que o treinador de fartos bigodes pregava como um suplente do padre do bairro, e o que será feito do bigodudo treinador do fato de treino do galo desportivo gaulês).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irra, chega de comiseração infligida, de memórias tão inúteis como aquele sofá de veludo gasto com molas quebradas como algumas vidas, onde já nem eu me sento, deixa-me lá ligar o aparelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendo a televisão, carregando à manápula no botão de plástico, treque, mudo de canal, treque, nem sinal de recepção da emissão télévisiva, até que o aparelho, retorcendo-se nos seus circuitos internos, emite um zumbido de aquecimentos e o ecrã preto se vai progressivamente transformando em fantasmas esverdeados e os fantasmas dão lugar a figuras nítidas verde-e- brancas, se bem me lembro os adultos diziam que a televisão é a preto-e-branco e eu achava que era a verde-e-branco, sempre tinha mais cor, os graúdos saíram-me uns trágicos. E eles diziam-me que o gato via assim, a preto-e-branco, e eu pensava que o gato, quando acordava, também precisava de aquecer os seus circuitos internos antes de reflectir sobre a sua mansa vida felina(muito reflectia o gato, sempre pensei que ele era o mais introspecto filósofo do mundo),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por isso é que ele se punha na varanda ao sol horas seguidas, só lhe faltava chamar “Jacaré”, mas o meu irmão mais novo quis antes dar-lhe um nome felpudo, mais digno de um bichano (“Gatucho”), e,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o ecrã escuro se transforma, com vagar e aquecimentos de circuitos internos, em preto-e -branco, as câmaras como sempre, fixam o trânsito que, como todas as manhãs, se desloca como um animal único, uma centopeia de sub-urbanos, com mil rodas fazendo as vezes de mil patas, entupindo carreiros de asfalto, os pontos de reportagem são os de sempre, a SEGUNDA CIRCULAR, a PIMENTEIRA, o NÓ DE FRANCOS, o MERCADO ABASTECEDOR, a PONTE DE ARRÁBIDA, o ESTÁDIO NACIONAL, esses lugares de ninguém a quem as rádios e estações televisivas inventaram um nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No aparelho antigo, já aquecido a preceito (até que enfim que alguma coisa aquece nesta história) os sítios a que as rádios e estações televisivas deram um nome aparecem incongruentemente nomeados em caracteres de leste, como os desenhos animados do apresentador fininho, o Vasco não-sei-quê, cirílicos, é assim que se chamavam os caracteres, e não estranho os espantosos caracteres eslavos na televisão portuguesa, e bem assim faço por não estranhar como foi o televisor aquecer internamente com este frio de deitar abaixo o mais resistente dos lobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irrito-me com a interminável centopeia sub-urbana e desligo a televisão, puxando-lhe o fio da meada, perdão, da tomada, agora calas-te, emissão télévisiva, que eu assim ordeno, num gesto fátuo de indivíduo que me dá a ilusão de povo soberano .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendo o transístor que me norteará o duche, impedindo que o torpor da água escaldante me adormeça com as notícias requentadas da véspera, mas hoje não sai água quente, os canos gritam mal rodo a torneira, queixam-se, a água congelou com este frio maldito e rasgará as veias da máquina hidráulica se persistir com as minhas intenções salúbricas, que se lixe a higiene, e então resigno-me a fechar a torneira e, de qualquer modo, a rádio não debita notícia alguma, fresca ou reciclada, limita-se a debitar reclames, IT´S A SONE, O REI DOS MEIPULES, O FRANGO É NA GUIA, EU SOU DONO DE UM BANCO, E VOCÊ?, O SÍTIO DOS BONS AMIGOS, HÁ JEQUEPOTE, CRIANDO EXCÊNTRICOS TODAS AS SEMANAS, COM UMA GESTÃO UNIFICADA DOS SEUS MEIOS DE COMUNICAÇÃO O SEU NEGÓCIO AVANÇA, AQUELA MÁQUINA, MEÁRI, COM CAPOTA, SEM CAPOTA, ELE É JIPE É CAMIÃO, O BRILHO CONTÍNUO, VENHA VIVER AS NOITES LONGAS DO CASINO, TIRE FÉRIAS CÁ DENTRO, ESCRITA FINA, ESCRITA LARGA, BIC, BIC, BIC, aproveito a curta pausa musical no programa de publicidade antes que este me dê cabo do tímpano, A PUBLICIDADE SEGUIRÁ DENTRO DE BREVES MOMENTOS, FIQUE COM A SUA RÁDIO, arranco o transístor da tomada, deixo o fio à meada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largo decidido o apartamento, entro no elevador, parece-me que entro, até dou por isso porque no elevador o meu nome está afixado como devedor reiterado no papel A4 dirigido aos demais condóminos que ANUNCIA - apre!, nuvens colossais e anúncios ensurdecedores! - anuncia o edital de trazer por casa que NA AUSÊNCIA DE QUÓRUM, A SESSÃO PROSSEGUIRÁ EM SEGUNDA CONVOCATÓRIA NA NOITE DE HOJE PARA DISCUTIR OS TEMAS CONSTANTES DA CONVOCATÓRIA QUE FOI ENDEREÇADA NO DIA TANTOS DE TAL, abro a custo a caixa de correio, sei-o porque o gatilho da fechadura estava entupido com dezenas de anúncios iguais em papelinhos cortados a xizato de empregadas com experiência, PASSAM A FERRO OU ENGOMAM, COZEM E COSEM, E TIRAM O PÓ E FICA TUDO A BRILHAR, DÃO REFERÊNCIAS (bem precisava de referências), e o movimento de torção necessário para que a fechadura entupida com tanto papelinho acabe por ceder fez-me torcer o pulso e noto uma ínfima e breve dor num pequeno músculo do pulso de que não sei o nome, porque provavelmente as rádios e estações televisivas ainda não se deram ao trabalho de nomear, mas com essa ínfima dor volto, por sensoriais motivos que duram infimamente, a dar conta de mim mesmo e a tentar deixar-me de merdas e a fazer-me à vida e no meio deste pesadelo de torpor, pôr-me nos eixos, ordenando-me: “faz-te à vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cont.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4582872284886578969?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/4582872284886578969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=4582872284886578969&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4582872284886578969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4582872284886578969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/09/coisas-do-bloco-notas-aquele-sempre.html' title='Coisas do bloco notas (aquele sempre deixado ao lado da cama)'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4036434116870536495</id><published>2008-09-11T19:20:00.002+01:00</published><updated>2008-09-12T10:57:05.086+01:00</updated><title type='text'>Prenda de um alquimista</title><content type='html'>Para o amor, essa quimera que engana a inteligência raptando-nos para a adolescência, batam-se quilos de inocência com uma pitada de demência, leve-se ao forno da paciência em lume forte de tolerância, depure-se das excrescências da ganância e da desconfiança, mexa-se o produto com a varinha mágica do sorriso, e sirva-se com total imprudência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4036434116870536495?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4036434116870536495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4036434116870536495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/09/prenda-de-um-alquimista.html' title='Prenda de um alquimista'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-420132320479273600</id><published>2008-09-10T18:55:00.002+01:00</published><updated>2008-09-10T19:02:41.983+01:00</updated><title type='text'>Coisas do bloco de notas</title><content type='html'>Desperto a custo, deitado na velha cama de um só corpo, sem percepção inteira da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora o arrepio que me percorre a nuca, hesitaria em categorizar o meu estado como: “em vigília”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto-me e não há chinelos que me acudam, estarão a hibernar no velho armário de pinho rasca, escondendo-se do verão no escuro, em diálogo surdo com os radiadores a óleo, os cobertores de lã puída, os anoraques herdados do adolescente que já fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximo-me da janela, deixada aberta de véspera para alívio do bafo estival. O ar concreto que invade o quarto violenta-me. Dou-me conta de que tenho ossos. Doem-me com este frio espantoso, especialmente o maldito tornozelo direito nunca refeito da rotura de ligamentos cruzados, mas nem é por isso que os meus passos são tão medidos, cautelosos como se passeasse num bazar do Martim Moniz atafulhado por brique a braques inúteis e senhoras pechincheiras que se atropelam mutuamente, os objectos e as sujeitas, quero dizer. Antes de ser corpo, sou instinto e o que me afrouxa a marcha não é o maldito tornozelo. É o medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um medo irracional, e não o são todos? Não bastava este gelo dos diabos a meio de Agosto, acompanha-o um breu que me põe em cautelas de gato à rasca. Quando finalmente me chego ao beiral da janela, o que observo não faz sentido: um manto de chumbo paira parecendo medir as coisas todas, colossal. Como ele, fico na expectativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que aquela prodigiosa massa cinzenta de que é hoje feito o céu decide-se e apropria-se da realidade, soberba, desce à terra, imparável, como se fosse uma metáfora da vontade dos deuses, abafa todas as cores por entre a malha negra de que, incrivelmente, é tecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coro colectivo da passarada das traseiras, que ainda ontem cantava, chilreava e gralhava, dando um ténue sinal de vida a este bairro dos arrabaldes, emudeceu. Devem ter emigrado, asas para que vos quero, sem tempo para fazer malas, lá para as áfricas amenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Troa um silêncio de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho o silêncio com a janela e recolho-me no conforto do apartamento, mas também aqui paira uma tranquilidade excessiva, ameaçadora, que a vibração do ultrapassado frigorífico não chega a  amenizar (há quantos anos não dava ouvidos ao frigorífico, o tipo parecia o pedinte da esquina da Casal Ribeiro, alertando transeuntes que o não ouvem para o fim do mundo que aí vem, mais cedo do que pensam, os transeuntes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desperto, assim, em pleno Verão, num insólito Inverno que desceu sobre a cidade, um Inverno tão fora de lugar que apenas contido nas fronteiras da ficção o catalogo como: "verosímil".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(cont.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-420132320479273600?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/420132320479273600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=420132320479273600&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/420132320479273600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/420132320479273600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/09/coisas-do-bloco-de-notas.html' title='Coisas do bloco de notas'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4772501174525441101</id><published>2008-09-05T18:18:00.002+01:00</published><updated>2008-09-05T18:25:24.740+01:00</updated><title type='text'>Retalhos da vida de um consultor</title><content type='html'>Estou tão estafado disto, que qualquer dia passo de Novo-Rico para Novo-Pobre. Bonita ambição: encho o peito de ar, alardeio o meu nível cultural acima da média, desdenho a corja que me rodeia, borrifo-me para a Corporação e vou à minha vidinha: orgulhoso e sem dinheiro para mandar cantar um cego. Ele havia uma starlette qualquer de Hollywood (cujo nome não me recordo, mas, lá está, é uma temática que não me merece muito importância) que rezava assim: "Se queres saber o que Deus pensa de quem tem dinheiro, basta observar a quem o entregou."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4772501174525441101?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/4772501174525441101/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=4772501174525441101&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4772501174525441101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4772501174525441101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/09/retalhos-da-vida-de-um-consultor.html' title='Retalhos da vida de um consultor'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-28993058150848779</id><published>2008-08-27T16:58:00.001+01:00</published><updated>2008-08-27T16:58:56.852+01:00</updated><title type='text'>In formação</title><content type='html'>Sabia que?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-28993058150848779?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/28993058150848779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=28993058150848779&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/28993058150848779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/28993058150848779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/08/in-formao.html' title='In formação'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6721116157135456316</id><published>2008-07-31T17:48:00.003+01:00</published><updated>2008-12-12T01:01:06.376Z</updated><title type='text'>Retalhos da vida de um consultor</title><content type='html'>&lt;div&gt;Ao almoço, os colegas demonstram o seu fino gosto literário: apreciam deveras Miguel Sousa Tavares, John Grisham, Margarida Rebelo Pinto e José Rodrigues dos Santos. Faltou o Dan Brown para completar o ramalhete, decerto porque a esotérica cá do escritório está de férias, relendo aquela coisa que elege o walt disney como o da vinci dos tempos modernos. Depois de um arrotinho de bebé proferido ao de leve, que a ninguém perturba, coitadinho, pois se ele sempre pede com licença, o sujeito tão simpático, tão enorme, tão suadinho, tão rosado, tão esburacadinho, questiona os demais sobre as deslocações cinematográficas dos outros tantos, ao que o então-que-tal, tudo-bem?, tudo-bem, que acaba de entrar com um simpático então-que-tal, tudo-bem?, tudo bem, retorque na que desde que se lhe nasceu o rebento, nunca mais foi ao cinema, a não ser, é claro, para assistir babado na companhia do seu sucessor aos grandes êxitos da dreamworks e estúdios disney, ao que a rapariga que faz tão bem as contas, tudo bem apontadinho, as tardes de sexta-feira a contabilizar os recibos de despesas que isto de trabalhar para aquecer é que não, informa que não vai de férias para a praia que o sol lhe dá comichões, fica cheia de borbulhas a pobre, em especial aqui no peito e no tronco, aqui no tronco, diz, explicando gestualmente, muito embora as mãos apontem o antebraço, outro comenta o jantar de empresa no faz-figura, que como o nome indica deu a impressão de só fazer figura, diz, aquilo era tudo "nova cuisine", era só apresentação, mas pouca substância, vá lá que o chefe é que pagou o balúrdio, para o ano há-de ser no fuso na arruda dos vinhos que aquilo é que é comer, posta de bacalhau do alto e costeleta de novilho, nem cabe no prato, e o chefe que manda cobrar ao cliente, e o cliente que não paga, e as reuniões de balanço, e os objectivos para o ano, o time bilding e coiso e tal, e se já vimos o porche novo do chefe, e eu comprei agora um plasma, que é para ver o indiana jones que baixei ontem da nete, e o então-que-tal saca da pastilha e masca-a com prazer, degustando cada reviravolta da shuingue game, que eu bem sei porque bem oiço, cada chupadela é de alto gabarito, e até parece que, sim, até parece que o então-que-tal, tudo-bem?, tudo-bem está regressando à infância, o pobrezinho, tal é o prazer com que ele revolve a borracha lá nas suas profundidades odontológicas, tanto que agora, ó supremo gozo, oiço com alarido o balãozinho a rebentar, trás!, ele há tanto tempo que eu não ouvia a pastilha a elasticar, a elasticar, até rebentar, e agora aspira os rebordos da dita de volta para onde a rebelde nunca devia ter saído, de volta para a sua boquinha, oiço tudo isto, e de volta à toca lá recomeça o ciclo, que nada se perde e o barulho pueril do então que tal perturba-me, confesso, não suporto, não aguento e para esta maçada toda só me parece haver uma saída:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229234675265504898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SJH5O0JbBoI/AAAAAAAAATU/c3V_l5XMLAY/s400/demoli%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6721116157135456316?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6721116157135456316/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6721116157135456316&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6721116157135456316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6721116157135456316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/07/ao-almoo-os-colegas-demonstram-o-seu.html' title='Retalhos da vida de um consultor'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SJH5O0JbBoI/AAAAAAAAATU/c3V_l5XMLAY/s72-c/demoli%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-8874229398475490698</id><published>2008-07-23T14:59:00.002+01:00</published><updated>2008-12-12T01:01:06.552Z</updated><title type='text'>Conto do tempo que passa (o dramático epílogo)</title><content type='html'>&lt;div&gt;O patrão não compreendeu:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Mas ó Silva, sente-se bem, ó Silva? Agora que está sem salário? Não está satisfeito? Falta pouco para que tenha de pagar para pertencer ao quadro. Desprezar décadas de esforço dedicado? Não está satisfeito? Ó Silva, pense lá? Reconsidere! O que me diz?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A emoção e o cansaço acumulados impediram qualquer resposta.O Silva afastou-se, sem ruído, como folhas voando ao vento. O peito sucumbiu ao peso dos anos. A tez perdeu qualquer cor. Os membros recolheram. A estatura aplanou de vez. O corpo despiu-se da humanidade, tornou-se físico, concreto, diminuto, quadrado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Silva, ou o que restava dele, não quis pensar em mais nada. Num último estertor do homem que tinha sido, fez por não sonhar com uma sonolenta viagem da Rodoviária e com o Pinta-Pombos, o Espanta-Lobos, o Fuça-de-Porco e, mesmo até, o Navalha-Afiada. Que estariam à sua espera, bebendo a mine, como quem não quer a coisa, à beira do apeadeiro de aldeia celeste, a caminho de sabe-se-lá-onde, onde o raspanete mimoso de uma Mimosa os esperasse esperançosa. E uns pais o mimariam ainda mais, pais que, com o tempo, pareciam avós, aliás, bisavós, aliás trisavós, aliás, a origem de todas as coisas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Silva, aliás, o Silva, aliás, o Zé Manel, aliás, o-não-sei-o-quê, desistiu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A transformação, com o tempo, completou-se. O chefe pegou no livro mercantil, folheou-o distraidamente e colocou-o (ao Silva, aliás, ao livro) na prateleira. E para ali ficou, para sempre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226209468852938258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SIc50oDDJhI/AAAAAAAAATM/KeC9QOAVpZY/s400/angel.bmp" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-8874229398475490698?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/8874229398475490698/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=8874229398475490698&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8874229398475490698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8874229398475490698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/07/conto-do-tempo-que-passa-o-dramtico.html' title='Conto do tempo que passa (o dramático epílogo)'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SIc50oDDJhI/AAAAAAAAATM/KeC9QOAVpZY/s72-c/angel.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-1283254440258589690</id><published>2008-07-22T11:00:00.002+01:00</published><updated>2008-12-12T01:01:06.804Z</updated><title type='text'>Conto do tempo que passa (II)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SIWxACFZalI/AAAAAAAAATE/sWhgIm1IizY/s1600-h/alentejo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225777556750953042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SIWxACFZalI/AAAAAAAAATE/sWhgIm1IizY/s400/alentejo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A estratégia resultou e logo o Silva foi engajado. Entrou alentejano, saiu escriturário. Num ápice. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um ápice lisboeta. Foi um instante que nem deu para saborear, e então foi ao café da esquina, a “Flor de Santarém”, beber uma lambreta ao balcão de fórmica e tagarelar sobre nada com o escalabitano emigrado na urbe, que um tipo que entende tanto de touros também há-de entender um alentejano. Ergueram brindes à vida, à saúde e ao futuro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, o Dr. Silva, aliás “o Silva”, para o patrão, entrou ao serviço. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Com uma perseverança cautelosa e rude, foi dando de si para além do que podia e foi bebendo do que os colegas do lado lhe iam ensinando, mais do que se apercebiam. E não, obrigado, ia todos os dias inventando desculpas que não podia almoçar, que a sua firma (pois que a firma amiga do patrão amiga sua era) tinha de encerrar o ano e mais tarde havia tempo para a almoçarada, que havia um balancete para fechar, que o livrete estava caducado, que o imobilizado não tinha sido abatido com a dignidade que um inválido merece. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O tempo passava, e o tempo parecia correr de feição. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ao fim de um ano, o patrão chamou-o ao santuário. Ao gabinete do patrão, nem mais nem anteontem. E que era para já, se não fosse incómodo para o Dr. Silva, aliás, “Ó Silva”, “ó Silva, desculpe lá se interrompo, mas tem de vir já o meu gabinete, que é tempo de avaliações.” De súbito, de sopetão. Acelerando de improviso, o tempo, esse manhoso, não o estaria enganando, apanhando-o ao pé da curva? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se modestamente bovino a convite do patrão, o Dr. Silva, aliás o Silva, o Zé Manel, o aliás que o amigo leitor prefira, fica ao seu bom critério. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Que tinha sido um ano proficiente, o do Silva, que tinha sido um ano muito jeitoso, o do Silva, que se tinha esforçado como uma mula, o Silva, e que o patrão, que tinha muitos anos daquela lida, sabia reconhecer quem o merecia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Que tal, ó Silva, uma diminuição no salário, insignificante, que o Silva sabe bem como estes são os tempos da amargura, que estes são uns tempos lixados? Digamos, uma diminuição de uns razoáveis dez por cento, olhe que, ó Silva, olhe que os outros, não têm direito a isto, eu cá, por consideração a um funcionário tão promissor, consigo oferecer uma diminuição de dez por cento, a culpa não é sua, Ó Silva, se não consigo oferecer mais. É o que se pode nestes tempos, que Diabo? Satisfeito, Ó Silva? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Cortou cerce a palavra (e a palavra cortou cerce o embaraço do patrão) o Zé Manel, aliás o Dr. Silva, dizendo que bem sabia a qual a conjuntura deste tempo. E que uma diminuição dessas era para ele um alento, um reconhecimento de uma aposta no futuro que o patrão estava disposto a enfrentar contra todas as marés. Tempo melhor viria, estava ele certo, o Zé Manel, ou melhor, o Silva, sabendo que não podia estar mais de acordo, o patrão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mais um ano passou, com esforço, dedicação, devoção e perseverando para a glória, o Dr. Silva. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os cabelos pretos tinham ganho uns irmãos grisalhos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Chegou o timing da avaliação para o Silva, e o patrão chamou o Silva ao seu santuário.&lt;br /&gt;O Dr. Silva era um rapazote sonhador, ainda. Aquele era o seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados com uma benesse daquelas. Era merecido, não dera uma baixa, não chegara um minuto atrasado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ao quesito “Satisfeito, Silva?”, respondeu sorrindo, em jeito de reconhecimento da tímida oferta do chefe: mais uma mísera diminuição de dez por cento no salário. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Orgulhoso do seu esforço, Zé Manel, de seu cognome “o Silva” olhou quase com vaidade para aqueles dois anos e foi sem esforço que se livrou da casinha modesta no centro da cidade, perto do escritório, e alugou uma casita ainda mais modesta nos arrabaldes. Assim não contribuiria para a especulação imobiliária, e deixaria livre o espaço para quem nele tinha nascido, contribuindo para a fixação da população. Elevados motivos patrióticos que Zé Manel sabia que, bem explicadinhos, encheriam de orgulho a família lá na terra. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O tempo, pois, claro que ia passando, um amigo que o velava, pensava o Zé Manel entre os seus botões, na sua casa tão longínqua de tudo que nem escalabitanos que percebessem de touros havia com quem conversar. Um amigo silencioso, mas amigos, palavras para quê? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Todos os anos, vinha outro incentivo. Era a paga de tanto zelo, tantas horas mergulhado em balancetes e livros de contabilidade, diários, razões, copiadores. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E os cabelos pretos a ganharem cada vez mais compadres grisalhos. A cara chupada mirrava a olhos vistos. Fora um rapaz teso, o Zé Manel, mas, sob o peso da responsabilidade e dos cuidados na escrituração, a cada ano que passava mais débil ficava. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ao ano n, o chefe chamou-o ao íntimo reduto do seu gabinete profissional e comunicou o enésimo corte salarial. Desta vez, a empresa atravessava um período de forma excepcional. Tinham conseguido resistir aos desafios da globalização, apostando na eficiência ao invés dos altos salários, e assim se conseguiram defender, na era da globalização, dos felinos emergentes do novo Novo Mundo. Pelo menos foi o que o Zé Manel entendeu do complexo intróito do discurso do patrão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em suma, a redução salarial foi um pouco maior: quinze por cento. Satisfeito, ó Silva?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais sorrisos, mais solilóquios. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E mais uma mudança de casa, cada vez mais acanhada e mais apartada do escritório. Agora “o Silva” acordava de madrugada. Comia cada vez menos, o que contribuía para a sua linha e, consequentemente, para uma menor obesidade do povo português. Um Índice de Massa Corporal à prova de qualquer estatística de Bruxelas. A sua tez foi passando de um rosado curado pelo sol da vindima da aldeia de Serpa para um cinzento, digno das brumas de Sintra. Mas o seu Quociente de Felicidade Interior Aparente ia aumentando exponencialmente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mais anos passaram, sempre amigos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mais irmãos grisalhos. O seu raciocínio limitava-se à lógica matemática. Sonhava com livros de inventários, cadernos de balanços, resmas de actas, folhas soltas de escrituração. Acredite ou não o amigo leitor, dava até impressão que o próprio corpo se transformava. A tez perdia cor, era um homem a preto e branco. Emagrecia cada vez mais, estava fininho como as folhas dos seus livros. As suas formas, creia o leitor, perdiam as curvas, ganhavam arestas cortantes. Geométricas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Num desses anos, um que correu em contra-ciclo, explicando-lhe o patrão que é assim mesmo que se gere a coisa, em contra-ciclo, isto é, aumentar o benefício quando a coisa corre mal, e diminui-lo quando a coisa corre bem, o Silva, nesse ano de glória da firma, não lhe viu diminuído o salário, apenas cortado o benefício da segurança social. O Dr. Silva, pensou, de si para os seus botões, que assim diminuiria a carga das gerações futuras, isto é, em lhe calhando alguma Maria que quisesse desposar aquele esforçado e cada vez mais pálido e desfeito Dr. Silva, sempre deixaria uma reformazita aos seus pequenos Zé Marias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;No entanto, nos anos seguintes, nada aconteceu. Não foi diminuído. Não foi aumentado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O Zé Manel, o Silva, o ex-Dr.-Silva sofria de terríveis insónias, preocupado. Bem se esforçava para não lhes dar importância, mas até os colegas começavam a não lhe perdoar as faltas de comparências nas almoçaradas semi-sindicais. Dedicava-se incessantemente aos livros comerciais, respirava a tinta permanente, impregnava-se de números, inscrevia linhas, bebia arquivos &amp;amp; documentos. E nada acontecia, de ano para ano. Não suportava a indiferença. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Quando percebeu o que acontecera, pediu desculpas ao tempo. Envergonhou-se por ter desconfiado do seu amigo. Esse seu amigo, que se encarregou de ir tornando o seu corpo mais etéreo, o seu nariz mais adunco, a sua vista mais cansada, o seu odor menos corporal, as suas articulações mais estafadas, esse mesmo amigo lhe proporcionou, passado tantos anos, a surpresa. Respirou descompassado, num assobio que os pulmões contraídos faziam silvar, como um fole acobreado atiça um fogo antigo, antes de se apagar de vez. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Eis então que, já cinquentão, ouviu do seu patrão (e os seus “misteres” também, numa aldeia de casas caiadas situada algures no firmamento longínquo):&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Ó Silva, a nossa companhia tem uma dívida de gratidão para consigo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O Silva, aliás o Dr. Silva, baixou a cabeça quadrada, que pesava cada vez mais aos ombros rectos e ao corpo esguio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Reconhecemos todos os seus préstimos, ao longo de toda esta carreira. O Silva é um profissional à antiga, dedicado, meticuloso, pontual, organizado, leal. Como somos uma empresa que premeia o mérito, é hora de lhe oferecer uma prova substancial do nosso reconhecimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O coração do Silva rebentava de expectativa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Além de uma redução de vinte e um por cento no seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem do conselho de administração (e olhe que foi decisão unânime, ó Silva), diminui-lo de categoria profissional. Satisfeito, ó Silva?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A revelação deslumbrou-o. O corpo, já domado pelos anos, retorcia-se, a custo, é certo, de emoção não oleada. O tempo, afinal, não o tinha traído. O mundo sorria. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;— A partir de agora, o Silva vai passar a ajudante do sistema informático da contabilidade. Afinal, o Silva é o melhor activo humano do activo imobilizado corpóreo. Para que possa assumir convenientemente essa responsabilidade, a partir de agora, o Silva gozará menos três dias de férias. Satisfeito, ó Silva?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais uma vez, mudou-se. Um dia largou mesmo o vício de jantar. Ao almoço, uma simples sanduíche, de preferência de mortandela, como se dizia lá na terra sem nome. Uma mine, a acompanhar, abrindo uma estreita fresta à nostalgia. Sentia-se mais leve, e de facto estava mais magro. A transformação física, com o passar dos anos, adquiria contornos fantásticos. Não se limitava a envelhecer, como qualquer tipo vulgar. As suas carnes (as poucas que teimosamente se agarravam como lapas aos ossos), pareciam dissolver-se. Ano após ano, Zé Manel ficava mais plano e quadrado. Ganhava um leve e curioso odor. Zé Manel, aliás o Dr. Silva, assustou-se quando temeu reconhecer uma fragrância com toques de tinta azul e celulose. Nos raros momentos em que a sua mente o poupava às suas obsessões contabilísticas, Zé Manel, o Silva, não se reconhecia ao espelho, intrigava-se e preocupava-se. O que só o fazia refugiar inclementemente nos segredos da escrituração mercantil. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Com o aumento dos horários flexíveis e o culto da polivalência, chegava a casa às onze da noite e levantava-se às três da madrugada. Com transportes urbanos e passes sociais incongruentes pelo meio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A vida foi passando, com novos incentivos e prémios. “Satisfeito, ó Silva?”Aos sessenta e cinco anos, o ordenado equivalia a dez por cento do inicial. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Nada mal, o que o tempo, esse parceiro, havia moldado. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma batata suculenta do quintal dos vizinhos, daquelas que resistiam teimosas à urbe, numa atitude em que ele próprio si reconhecia, elas tinham, como ele, uma fibra de campónio firme, eram leguminosas catarinas-de-eufémia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O corpo era um monte de rugas flácidas e tristes. O peso acumulado da responsabilidade foi alisando a postura. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ancilosado, anguloso, fino, frágil, Silva foi chamado pela enésima vez, tantas quanto o amigo mais cúmplice havia permitido. Estafado, “o Silva” balbuciou qualquer coisa que, no melhor dos cenários, só ele conseguiu entender e cumprimentou, em modo de piloto automático, o presidente do conselho de administração. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O tempo, esse, ia passando por ele e cumprimentava-o, pois eram amigos de longa data. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em jeito de balanço, para o Dr. Silva, o-aliás-Silva, o-aliás-Zé-Manel, o trabalho já estava terminado, o tempo tinha passado. Mais do que isso, seria armar aos cágados. Seria brincar de Deus. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E o dia, num capricho do tempo, chegou: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;— Sente-se, Ó Silva. É preciso que se sente, ó Silva. Ó Silva, parabéns!!!!! Adeus salário, ele foi eliminado. A partir de agora, tudo o que fizer será “Responsabilidade Social”. Silva, a reputação da nossa companhia está nas suas mãos. Satisfeito, ó Silva?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lasso, frágil, comprimiu e estendeu-se mais do que as leis da física permitiriam fora do fantástico mundo da narrativa. Perdoe o amigo leitor a inverosimilhança, mas era mesmo isso que aparentava. Sentia-se extenuado. Por fim, atingira todos os objectivos delineados. Tentou sorrir:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Agradeço tudo o que a firma fez por mim. Mas quero passar à reforma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;(a saga continua)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-1283254440258589690?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/1283254440258589690/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=1283254440258589690&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1283254440258589690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1283254440258589690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/07/conto-do-tempo-que-passa-ii.html' title='Conto do tempo que passa (II)'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SIWxACFZalI/AAAAAAAAATE/sWhgIm1IizY/s72-c/alentejo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-667839149735758186</id><published>2008-07-18T12:49:00.001+01:00</published><updated>2008-12-12T01:01:07.025Z</updated><title type='text'>Conto do tempo que passa</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SICDeumeePI/AAAAAAAAAS8/A0LGjJ6G-Hc/s1600-h/charlie_chaplin02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224320131678501106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SICDeumeePI/AAAAAAAAAS8/A0LGjJ6G-Hc/s400/charlie_chaplin02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sequer no dia da formatura, José Manuel Silva, aliás, Dr. Silva, entrou em euforias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Por muito que insistissem os colegas do curso, resistiu aos convites para a jantarada de comemoração. Recusava quase sempre a estroinice académica, quando muito alinhava nos fins de tarde de cavaqueira alimentados a caracóis e a imperial, que quase o transportavam ao convívio na loja da aldeia. Não sendo boémio, nem por isso era desprezado, como seria de temer de um rato de biblioteca como ele. A bonomia alentejana, o seu físico frágil e cara de menino atraíam as raparigas, como se de um irmão mais novo se tratasse. As anedotas que contava com aquele sotaque arrastado e os relatos das pilhagens das galinhas lá na vilória da sua meninice divertiam os rapazes. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não exultou na formatura, portanto, o Dr. Silva. Já os colegas, aliás os doutores, estavam ébrios de alívio e queriam vingar-se da maçada contínua que os anos de empinanço dos calhamaços de contabilidade geral tinham provocado na sua rotina pseudo-boémia. Anos e anos de borgas intercalados, quando não havia mesmo outro remédio, por curtos períodos de um profundo enfado, a empinar calhamaços e a enganar professores, que, as mais das vezes, fingiam não ver as cábulas que davam a volta à sala do exame. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, o dia decisivo, a expectativa era imensa. O silêncio que reinava nessa informal reunião geral de estudantes era interrompido por bramidos alarves de exaltação, à medida que a funcionária da secretaria pendurava nos velhos placares à entrada da faculdade, com exasperante lentidão burocrática, as compridas pautas finais. O grupo dos Abelardos até às Dianas urrou primeiro, seguiu-se o grupo dos Duartes até aos Fernandos, e por aí adiante, até que, chegada a vez da Zulmira, a algazarra era geral (embora a Zulmira não contribuísse para a dita, resignada a novo chumbo a Matemática I, que arrastava na asa como um peso pesado, desde que para ali entrara, há tantos anos que lhe tinha perdido a conta, o que não era de admirar, tendo em conta como se perdia nas outras contas). Uma vez sabido quem penaria pelo menos mais um anito no purgatório da faculdade e quem se livraria daquela tralha para sempre, a euforia começou (juntando-se paulatinamente os primeiros aos segundos, que haveria tempo para melancolias e arrependimentos, agora era hora de comemorar).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe quem começou, mas deram por si, nas traseiras da faculdade, cobertas de erva bravia, participando num pequeno auto-de-fé. Numa pira pífia, queimavam com orgulho de cábula os espessos tratados de teoria do equilíbrio financeiro ou de direito comercial que penosamente tinham deglutido nos cinco anos antecedentes (ou, nalguns casos, menos raros do que a sociedade supostamente seria obrigada a tolerar, muitos mais do que cinco, impostos por tertúlias várias e estudos prolongados de complexas cerimónias de tunas e praxes académicas).&lt;br /&gt;A turba queria era equilibrar-se no trapézio até ao fim do percurso, exercer o difícil ofício de conjugar a aprendizagem mínima do deve e haver dos balancetes com as noitadas na 24 a fazer olhinhos às mulheres dos futebolistas em estágio. Reinventar as propriedades farmacológicas do comprimido mágico de modo a que a pílula fizesse o milagre da multiplicação: responderia, por eles, a pílula, o mais depressa possível ao questionário sobre o equilíbrio entre o capital próprio e o passivo bancário, permitiria, a pílula milagrosa, suportar o batuque electrónico do Kremlin até o sol raiar. O dever, isso era por ora um compromisso a longo prazo: era assunto que deveriam lidar com a seriedade devida quando, inevitavelmente, atingissem a provecta, mas se Deus quisesse sempre longínqua, idade dos trinta anos. Quando acasalassem, tivessem o filho da praxe e assentassem na vida.  Até lá, conviria passar pela faculdade com o mínimo dano possível. O que importava era o canudo que, aliás, nunca resgatariam das profundezas da Torre do Tombo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Já Silva, aliás, Dr. Silva, no dia da formatura, sonhava intimamente com o momento em que o resgatasse, o canudo, das profundezas da Torre do Tombo. Para o levar consigo numa viagem, carinhosa e cautelosamente apertado debaixo do braço até ao apeadeiro da aldeia à beira de Serpa, a sua terra natal, onde a vida vai passando, a passo. Sobressaltada e ultrapassada, de quando em vez, a galope, pelas notícias dos vizinhos. É que, no Alentejo, as notícias dos vizinhos correm, muito mais depressa do que a vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ele sabia, pensou de si para si mesmo no sonolento trajecto da Rodoviária, já com o rolo bem agarrado, que o Pinta-Pombos (que traste de moço, pihava os pombos dos vizinhos e pintava-os, marcando-os como seus), o Espanta-Lobisomens (esse era mesmo marado, passeava à noite o cemitério brandindo o estilete de pau), o Fuça-de-Porco (que teve o azar de nascer com a mesma cara da focinheira que se comia aos domingos na loja da Mimosa) e, talvez mesmo até, o Navalha-Afiada (esse era mais metido consigo mesmo, nunca olhava o semelhante nos olhos, passava os dia entretido aguçando a sua ponta-e-mola na afiadeira que ainda hoje o amolador estava para saber como lhe tinha sumido), que eles todos estivessem a beber a mine, como quem não quer a coisa, à beira do apeadeiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O Zé Manel, aliás o Dr. Silva (não vá o leitor ser ludibriado na caracterização do personagem principal pelo seu afinco nos estudos), também era rapaz de as beber, as mines da loja da Mimosa, esse minúsculo bazar, poiso de pequenos e graúdos para observar a vida passar a passo, por entre os raspanetes mimosos da dita cuja, também era rapaz de beber o seu copo com os amigos, só que era só nas férias de Verão, que é quando o bom filho da terra a casa tornava  e arranjava vagar entre os tratados e livros oficiais de comércio. Os amigos da primária, pensava o Dr. Silva, aliás o Zé Manel, enquanto a camioneta rodava lânguida nas planícies douradas de sobreiro e azinho, lá se estariam entretendo com a garrafita a gelar as mãos, no apeadeiro da aldeia ao pé de Serpa (que, se tinha um nome, era segredo revelado em pequenino a quem nela tinha nascido e muito a custo partilhado com forasteiros). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mas o Dr. Silva, aliás o Zé Manel, pensando para os seus botões enquanto a rodoviária planava sobre os pastos ressequidos e o cheiro a pó queimado teimava em intrometer-se pelo ar condicionado (que ia funcionando como a camioneta, muito a custo), passaria a toda a brida por entre os braços abertos dos amigos que o quereriam agarrar, num colectivo abraço orgulhoso e, como uma revienga original do avançado promissor que marca o seu primeiro golo pelos seniores do seu Benfica, escaparia aos colegas e abraçaria em lágrimas, e só a eles, os seus dois treinadores, os seus misteres, aqueles que tiveram olho para a sua carreira, aqueles que sempre acreditaram que o rapaz ia longe, para muito longe dali, para um lugar onde o tempo corresse mais depressa. Escapando às garras dos amigos, abraçaria, antes de todos, os seus pais.&lt;br /&gt;Que diriam, na simplicidade da gente do campo, entre lágrimas contidas, “filho, estamos orgulhosos de ti. És um doutor, home. Agora cuida-te, que aquilo lá na capital é uma selva”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E assim foi, sem tirar nem pôr.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Zé Manel, aliás o Dr. Silva, não precisou de se equilibrar no trapézio, queimou pestanas em vez de calhamaços contabilísticos em piras pífias, não alinhou em tertúlias colectivas, fintou os seus amigos de infância de braços abertos no campo do apeadeiro e foi a correr abraçar os seus misteres à casa chã pintada de cal, onde tinha vindo ao mundo, numa celebração do golo decisivo marcado pelo puto na estreia, em casa, num estádio a rebentar pelas costuras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Até aí, tudo nos conformes. Tudo de acordo com o plano que tinha delineado. Tudo no tempo certo. O tempo corria, com vagar mas com acerto, como uma boa moda alentejana. O tempo era seu compadre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Avisado de que Lisboa era uma selva, fez-se de novo à vida na capital, Zé Manel, aliás o Dr. Silva, apresentando-se à entrevista de emprego orgulhoso por dentro, mas bem modesto por fora. Como os melões da terra sem nome à beira de Serpa, bem feiinhos por fora, mas saborosos e suculentos por dentro, assim ia disfarçado, aperaltado e engravatado como um alfacinha de gema, o novo Dr. Silva, pronto a convencer a promessa de patrão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Continua)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-667839149735758186?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/667839149735758186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=667839149735758186&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/667839149735758186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/667839149735758186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/07/conto-do-tempo-que-passa.html' title='Conto do tempo que passa'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SICDeumeePI/AAAAAAAAAS8/A0LGjJ6G-Hc/s72-c/charlie_chaplin02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6823359561575322991</id><published>2008-06-26T18:59:00.004+01:00</published><updated>2008-12-12T01:01:07.302Z</updated><title type='text'>Our NYC</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SGQPux0o9eI/AAAAAAAAAS0/3VeGxY39gJ0/s1600-h/EUA+060.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216311564724401634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SGQPux0o9eI/AAAAAAAAAS0/3VeGxY39gJ0/s400/EUA+060.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por três noites, fomos habitantes de Brooklin. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era um quarto de um hotel de categoria quanto-baste. Como tantos outros hotéis dessa categoria. Bem posto. Bem composto. Mas um detalhe. O detalhe da opulência norte-americana. De um luxo prático e pouco elegante. Enfim, pouco europeu. Uma cama confortável, os pés assentes em alcatifa felpuda. Fofa. Luxuosamente fofa. Tão fofa que, por uma vez, qualquer mortal concede ao dedo mais mindinho do pé a relevância sensorial que ele não teria noutro lugar que não a de um hotel de categoria quanto-baste de opulência norte-americana, esfregando-se, o dedo mais mindinho do pé, contra a alcatifa felpuda. Arrepia, quando um qualquer mortal dá importância ao dedo mais mindinho do pé, esfregando-se na alcatifa felpuda do hotel quanto-baste de Brooklin. Faz-nos sentir em casa, o arrepio do dedo mais mindinho, faz-nos sentir como um cidadão de Brooklin, mais do que as ideias-feitas da Babel multi-cultural de Nova Iorque, mais, se quisermos ser mais blasées, do que um connaisseur que prefere a crueza autêntica de Brooklin ao status de um qualquer endereço nas redondezas da quinta avenida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A cama, larga. Tão confortavelmente larga como só um hotel quanto-baste de um qualquer subúrbio norte-americano. Os lençóis responsavelmente entreabertos convidando ao repouso de um executivo temporária ou definitivamente solitário, os lençóis de boca aberta convidando sem pudor os amantes apaixonados que lhes calham em sorte, por obra fortuita do sistema informático a que Anny, a negra das ancas largas, dá vida carregando na tecla do computador da recepção. Pede-nos o passaporte e o endereço do próximo destino e, ao mesmo tempo, serve-nos, com uma familiaridade americana, os biscoitos caseiros ainda agora saídos da fornalha. De amora. Fumegantes. Just baked, folks. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Voltando à cama. As camas dos hotéis americanos quanto-baste são tão convidativas. Lençóis engomados dizendo boas-vindas. Para que corpos, solitários ou emparelhados, se enfiem, respectivamente aliviados ou ansiosos, dentro deles. Uma multidão de gente em fila indiana aguardando enfiar-se dentro deles. Todos se sentindo em casa. A casa em Brooklin. Todas as pessoas com corações retemperados quando se enfiam no lençol de boca larga e aberta, a sorrir convidativo. A ocuparem a vaga da fila indiana, uns atrás dos outros, a vida de uns seguida da vida de outros, na casa em Brooklin. Corpos a ocuparem os espaços deixados por outros corpos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que entretanto partiram sabe-se lá para onde, eles que apenas há umas horas aqueciam aqueles lençóis de boca aberta. Onde sempre queremos voltar, não queremos sempre voltar a casa? Depois do passeio a 42º C por Central Park. Do desafio da empregada estafada do Starbuck’s da vizinhança, que se surpreende porque não queremos trabalhar em Brooklin se respondemos que sim, gostamos de Brooklin e de Nova Iorque. Do jantar no Grano’s na Village, em que o chefe siciliano nos sicilia em espanholês porque não acredita que um português fale italiano. Mexilhões ao vapor temperados com um branco Friulia Veneto. Lá fora, fumando o cigarro proscrito, a tempestade aterradora irrompe sem aviso. Volta-se à mesa e acaba-se o macarrão com tinta de choco e frutos do mar. E agora, depois da tempestade, apetece voltar a casa, para o sorriso provocante dos lençóis. Apetece voltar, no dia seguinte, depois do almoço no grego, no Taverna, em que ouvimos com discrição, o produtor discutindo com o agente os termos do contrato da tournée pelos cinemas de bairro do novo filme daquele realizador-promessa ainda obscuro. E o que seria se o conhecessem na Europa, suspiram eles entre dois copos de Merlot, brindando. Desfeitas as dúvidas do agente sobre os direitos que possuiria o produtor. Depois do périplo à deriva pelas lojas de autor na Village, bordadas a autocolantes de apoio a Obama. Do minúsculo cemitério judaico luso-hispânico. Dos frapuccinos. Dos mendigos bem-falantes. Do jazz em Central Park. Do nosso cantinho secreto no Battery Park. Das corridas no metro. Das saudações de desconhecidos no metro. Da perseguição aos patuscos school bus, amarelos como os city cabs. Das caminhadas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sobretudo depois disto tudo, sabe bem regressar a casa. À nossa casa de Brooklin. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas ao quarto dia, partimos, deixando as nossas vidas para trás, cedendo o lugar ao próximo sujeito da fila indiana. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Partimos à hora marcada na Fung Wah Bus, carreira de Chinatown a Chinatown, a de Nova Iorque e a de Boston. Só para conhecedores. Chineses e estudantes, nem um turista. Não há nada que um tuga que se preze mais aprecie do que uma boa pechincha. E esta carreira de chinês sai-nos por um quarto das regulares. Entramos, de sorriso rasgado pelo negócio da China e damo-nos por espertos: o autocarro chinês é um casulo igual a outros tantos. Damos as boas tardes ao motorista de olhos muito horizontais, que nos responde solidente com um good aftelnoon fol you too. O autocarro pejado de saquinhos-para-vómito com instruções em ideogramas mandarins. Um odor indistinto e quase neutro, a meio caminho entre o aceitável e o repugnante. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A cabeça estala, em protesto. Abandonámos para trás o corpo moldado à cidade. E a cabeça grita. Deixámos para trás a cidade que se moldou ao nosso corpo.  Deixámos para trás o território desbravado, que se torna incompreensivelmente familiar. Uma metamorfose progressiva de uma geografia desconhecida numa geografia íntima. De súbito, traímo-la, sem razão, a nossa geografia íntima. E a cabeça, naturalmente, estala em protesto. E partimos, a silhueta altiva da cidade que arranha os céus a acompanhar-nos, não nos abandonando por quilómetros intermináveis, acusadora, impositiva. Até que desiste, desaparece de vista, põe-se a milhas. Sem transição, entramos no território impoluto e ideal das florestas e lagos do Connecticut, das suas casas de madeira e barquinhos de vela em cais toscos e naïves. Tão queridinhas, estas casinhas de estrunfes. Uma pausa idílica que devemos aproveitar para inventar uma nova casa, na Nova Inglaterra. A terra das baleias e dos portugueses que as perseguiram. Moby Dick. Enquanto não a caçamos, a cabeça continua a protestar, naquele acampamento oriental em forma de autocarro, a caminho de um novo recolher obrigatório. Fecho os olhos. Procuro repouso. E a primeira imagem que me atormenta a cabeça pungente de dor, vista de Brooklin, é Manhattan, a que nunca dorme, embalada pelo Hudson.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6823359561575322991?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6823359561575322991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6823359561575322991&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6823359561575322991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6823359561575322991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/06/our-nyc.html' title='Our NYC'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SGQPux0o9eI/AAAAAAAAAS0/3VeGxY39gJ0/s72-c/EUA+060.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-1255524108739154688</id><published>2008-06-19T18:01:00.003+01:00</published><updated>2008-12-12T01:01:07.457Z</updated><title type='text'>Fung Wah</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SFqRK8blHqI/AAAAAAAAASQ/nQ8enkgEibY/s1600-h/111807-FungWahBusPic.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213639135841296034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SFqRK8blHqI/AAAAAAAAASQ/nQ8enkgEibY/s400/111807-FungWahBusPic.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Segue um apontamento de reportagem, um dia destes.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-1255524108739154688?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/1255524108739154688/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=1255524108739154688&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1255524108739154688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1255524108739154688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/06/fung-wah.html' title='Fung Wah'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SFqRK8blHqI/AAAAAAAAASQ/nQ8enkgEibY/s72-c/111807-FungWahBusPic.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-1387001647070332714</id><published>2008-06-19T12:35:00.003+01:00</published><updated>2008-12-12T01:01:07.621Z</updated><title type='text'>Born with a gift of a golden voice</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SFpE4RbFPaI/AAAAAAAAASI/rCGv4AYykNM/s1600-h/cohen.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213555252175125922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SFpE4RbFPaI/AAAAAAAAASI/rCGv4AYykNM/s400/cohen.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De fato e gravata negros, o velho e elegante mobster Mr. Cohen entra em palco, de guitarra em punho, para se defender do público que o aclama na tribuna de Toronto. Desarma-o com o chapéu, que retira galante. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Amiúde pedirá ao público que se sente, porque amiúde este o ovaciona de pé. Ele fica nervoso quando se levantam, explica num tom de falsa timidez, teme que queiram deixar a sala. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Do seu reportório essencial, nada fica de fora. São mais de três horas de concerto, três horas de música, poesia e humor. Negro e charmoso. Refinado e inteligente. Esteve quinze anos fora do palco, até que uma manager qualquer fez o favor de lhe aligeirar consideravelmente a conta bancária e o cavalheiro teve de se fazer à vida. Bendita ladra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Democracy is coming to the USA”, canta aquela voz grave e profunda com especial intensidade. Originando, claro está, mais um pedido para a plateia se sentar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ninguém acompanha as canções, num canadiano silêncio reverencial pelo autor. Ninguém excepto duas jovens imberbes imediatamente por detrás de nós e dois portugueses que tiveram o privilégio de assistir e de se emocionar com o concerto das suas vidas. Até ao choro. Incomodando os canadianos ao lado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mr. Cohen tenta terminar o concerto, bem a propósito, com “I tried to leave you”. Mas não consegue, pois que o público o aclama incessantemente, mal termina a canção. Dá para mais um passinho de tango malandro, ao som de “Dance me to the End of Love” com que havia iniciado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma noite destas, até a asséptica Toronto parecia um lugar singular e emocionante. Como parecerá Lisboa, a 19 de Julho, depois de um concerto à beira-Tejo? Eu estarei lá para descobrir. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Allelujah. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-1387001647070332714?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/1387001647070332714/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=1387001647070332714&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1387001647070332714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1387001647070332714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/06/born-with-gift-of-golden-voice.html' title='Born with a gift of a golden voice'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/SFpE4RbFPaI/AAAAAAAAASI/rCGv4AYykNM/s72-c/cohen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4316753646524934046</id><published>2008-05-23T20:00:00.000+01:00</published><updated>2008-05-23T20:01:37.294+01:00</updated><title type='text'>Passatempo</title><content type='html'>Porque espero, e enquanto espero,&lt;br /&gt;Faço uma rima sobre nada,&lt;br /&gt;Não é de amigo, nem é de amada,&lt;br /&gt;Não tem saída, nem entrada,&lt;br /&gt;Anda fugida,&lt;br /&gt;Aturdida,&lt;br /&gt;Enquanto espera,&lt;br /&gt;E desespera,&lt;br /&gt;Ser inventada.&lt;br /&gt;Dou-lhe forma, enquanto espero,&lt;br /&gt;Escrevo-a, porque quero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4316753646524934046?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/4316753646524934046/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=4316753646524934046&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4316753646524934046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4316753646524934046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/05/passatempo.html' title='Passatempo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-3666762184257291545</id><published>2008-05-16T19:26:00.003+01:00</published><updated>2008-05-16T19:35:21.259+01:00</updated><title type='text'>Acordo Ortographico</title><content type='html'>Assinalemos para a postheridade este dia funesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Parlamento acaba de aprovar, com os votos favoráveis de quasi todos os deputados da Nação, o Segundo Prothocolo do Acordo Ortographico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manchados ficam para sempre os mandatos que o Povo ludibriado concedeu a essa corja de traedores da Língua Mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mau grado as doutas recommendações de um heroeco grupo de sábios que, remando vigorosamente contra todas as marés da ignorância, subscreveu uma scientifica pethição destinada a pôr cobro a este jaez acordo, foi hoje dada a última machadada no uso acertado da nobre língua que Camoens tornou célebre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os auctores moraes deste atentado perpetrado à correcta ortographia serão implacàvelmente julgados pelas gerações vindoiras pelo damno quasi irreparável que provocaram à Lingua Mater, ao colocarem nesse compromisso ao brasileiro a sua polutha assignatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão um dia erguidas dignas esculpturas aos defensores da nossa identidade multissecular e do nosso riquíssimo legado civilizacional e histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salve, de entre todos, ó ilustre poetha Vasco Graça Moura, a tua lupta não será van. Toda a rhetorica desses lacaios das corporações edithoriais brasileiras não conseguirá forçar-nos a escrever como almejam decretar. Usaremos até à eternidade a nossa ortographia, por mais que a apelidem de archaica, e o acordo terá o fim que merece: cortado em fanicos, pela thesoura do desuso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-3666762184257291545?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/3666762184257291545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=3666762184257291545&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3666762184257291545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3666762184257291545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/05/acordo-ortographico.html' title='Acordo Ortographico'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-3321166575088370524</id><published>2008-04-23T18:52:00.003+01:00</published><updated>2008-04-23T19:15:04.638+01:00</updated><title type='text'>Dia Mundial do Livro</title><content type='html'>Lisboa, Eurásia, 2084.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo está dividido em três países, Eurásia Oceânia e Amerísia, em guerra perpétua entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Partido tomou conta de todos os aspectos da vida numa incessante tentativa de erradicação da individualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A administração pública encontra-se repartida por quatro grandes ministérios – o Ministério da Verdade, que controla a imprensa, o entretenimento e a educação, o Ministério do Amor, que mantém a lei e a ordem, o Ministério da Paz, que se ocupa das questões da guerra e o Ministério da Abundância, que lida com a economia e finanças. Até a linguagem dos cidadãos é regulada pelo Partido em prolixos regulamentos, despachos, leis e instruções administrativas. As conversas entre pessoas são desencorajadas, em benefício da escrita, para que de tudo fique registo. Apenas a informação escrita é reputada como verdadeira, pois só esta permite uma reprodução fiel e autêntica. A Polícia Intelectual tem como função vigiar e prevenir os crimes de pensamento e manter a cidade no mais absoluto silêncio. Cartazes espalhados em pontos estratégicos, desprovidos de quaisquer imagens, reproduzem slogans imperativos: “A Guerra é a Paz”, “A Liberdade é Escravatura”, “A Imagem é Ilusão”, “O Livro Educa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma massa uniforme de cidadãos adormecidos folheia passivamente os livros editados e controlados pelo Partido. As ideias mais absurdas encontram eco unânime nos homens desde que constem de uma qualquer brochura. Se está escrito, é verdade. A humanidade deixou de pensar criticamente, mergulhado nas letrinhas pretas em fundo branco, alheando-se do mundo físico que a rodeava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Silva encontra-se à porta do prédio onde vive e observa o cartaz da esquina. Em letras garrafais: “A Escrita Tudo Regista”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre a porta e o chão do hall de entrada está pejado de cartas, jornais, panfletos, que o carteiro atirou pela fresta da porta. A sua máquina de fax cospe, como sempre, tinta preta em golfadas mecânicas. O rolo de papel já está no fim, uma única página de grande envergadura enrola propaganda governamental e ordens aos cidadãos. A última instrução é a nova versão do Acordo Ortográfico, que impõe regras universalmente aceites sobre a forma como os habitantes da Eurásia devem escrever. Quaisquer discrepâncias são severamente controladas pela Polícia Intelectual e conduziriam o cidadão rebelde ao cárcere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Silva notifica o Partido, pela mesma máquina, de ter entrado no seu domicílio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia uma vida dupla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na aparência, parecia respeitar acriticamente todos os ditames impostos. Mas vivia um conflito interior que o dilacerava. Simplesmente acreditava no que via e ouvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, intimanente descria do que lhe davam a ler, se não encontrava correspondência com a realidade observada. Sentia-se diferente. Receava pela sua saúde psíquica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, não poderia contar a ninguém a aflição que a noção distorcida que tinha da realidade lhe causava. Nem sequer à sua família, formada pela sua mulher e os dois filhos, de cujas mãos todas as noites arrancava, a muito custo e por entre choro convulsivo, os seus inúmeros livros infantis, quando chegava a hora de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua percepção do mundo tinha começado a mudar quando, num antiquário situado num bairro de má reputação, adquiriu um aparelho do início do século. Como membro do Partido, gozava de uma precária liberdade de movimentos que não era autorizada ao cidadão comum. Era uma pessoa curiosa, e um objecto estranho, uma espécie de caixa grande de plástico com um vidro à frente e uns botões de lado, atraiu a sua atenção. O vendedor não fazia ideia do que se tratasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitou o seu avô, no asséptico lar do Estado onde este estava depositado até ao fim dos seus dias. O avô, um poço sem fundo de sabedoria ancestral, explicou-lhe, por apontamentos a lápis no velho bloco de notas - não fosse um agente da Polícia Intelectual estar à escuta - que, pela descrição do neto, deveria tratar-se de uma televisão. Aparentemente, este objecto antigo conseguia reproduzir as imagens e os sons de acontecimentos ocorridos, fosse a que distância fosse. O aparelho tinha sido inventado na segunda metade do século XX, tanto quanto sabia e lhe contou o avô, como antes lhe havia contado o avô do seu avô. Sorrateiramente, anotou também no bloco que bastaria ao neto adquirir um vídeo, um aparelho que gravava as emissões da televisão, para que pudesse ver, com os seus próprios olhos, que a Humanidade tinha chegado à Lua. Claro, desde que conseguisse comprar uma cassete bem conservada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À socapa, apagaram os recados escritos com a velha e gasta borracha que o avô guardava dentro do seu maço de tabaco (adquirida por uma fortuna, tal como o lápis, no mercado negro, pois que o Partido não autorizava quaiquer escritos que não deixassem rasto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José não descansou enquanto não encontrou e comprou, a dinheiro vivo e sem recibo, obviamente, o aparelho de vídeo no mercado negro. Com cada vez mais frequência, e aproveitando-se da sua condição de membro do Partido, que suavizava a vigilância da Polícia Intelectual, foi-se infiltrando nos meios obscuros do mercado negro. A pouco e pouco, foi ganhando a confiança de sujeitos marginais, e acabou por ser admitido num círculo secreto de sujeitos discretos que, em caves escuras de bairros degradados e marginais, observavam imagens de filmes antigos e programas de televisão gravados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das sessões, visionaram um documentário sobre um escritor da antiga Grã-Bretanha, um tal de George Orwell, que havia escrito um romance muito popular, intitulado “1984”. Esse romance, certamente uma obra encomendada pelo Estado, conseguiu convencer os cidadãos de que um mundo dominado pelo audio-visual seria um mundo de alienados, controlados pelo poder político. Ironicamente, tratava-se de um livro hoje proibido pelo Partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquele grupo de subversivos estava decidido a combater o jugo do mundo irreal difundido pela palavra escrita. Tinham jurado, secreta solenemente, promover clandestinamente o audio-visual e combater, com a vida se preciso fosse, a literacia dos cidadãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-3321166575088370524?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/3321166575088370524/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=3321166575088370524&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3321166575088370524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3321166575088370524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/04/dia-mundial-do-livro.html' title='Dia Mundial do Livro'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-8948394854302292670</id><published>2008-04-09T02:35:00.004+01:00</published><updated>2008-04-10T11:51:33.438+01:00</updated><title type='text'>Retalhos da vida de um consultor</title><content type='html'>(Louvado seja o leitor que aguente um post deste tamanho. Já cá não escrevinhava vai para mais de um mês, agora é dose.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto percorro a passo de caracol o viaduto Duarte Pacheco, ligo a TSF e oiço, com a atenção que a personagem merece, a última invenção do Luís Filipe Menezes para animar as hostes dos seus correligionários, parece que o homem vai conquistar o poder fazendo do PPD um partido à imagem do Alberto João. Depois escuto, com a atenção que a personagem merece, um não-sei-quantos-qualquer-coisa do partido do governo afirmar que o Luís Filipe Menezes, “esse paladino da liberdade da imprensa”, teve o descaramento de estar presente no congresso do PSD-Madeira, logo agora que os laranjas autonómicos decidiram fechar a porta de tão disputado e emocionante evento aos jornalistas. Sobre os elogios do cara-de-sapo ao ex-Bocassa da Madeira, este tal não-sei-quantos-qualquer-coisa comenta que o PS não comenta declarações de órgãos institucionais no âmbito de funções institucionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligo, pois, o rádio e observo os colegas de fila. Passo por uma secretária de direcção que penteia as sobrancelhas ao retrovisor, retoque que denuncia, penso eu com os meus botões para me entreter, a secreta esperança de que os olhinhos que ela faz ao chefe sejam finalmente notados e enfim lhe faça o convite para um fim de semana naquela Pousada de Portugal que saiu no último número da Evasões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultrapasso em passo lento um mercedes-classe-s último modelo onde um sujeito bem apetrechado de relógio de bracelete de prata e botões reluzentes de punho enfia o seu anelar esquerdo, provido de aliança de ouro, pela narina do lado de cá, em gestos circulares de uma meticulosa higiene exploratória, enquanto a sua mão direita encosta o seu bojudo e reluzente aparelho celular, carregado de &lt;em&gt;WAPS, GPS, e-mail, 3G&lt;/em&gt; e demais &lt;em&gt;gadget&lt;/em&gt;s do último grito da tecnologia, à sua orelha direita, que, se for simétrica, como é de prever, à orelha esquerda que não resisto a observar, será pelo menos tão avantajada e peluda como esta. Lá longe, e nunca mais fica mais perto, o écrã gigante do fim da auto-estrada de Cascais fere os olhos da multidão de sonâmbulos condutores suburbanos com &lt;em&gt;ticks&lt;/em&gt; das manchetes dos matutinos e &lt;em&gt;spots&lt;/em&gt; promocionais da nova telenovela da TVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente rolo a quarenta à hora pelo túnel do marquês (porque ninguém quer ser multado por andar a mais de cinquenta). Quatro fugas, vindos da estátua do nosso déspota iluminado, aceleram bruscamente mal a silhueta do minha carrinha assome à boca do túnel, antes que eu tenha a audaz ideia de entrar à sua frente na fontes pereira de melo. Eu que espere, que a faixa de rodagem é o seu reino. E eu espero, claro, entupindo, atrás de mim, a saída do túnel, e levando, como justa consequência da minha urbanidade inadequada, com um merecido e valente buzinanço do colega dos outros quatro, que também calhava estar de serviço e que levava um cliente apressado no regaço do seu mercedes com trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado finalmente ao parqueamento ao lado do escritório e largada a carripana, cruzo-me com o simpático e jovem cidadão das terras de vera-cruz que (o pobre) imigrou para terras lusas tão só para cuidar como caixa do estacionamento do saldanha residence. Com a sua caracetrística voz de falsete, deseja-me um colorido “&lt;em&gt;um bom djia dji trabálho, sinhô Tchiagô&lt;/em&gt;”, com aquele sorriso derretido que não procura disfarçar a segunda intenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subo o elevador ao som enjoativo do Jon Bon Jovi e sento-me à secretária, onde o meu pálido colega do lado, perito em créditos, débitos, movimentos contabilísticos e amortizações extraordinárias do activo imobilizado corpóreo, debita-me, como todos os dias, a automática, mas plena de bonomia, expressão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Então, Tiago, que tal Tiago, tudo bem? Tudo bem, Tiago&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem que eu lhe tivesse retorquido, é certo, mas o tipo dá de barato, sem estar longe da verdade, que eu lhe quisesse polidamente perguntar se também com ele estava tudo bem. Também ele, que tal, me deseja um bom dia de trabalho. De seguida, liga a um cliente e oiço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Então, fulano, que tal, fulano, tudo bem? Tudo bem, fulano&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esta, eu, que havia acabado de me sentar, levanto-me para um café no bar do escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, os meninos discutem a arbitragem do fim de semana e as meninas a fantástica deslocação ao IKEA ou o bolsar nocturno do bebé. O sócio de outro departamento cruza-se comigo, pergunta se “&lt;em&gt;está tudo fixe&lt;/em&gt;”, para parecer um gajo bacano, e deseja-me, pois claro está, um bom dia.&lt;br /&gt;Mais precisamente, um bom-dia-de-trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo dizer, com toda a franqueza e sem querer ofender ninguém, que já não aguento estas simpatias anódinas. Se se afastassem com uma saudação simples, como fosse “tchau”, “passar bem”, “vai à merda, porco suíno”, mas não, têm de proferir mediocridades neutras como “tem um bom dia de trabalho”. Mas quem lhes meteu na cabeça que a minha concepção de um bom dia passa por um jorna de cumprimento íntegro dos meus deveres laborais? Porque não estar antes virado para um óptimo dia pessoal e um dia laboral, digamos, rigorosamente merdoso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uns quantos e-mails e infrutíferas tentativas de pagamento de honorários que me fazem sentir o cobrador do fraque, munido deste amargo estado de espírito matinal, desço para fumar um cigarrito lá em baixo, com vista para o mar de beatas que jaz sobre o asfalto da casal ribeiro, largadas pelos anónimos drogados de escritório, meus semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveito, já agora e &lt;em&gt;en passant&lt;/em&gt;, para comprar o jornal desportivo, na expectativa de uma uns momentos de descanso intelectual passados a ler crónicas imbecis sobre o complexo mundo da bola, no acolhedor sossego do WC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguarda-me mais uma fila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma rapariga brasileira compra cartões telefónicos e pergunta pelo &lt;em&gt;plafond&lt;/em&gt;, não entende nada do que o empregado responde e são tanto os seus perplexos “&lt;em&gt;oi&lt;/em&gt;?” que a fila cresce imparável atrás de mim. Com isto, é já meio dia. O rapaz imediatamente atrás da minha pessoa lança os mais vulgares impropérios, à moda do &lt;em&gt;Caixodré&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Mas que merda esta, dasse&lt;/em&gt;!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disfarço enquanto coço um olho, viro-me para o tipo, a ver o que se passa. Ele olha colérico para o telemóvel e tecla furiosamente, como se a sua intensa expressividade oral e gestual pudesse ter como consequência provável desencadear nos circuitos internos da geringonça um milagre da física. Como se lançasse uma faísca repentina que tornasse possível a almejada comunicação à distância para a qual o aparelho foi supostamente concebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Foda-se, merda de telemóvel, ó c…!”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Toda a fila, sem mais nada para fazer, pelo menos enquanto a brasileirinha recém-imigrada prosseguia com os seus loquazes e grandiloquentes “&lt;em&gt;oi&lt;/em&gt;???”, olhava de soslaio para o desesperado rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brasileirinha finalmente entende alguma coisa deste Português sem vogais, larga o poiso e avança a fila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avançando consequentemente também ele um lugar, o petiz consegue apanhar uma réstia de rede disponível naquela cave de centro comercial. Mal é conseguida a ligação, o tom de voz repentinamente baixa e adocica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Estou, mãe? Mãe&lt;/em&gt;? — reverente e animado — &lt;em&gt;Que saudades, mãe! Olhe, estou aqui perto, mãe! Há almoço para mim?&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, está tudo explicado: era fome, o pobrezinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma fila tem muito que se lhe diga, ou que se lhe escreva. Uma singela fila dá pano para mangas. Basta observar, em vez de simplesmente ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha frente, o sujeito, temporariamente ao serviço nas obras do escritório do quinto andar do edifício, trajes de rude trabalho braçal contrastantes com o fatinho completo dos escriturários que o rodeavam (trajes mas não só, pois que o odor também era característico de um tipo de labor de carácter mais intensivo), protestava com o preço dos bens que pretendia adquirir: A Bola, o Correio e um maço de Marboro Vermelho (assim mesmo, Marboro sem “l”):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Cinco euros e dez&lt;/em&gt;”, informa o plácido empregado do quiosque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Cinco &lt;strong&gt;éros&lt;/strong&gt; e dez&lt;/em&gt;????”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Sim, amigo, cinco euros e dez&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Atão, mas a quantos &lt;strong&gt;éros &lt;/strong&gt;está o tabaco e o jor&lt;/em&gt;nal?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ó amigo, o tabaco aumentou, agora está a três-quarenta-e-cinco”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Três &lt;strong&gt;éros&lt;/strong&gt; e quantos&lt;/em&gt;???”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai o c… Levemente desesperado com a espera, e sentindo que o empregado não estava a ter um bom-dia-de-trabalho, acometeu-se-me um raro gesto de solidariedade e fui em socorro do pobre do assalariado. Dirijo-me, cara a cara, para o honesto homem das cavernas e explico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Ó amigo, o tabaco está a três &lt;strong&gt;éros&lt;/strong&gt; e quarenta e cinco &lt;strong&gt;ramazotes&lt;/strong&gt;. Por isso é que a conta é de cinco &lt;strong&gt;éros&lt;/strong&gt; e dez &lt;strong&gt;ramazotes&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá lá que só o assaliariado percebeu a gracinha de burguês armado ao pingarelho. O trolha bem servido de musculatura não percebeu, mas pagou. Sem ressentimentos, espero que tenha passado um bom-dia-de-trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-8948394854302292670?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/8948394854302292670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=8948394854302292670&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8948394854302292670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8948394854302292670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/04/retalhos-da-vida-de-um-consultor.html' title='Retalhos da vida de um consultor'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4633507097155043162</id><published>2008-03-05T19:42:00.003Z</published><updated>2008-12-12T01:01:08.547Z</updated><title type='text'>Faça-se a tua vontade, ó-quase-adolescente</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R87335HsWHI/AAAAAAAAAR4/4lR3NKaSvRU/s1600-h/abacate.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174345561493231730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R87335HsWHI/AAAAAAAAAR4/4lR3NKaSvRU/s400/abacate.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A sua auto-estima estava de rastos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha vergonha da sua cor. Da sua forma. Do seu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia-se uma fruta feia. Ridícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, num acesso de loucura exibicionista, resolvesse despir a sua áspera casca de papa-formigas, não teria melhor para mostrar do que a sua carne flácida, pálida e gorda. Num concurso de beleza horto-frutícola, ganharia de caras o último lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma fruta tão indigesta que só a comiam depois de a meterem em lume brando. Um fruto assim, que precise de ser cozinhado para que, a custo, o deglutam, só ele e o marmelo. Mas este, transformado em doce, faz as delícias da criançada. E mais. Um dia, lá em casa, comentando uma cena tórrida de uma telenovela, os pais disseram aos filhos que fossem brincar para o quarto, que as crianças não podiam ver aquela pouca-vergonha. Que "grande marmelada", exclamaram indignados. Em suma, até do agreste marmelo sentia ciúmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como toda a regra tem uma excepção que a confirma, diziam-lhe frutas piedosas que ele era muito famoso e apreciado num país quente e distante. Ainda que essa história fosse verdadeira, não lhe servia de consolo. Parece que lá os homens eram todos bigodudos, pançudos e com escassos hábitos de higiene, bebiam tequila como se fosse água e comiam chili como se fosse chocolate. Pudera que os tais mariachis também gostassem dele, se eram sujeitos com tamanha falta de chá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, sentia-se só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava farto da sua condição de abacate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não tinha nascido uma pêra suculenta, um pêssego sumarento, uma laranja refrescante, uma maçã tentadora? Enfim, um modesto tremoço que fosse, para fazer as vezes de marisco. Agora um abacate?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignorado por todos e cansado da vida, jazia apodrecendo na fruteira, numa esperança infrutífera de que o comessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, num dia miraculoso, um cozinheiro imaginativo e meio chanfrado, tão extravagante como um ratinho francês famoso, pegou no pobre furto e resolveu juntá-lo a umas frutinhas elegantes e coloridas. O cozinheiro acabava de inventar &lt;em&gt;mousse &lt;/em&gt;de abacate com frutos silvestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que estranhasse o arrojo do cozinheiro maluco, naquele momento sentiu-se o alimento mais feliz do mundo, adornado que estava com aquelas pequenas frutinhas berrantes e espampanantes. Inchou de orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, enquanto o cozinheiro o desfazia no passe-vite, o raciocínio já um tanto esfacelado, pensou que a vida afinal valia a pena: num último suspiro liquefeito, o abacate por uma vez não desejou ter nascido outra fruta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sequer uma manga. Essa que fazia tão feliz uma criança gulosa, os beiços molhados pelo sumo pegajoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4633507097155043162?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/4633507097155043162/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=4633507097155043162&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4633507097155043162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4633507097155043162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/03/faa-se-tua-vontade-quase-adolescente.html' title='Faça-se a tua vontade, ó-quase-adolescente'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R87335HsWHI/AAAAAAAAAR4/4lR3NKaSvRU/s72-c/abacate.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4750189095886096128</id><published>2008-02-29T16:12:00.004Z</published><updated>2008-12-12T01:01:08.729Z</updated><title type='text'>Aníbal de Lampreia</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R8gvOnOzknI/AAAAAAAAARw/LBizAbHnNRE/s1600-h/porto+da+raiva.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172436100130771570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R8gvOnOzknI/AAAAAAAAARw/LBizAbHnNRE/s400/porto+da+raiva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Foto tirada &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://olhares.aeiou.pt/porto_da_raiva/foto118767.html"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;daqui&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu, decido fazer um desvio do itinerário principal, pois que o estômago dava horas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era uma pacata vila de província. Penacova, de seu nome, uma varanda debruçada sobre o Mondego. De cognome, a Capital da Lampreia. Está inserida numa vasta zona de interesse turístico, pertence ao distrito de Coimbra, sita na Região Centro (NUT II) e na sub-região do Baixo Mondego. Penacova é um concelho de segunda ordem, comarca e concelho fiscal de terceira ordem, pertence ao Distrito, Relação e Bispado de Coimbra. Para além disto, informa-nos utilmente a página do Município de Penacova, que, em termos de diversidade de produtos, Penacova tem actualmente uma diversidade turística capaz de satisfazer as diversas procuras. Ele é “a água límpida dos trechos não poluídos do Mondego e do Alva, correndo em curvas caprichosas entre montes escarpados, faculta ao turista a tranquilidade e a harmonia de uma paisagem primitiva”. Ele é “as estradas pitorescas, ora talhadas nas escarpas sobre o rio, ora trepando ao cimo dos montes, onde poderá apreciar belos panoramas do alto dos seus mirantes”. E como se não bastasse, “a oferta não se fica por aqui. Novos produtos começam hoje a apresentar-se como apostas viáveis nomeadamente o turismo de aventura e o produto gastronomia e o segmento de fins-de-semana”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a barriga vazia é má conselheira, fizemos ouvidos moucos desta panóplia de atractivos com que a Princesa do Mondego nos queria brindar. O que queríamos mesmo era merendar. Passava bem das 3 da tarde e receávamos o pior. Apetecia-nos um almoço farto, campestre, castiço, substantivo. Espreitámos o Panorâmico, a &lt;em&gt;crême-de-la-crême&lt;/em&gt; dos estabelecimentos restaurativos locais. Sumptuosa a vista que se avista da sala envidraçada, o Mondego correndo arisco lá em baixo por entre veredas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas uma das bem atoalhadas mesas se encontrava ocupada, quatro respeitáveis autarcas locais ou candidatos à cuja dita em amena cavaqueira bebericavam a sua macieirazinha digestiva e galhofavam por entre palitos escrutinadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenário castiço, sem menor dúvida, mas não era bem para o que estávamos virados. Excursionistas citadinos, buscávamos mesa mais modesta, mas autêntica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltámos atrás e dirigimo-nos ao largo da Câmara, verdadeira sala de visitas do hospitaleiro cidadão penacovense. Não era muita a azáfama, pois que é terra de gente séria e laboriosa e não era hora de laréu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avistámos um agente da autoridade e antevimos nele a nossa salvação. Aí estava a nossa réplica do &lt;em&gt;bobby&lt;/em&gt;, desprovido é certo da britânica fleuma, mas aprovisionado de uma hospitalidade informal só ao alcance de um GuêNêErre genuíno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem trânsito para fazer circular, altercações da ordem pública para resolver, gatunos a perseguir ou sequer ocorrências de que tomar conta (que ao menos ocupassem o cérebro e o indicador num escrupuloso escrutínio da tecla correcta, de entre a complicada floresta de azert da vetusta e única máquina de escrever do posto), parecia tranquilo da vida, contente do seu ofício. Havia no desmazelo com que vestia a farda uma tranquilidade que só os anos de um labor pacato poderiam imprimir. O boné irreverente resvalava teimoso para a fronte, de tal modo que deixava à vista apenas uma pequeníssima fresta da luzidia testa. A camisa, ainda que bem engomada, estava apertada por uns precários esforçados botões que a muito custo desempenhavam a sua função: conter dentro das vestes oficiais o mui-proeminente ventre do Cabo Almeida, de molde a não beliscar o aprumo da corporação. Por entre os botões, entrevia-se a protectora camisola interior, que lá para aquelas bandas faz um frio que até se ouve. Coçava os seus fartos e dignos bigodes para entreter a mão direita, entretida que estava a mente pensando na morte da bezerra. A mão esquerda, pois apoiava-se no revólver ancião, felizmente guardado para sempre no coldre de couro coçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inquirido pelos turistas alfacinhas sobre o paradeiro de uma casa digna onde se pudesse pastar àquela hora, o Cabo Almeida, no xeu xotaque de probínxia, prestável e amavelmente informou os doutores da xidade que bem ali perto habia o Panorâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Que é bom, ficam os senhores bem serbidos. Mas aqui entre nós&lt;/em&gt;”, dixe entre dentes enquanto esfregava o indicador no polegar anafado, “&lt;em&gt;é fino, mas carrega, xe carrega&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim, nós esse conhecemos, mas queríamos assim uma coisa mais típica, mais autêntica, não queríamos nada de pretensioso, simplesmente queríamos uma casa onde se comesse bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de nos zurzir com uma interminável sequência de indicações restaurativas que nos ficavam bem ali à mão de semear, recomendou-nos um “&lt;em&gt;estabeleximentojito que não é nada de muito jeitoso para a bista, mas lá come-xe bem e com fartura&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Os xenhores boltam a apanhar a estrada nacional, xaem ali na xaída da Livraria do Mondego e biram para a Raiba&lt;/em&gt;”. O Porto da Raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Aí encontram o Boa Biagem, em termos de comer não há comparaxão. Lá é tudo à confiança. Eu costumo ir lá com a família e os colegas. O comer é daqui”, &lt;/em&gt;e esfregou o lóbulo da orelha peluda entre o mesmo indicador e o tal anafado polegar, em jeito de explicação da proveniência do comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;E olhem, Aníbal de Lampreia, é o númaro um&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aníbal? Aníbal de Lampreia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, a nível de lampreia é o número um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fomos ao Porto da Raiva, pequeno aglomerado de maisons de emigrantes encastradas no penedio esculpido pelo rio, onde nos deliciámos com uns rojões com batata cozida e pão mal cozido no forno de lenha, tudo servido àquela hora tardia por consideração aos senhores (pareceu-me ouvir a empregada para a cozinheira, “&lt;em&gt;oh fulana, faz lá os rojões, olha-me para o carro dos senhores &lt;/em&gt;”, mas provavelmente foi reflexo do meu urbano cinismo). Até nos abriram a sala de refeições do primeiro andar, que lá estávamos “&lt;em&gt;mais à bontade do que no snack-bar&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor que aprecie lampreia, já sabe, Aníbal da cuja dita, não há como o Boa Biagem na Raiba. Se não for apreciador, não se apoquente, porque lá todo o comer é daqui. À confiança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4750189095886096128?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/4750189095886096128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=4750189095886096128&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4750189095886096128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4750189095886096128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/02/anbal-de-lampreia.html' title='Aníbal de Lampreia'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R8gvOnOzknI/AAAAAAAAARw/LBizAbHnNRE/s72-c/porto+da+raiva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-587458323756747682</id><published>2008-02-19T19:58:00.002Z</published><updated>2008-12-12T01:01:08.896Z</updated><title type='text'>Conversas de Havana</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R7s3aQJq_jI/AAAAAAAAARo/nm682rslHSo/s1600-h/fidel-castro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168785921489436210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R7s3aQJq_jI/AAAAAAAAARo/nm682rslHSo/s400/fidel-castro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como siempre, sigue haciendo el calor de mierda en La Havana. Ibrahim, el puro entre los dientes y las manos en el volante de su Buick convertible, cosecha 1946, habla bajo voz con Eliades:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ibrahim: "&lt;em&gt;Muchacho, y ahora qué, como vamos seguir sin el Comandante&lt;/em&gt;?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eliades: "&lt;em&gt;Mira, Ibrahim, no nos podemos quejar&lt;/em&gt;."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se tomó mas un sorvo de su refrescante mojito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ibrahim: "&lt;em&gt;Que dices, la revolucion va seguir el rumbo de la construcion del socialismo&lt;/em&gt;?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eliades: "&lt;em&gt;No, Ibrahim, que con Fidel o sin Fidel, NO NOS PODEMOS QUEJAR.&lt;/em&gt;"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-587458323756747682?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/587458323756747682/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=587458323756747682&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/587458323756747682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/587458323756747682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/02/conversas-de-havana.html' title='Conversas de Havana'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R7s3aQJq_jI/AAAAAAAAARo/nm682rslHSo/s72-c/fidel-castro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-8252430795683702354</id><published>2008-02-08T18:58:00.000Z</published><updated>2008-02-08T19:04:57.382Z</updated><title type='text'>O redoengo</title><content type='html'>“O redoengo fitou-o malevolamente, a saliva escorria das suas mandíbulas fortes e ferozes, reluziam os seus enormes e aguçados dentes  no reflexo da luz invernosa.”     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas o que vem a ser um redoengo?&lt;/em&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei bem. Uma criatura feroz e má. Qualquer coisa do género do monstro do Alien.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas isso é ficção científica. Nem é bem o teu género, pois não?&lt;/em&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Só que quero passar para o papel a raiva que estou a sentir contra o meu chefe face à pressão a que tenho sido sujeito nos últimos tempos. Uma atmosfera de terror num quadro de ficção científica pareceu-me um meio adequado para transmitir esse sentimento. Isto tem sido uma seca e não tenho tempo para escrever nada de jeito. Então pensei em aproveitar a onda para escrever qualquer coisa minimamente decente.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tentemos outra abordagem. Não inventes palavras ou criaturas, para isso já bastou aquela coisa horrorosa do Deniepropeteco. Nada de redoengos. Sê objectivo e directo.&lt;/em&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estava furioso.”     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Muito bem. Nada pode ser mais directo do que isso&lt;/em&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  ...     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E então? Porque esperamos?&lt;/em&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estava furioso com o quê?     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sei lá. Tu é que estás a contar a história. Inventa. Socorre-te das tuas próprias vivências.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estava furioso. Odiava-o. E não odiava só a ele. Odiava o mundo inteiro. Seguindo o instinto, foi ao corredor, pegou no machado que estava junto ao extintor de incêndio e desatou a cortar cabeças, não olhando a colegas, através de sucessivos e impiedosos golpes que faziam jorrar golfadas de sangue, cobrindo o escritório de um imenso lago escarlate. "      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Isto parece-me demasiado sangrento e violento. É de gosto duvidoso e fará os teus leitores desistir à primeira página. Além disso, como vais superar este começo? Assim, a história nunca terá um clímax. Como conseguirás ter um final mais dramático do que “sucessivos e impiedosos golpes que faziam jorrar golfadas de sangue, cobrindo o escritório de um imenso lago escarlate”? O meu conselho é que comeces de modo mais prudente, menos complexo, e vás elevando o tom à medida que a narrativa se desenrole. E mantém a coisa real. Pega nas tuas experiências e observa o que vês à tua volta.&lt;/em&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Era de manhã.”     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu disse simples, mas não elementar. Tem de ser simples, mas interessante. Essa frase é apenas simples. Desenvolve. Era de manhã. Conta-nos mais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Era uma manhã cinzenta de Inverno."  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Está melhor, mas precisamos de mais detalhe e originalidade. Precisas de agarrar o leitor desde o início com as palavras certas, se queres prendê-lo até ao fim de uma história longa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto está a ser muito difícil. E se escrevesse umas tretas para o blog e pronto?      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vá lá, tens de ser persistente, nunca ninguém disse que escrever uma verdadeira história fosse fácil. Ninguém aprende a tocar piano à primeira, é preciso persistência e prática.&lt;/em&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, mas isto não me está a dar gozo nenhum. Escrever para o blog é muito mais fácil. Escreve-se o que te vem à cabeça e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deixa-te de tretas. Aplica-te, preguiçoso. Deixa lá o blog e concentra-te em desenvolver a história. Esta ou outra qualquer que te inspire. Deixa o blog por uns tempos e pratica. Quando a escrita  fluir, podes voltar às tuas parvoíces, será bom para desopilar.&lt;/em&gt;    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“De Invernos idos lembro-me das manhãs cinzentas. Manhãs cinzentas como não se fazem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a memória que me faz tiritar de frio quando penso nos penosos passos que me conduziam, a medo, rompendo o nevoeiro, a caminho da escola.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B&lt;em&gt;oa imagem. Talvez século XIX em demasia, mas não está mal. Talvez demasiado palavroso, diria eu. Mas é um bom começo. Agora concentra-te, aperfeiçoa e persiste. Não te disperses com o blog nos próximos tempos. Por uma vez, tenta.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-8252430795683702354?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/8252430795683702354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=8252430795683702354&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8252430795683702354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8252430795683702354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/02/o-redoengo.html' title='O redoengo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-5049995508333479335</id><published>2008-01-25T17:18:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:09.326Z</updated><title type='text'>Malditos comunas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R5oZ_2b9RZI/AAAAAAAAARY/rYLJEOwI7RQ/s1600-h/greve.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5159464907841553810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R5oZ_2b9RZI/AAAAAAAAARY/rYLJEOwI7RQ/s400/greve.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O que se passa comigo? Pois, és capaz de ter razão, se calhar ando um bocadinho alheado. Não sei bem, acho que ando preocupado com o trabalho. Sabes, havia uma data de estratégias que me inspiravam na relação com a malta. Agora, nada resulta, tem sido cada um para o seu lado. É a greve dos argumentistas. Raispartóscomunas, pá. O Tony Soprano há que séculos que não me dá uma tirada para pôr os gajos na linha, não posso estar sempre a dizer a mesma coisa, não provoca o mesmo efeito. Como é que eu ponho os tipos na ordem sem a acidez das deixas do Dr. House, pá? Aquilo lá no escritório tem andado ao deus dará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achas que o problema não é esse? Porquê? Não tenho sido tão romântico e divertido como antes? O que queres, já me começam a faltar as frases originais com que me declarava apaixonadamente, as pequenas piadas íntimas que te faziam rir. E isso não é nada, querida. Vê lá se os sindicatos se lembram de instigar os sonoplastas a fazer greve? Lá se vai a banda sonora que dava o ritmo à nossa paixão. Ou os directores de fotografia. Se isso acontecer, e não deve faltar muito, como é que fica aquele pôr-do-sol? Esbatido, translúcido, sem graça. E se deflagrar a greve dos duplos, não vamos poder escalar os Himalaias para contemplarmos o mundo a nossos pés. E a greve dos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quê? Não, querida, claro que não, não estou a inventar uma desculpa para te dar a tampa, descansa. Há sempre os clássicos. Podem estar um bocadinho gastos, mas caem sempre bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como diria o velho Humphrey, "teremos sempre Fernão Ferro". Pois, tá bem, é Paris, é isso, Paris.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-5049995508333479335?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/5049995508333479335/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=5049995508333479335&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5049995508333479335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5049995508333479335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/01/malditos-comunas.html' title='Malditos comunas'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R5oZ_2b9RZI/AAAAAAAAARY/rYLJEOwI7RQ/s72-c/greve.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-2872100661662856157</id><published>2008-01-22T19:44:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:09.505Z</updated><title type='text'>Outras manhãs</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R5ZI-WqBftI/AAAAAAAAARQ/3TWAqWGzvwM/s1600-h/nevoeiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158390659270409938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R5ZI-WqBftI/AAAAAAAAARQ/3TWAqWGzvwM/s400/nevoeiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De Invernos idos lembro-me das manhãs cinzentas. Manhãs cinzentas como não se fazem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a memória que me faz tiritar de frio quando penso nos penosos passos que me conduziam, a medo, rompendo pelo nevoeiro, a caminho da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes o padeiro deixava o pão pendurado na porta e trincava-o, ora fumegante, seco e estaladiço e morno, ora molhado na geleia escura. Tomava duche a muito custo e tirava as ramelas dos olhos. Era bom tirar as ramelas dos olhos. A mãe depois enfardava-me em camisolas felpudas, macias, botas pretas, cachecóis, canadianas de lã grossa e empurrava-me, para longe do aconchego. A etiqueta de xadrez que certificava a origem da pura lã escocesa fazia-me sonhar com cavaleiros do Walter Scott.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que as roupas eram cinzentas. Não sei se a memória é fiel. Mas tinha uns oito anos e havia qualquer coisa de cinzento em ter-se oito anos em mil novecentos e setenta e nove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola era cercada pela mata e naquele tempo as árvores eram mais altas. Tão altas que a sombra impedia os arbustos de seguir o seu instinto e tornarem-se, naturalmente, verdes. Intimidados pelo breu, pareciam-me melancolicamente negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele território plúmbeo, o azevinho tentava-me, oferecendo-me bagas, tão visivelmente escarlates que me feriam o olhar. Dizia-se que eram assim bonitas porque venenosas. Tudo o que luzia parecia perigoso, naquelas manhãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longe, ouvia-se o eco do comboio, que, sofregamente, engoliria os sonâmbulos empregados de comércio, de uma penada, pela boca escura do túnel do Rossio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, uma vez chegado à escola, abertos os cadernos e trocado o medo pela sofreguidão de aprendiz do mundo, gostava de ver o nevoeiro através dos vidros sujos da sala de aula. O nevoeiro denso e branco, do lado de cá, era luminoso e acolhedor. Parecia guardar todos os males dentro de si, velando por nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Profª Maria do Céu mandava-nos recolher as moribundas folhas do recreio e eram momentos tranquilos. Perguntava de que cor eram as folhas. Colávamo-las nas cartolinas. Gostava de sentir os dedos engelhados pela cola e unidos à força, como a pata de um batráqueo. Gostava do cheiro doce da cola. Havia uns miúdos que, lá fora, gostavam ainda mais, aspiravam-no de copos de plástico que seguravam com as mãos em concha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não gostava tanto, nos meus oito anos, do predicado e do sujeito, dos pretéritos, perfeitos e mais que perfeitos, da tabuada, a álgebra apavorava-me, suplicava à sorte que não me chamassem ao quadro para fazer contas de dividir. Tinha terror das contas de dividir. Mas gostava dos ditados. Gostava de desenhar os arabescos rebuscados daqueles caracteres infantis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois acabava a aulas e regressava a casa, sob o sol do meio-dia que inexoravelmente acabava por vencer a névoa. Ou sob a chuva molha-parvos, que o conduzia lentamente para o bueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pequeno apartamento, sim, havia cor. Os maples de cornucópias amarelas e grenás, as alcatifas castanhas, os quadros do Botelho, o chocolate a derreter em banho-maria, as gemadas, os pimentos vermelhos a arder nos bicos do fogão, as gravatas berrantes do pai guardadas no armário, o azulejo da casa de banho, o frasco de tinta permanente, os fetos nos vasos da sala, os cravos (ou seriam salgueiros?) na varanda estreita. A preto e branco, só a televisão com os tempos de antena da FRS ou da AD. Mas a televisão transportava-nos lá para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, lá fora, as manhãs eram cinzentas, os prédios eram escuros, os autocarros de um verde desmaiado, as árvores, despidas. Os transeuntes, pálidos, ensimesmados, flácidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez me vestissem de cinzento para me mimetizar com uma época, talvez me quisessem camuflar no nevoeiro, protegendo-me e preparando-me para os cromáticos, pindéricos, excessivos, mágicos anos 80 que aí vinham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez recorde mal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-2872100661662856157?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/2872100661662856157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=2872100661662856157&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2872100661662856157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/2872100661662856157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/01/outras-manhs.html' title='Outras manhãs'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R5ZI-WqBftI/AAAAAAAAARQ/3TWAqWGzvwM/s72-c/nevoeiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-1205306562824754887</id><published>2008-01-05T16:11:00.000Z</published><updated>2008-01-05T16:15:18.767Z</updated><title type='text'>Índios e cobois</title><content type='html'>Um copo de água!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que lata. O tipo entra no saloon, com pose de duro, olha de lado para a malta como se fosse o Clint Eastwood e aproxima-se lentamente do balcão para pedir, com maus modos, um copo d’água?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Simples ou com gás? - perguntou o andrajoso barman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com gás! - seguido de uma estrondosa palmada na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podia ser verdade. No meio daquele bando de homicidas, o forasteiro pede água com gás?&lt;br /&gt;- Ah, e quero também um bolicao!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Paco, mexicano mal encarado que se divertia a assassinar gringos e índios a sangue frio e a rapar-lhes o escalpe, não aguentando mais, levantou-se, indignado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escuta, muchacho, onde julgas que estás? Que raio de pedido foi esse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Água e Bolicao. És servido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás louco, gringo! Manel, serve-me mas é uma coca-cola, que isso é que é bebida de homem! E não quero laites ou zeros, quero a coca-cola original!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, depois de engolir a coca-cola de penalti, Paco sacou a sua pistola de água e, sem piedade, deu três tiros no forasteiro, que caiu morto no chão do saloon. Feliz com a sua pontaria e sangue-frio, tirou do bolso um cigarro e acendeu-o, pingando o chão com o chocolate derretido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à normalidade, os cobois das outras mesas voltaram para o caimbs e os sumois de ananás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paco, ao sair do bar, foi preso e levado no triciclo do cherife para a esquadra mais próxima, feita de Lego.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-1205306562824754887?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/1205306562824754887/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=1205306562824754887&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1205306562824754887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1205306562824754887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/01/ndios-e-cobois.html' title='Índios e cobois'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6417975695254590435</id><published>2008-01-04T16:28:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:09.659Z</updated><title type='text'>O fim da ideologia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R35stWqBfsI/AAAAAAAAARI/BRoPUmjH9JI/s1600-h/Photo-0082.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5151674550190177986" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R35stWqBfsI/AAAAAAAAARI/BRoPUmjH9JI/s400/Photo-0082.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R35gv2qBfrI/AAAAAAAAARA/5DHSzFC_Q3c/s1600-h/Photo-0082.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Coimbra, 2007&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brioso diálogo,&lt;br /&gt;Vertido em pichagem,&lt;br /&gt;Mofando do ideológo,&lt;br /&gt;O cábula passa mensagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6417975695254590435?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6417975695254590435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6417975695254590435&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6417975695254590435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6417975695254590435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2008/01/o-fim-da-ideologia.html' title='O fim da ideologia'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R35stWqBfsI/AAAAAAAAARI/BRoPUmjH9JI/s72-c/Photo-0082.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-5453369688987090482</id><published>2007-12-31T19:53:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:09.824Z</updated><title type='text'>Não fora a galinha, não era eu alfacinha</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R3lP2mqBfqI/AAAAAAAAAQ4/OS9DBVPk9IY/s1600-h/IMG_1011.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150235448383209122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R3lP2mqBfqI/AAAAAAAAAQ4/OS9DBVPk9IY/s400/IMG_1011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Passeamos pela aldeia, ando eu à cata da casa onde passei curtas temporadas da minha infância. Encontro-a, com o seu alpendre debruçado sobre o pátio onde os galináceos debicavam o grão de milho e me incomodavam o sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É hora de jantar e, cá fora, um jovem termina o passeio que deu com o seu velhote e ajuda-o a sair da viatura, largando-o, com um abraço carinhoso, à porta de casa. É o n.º 6 e o velhote é vizinho da casa dos meus verões longínquos. Comento para a minha companhia que se parece com o vizinho, o meu Primo Henrique, que Deus o guarde. Tem o mesmo chapéu de veludo preto, que antes me fazia sonhar com cóbois, o mesmo casaco negro gasto e a mesma camisa branca, bem abotoada no pescoço. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O velhote, guardando-me nos olhos, dá-me, polidamente, as boas noites.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Eu retribuo o cumprimento, em Roma sê romano e na aldeia as gentes falam-se, mesmo se nunca antes se viram. Encho-me de coragem e indago se ele conhecia o Senhor Henrique.&lt;br /&gt;“Vamos lá ver, se estamos a falar dos antigos? Está a falar do Henrique Padeiro?”, pergunta ele no seu forte sotaque beirão – o leitor citadino que troque o duplo esse por xis, o esse solitário por gês, bote um u antes de algumas vocais e terá uma ideia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;“Olhe, isso não sei. Sei que era primo do José Ramos. Conheceu o José Ramos? Eu sou neto dele.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ele faz uma pausa, encolhe-se, põe a mão no peito (seria provavelmente sugestão, mas pareceu-me que se lhe marejaram um pouco os olhos), tira o chapéu e quase grita: “O José Ramos? Oh, homem, nem me fale no José Ramos! Então eu brincava com ele, fomos gaiatos juntos. Tinha eu catorze anos quando o tio o chamou para Lisboa.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ai, o José Ramos. Nem me fale no José Ramos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Um dia havia um jogo entre a Travancinha e o Seia. E o José Ramos tinha um amigo, éramos todos amigos, naquele tempo, mas havia assim uma rivalidade. E então, eles, que eram amigos, mas que no jogo era para levar a sério, combinaram que no fim do jogo ia haver um jantar para oferecer à malta. E que o Seia começaria a ganhar dois a zero mas que depois deixavam-se empatar e ficava tudo quite. Só que o Seia ganhou dois a zero e no fim não havia banquete para ninguém, nem para os de Seia, nem para os de Travancinha. Olhe, o José Ramos não descansou enquanto não houve vinho para todos e uns amendoins. E, quando estava já tudo a comer e a beber, perguntou um de Seia se ele também não comia. E sabe o que é que o José Ramos respondeu? Disse assim: “Agora, já não preciso. Não, agora já não preciso””, como se não quisesse partilhar a mesa. Como se quisesse apenas ensinar aos “lá de Seia” o que era a hospitalidade de Travancinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olhe, era danado, o José Ramos. Tinha um jeito para as beatas, vivia rodeado das beatas”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A moçoila que estava comigo disse que o neto tinha a quem a sair…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O velhote fez um sorriso maroto e abanou os ombros, num meneio de sabedoria que os anos lhe deram, traduzindo o melhor que podia que ela se devia conformar com os genes malandros do avô. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E acrescentou “Pois, nos bailes as beatas vinham sempre à beira do José Ramos. Pudera, era um homem bonito!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ai, nem me fale no José Ramos! Com ele, não havia fome, nem havia sede! Mesmo depois de o tio o ter chamado para Lisboa, ele continuou a cá vir. E só lhe digo, com ele não havia quem passasse fome, nem quem tivesse sede.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, e como foi isso de ele ter ido para Lisboa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essa é uma história de outros tempos, dos antigos. Então, o António Ramos, o tio do José, trabalhava na Câmara de Seia. Não era chefe, era apenas um empregado. Um dia, estavam os gaiatos todos para Seia, e foram atrás de umas galinhas. É que naqueles tempos não era como hoje, as galinhas andavam aí pela rua. E então perseguiram umas galinhas e, olhe, o António pegou numa galinha e atravessou-a”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A moçoila, para quem o velhote, respeitosamente, sempre dirigiu a conversa, perguntou: “Comeu-a?”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;“Pois – confirmou – , atravessou-a. Só que o moço foi contar ao padre. E, claro, o padre contou ao dono. Que era o patrão na Câmara de Seia. E o patrão despediu-o. E então o tio António teve de ir para Lisboa. E quando o sobrinho fez catorze anos, chamou-o para junto de si.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mas o José Ramos continuou a cá vir. E quando vinha, não havia sede, nem havia fome.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ai, nem me fale no José Ramos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-5453369688987090482?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/5453369688987090482/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=5453369688987090482&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5453369688987090482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/5453369688987090482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/12/no-fosse-galinha-no-era-eu-alfacinha.html' title='Não fora a galinha, não era eu alfacinha'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R3lP2mqBfqI/AAAAAAAAAQ4/OS9DBVPk9IY/s72-c/IMG_1011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-209341222068639577</id><published>2007-12-31T19:16:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:10.055Z</updated><title type='text'>Back to basics</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R3lHdGqBfpI/AAAAAAAAAQw/zib9vx4jolI/s1600-h/Photo-0083.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150226214203522706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R3lHdGqBfpI/AAAAAAAAAQw/zib9vx4jolI/s400/Photo-0083.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"&lt;em&gt;Àquela hora, decerto, Jacinto, na varanda em Torges, sem fonógrafo e sem telefone, reentrado na simplicidade, via, sob a paz lenta da tarde, ao tremeluzir da primeira estrela, a boiada recolher entre o canto dos boaideiros&lt;/em&gt;."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eça, &lt;em&gt;A Civilização&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não foram os bois, foram as ovelhas. Um rebanho considerável, e muitas negras. A pastora parecia correr, bem dizíamos as boas tardes, na esperança de recebermos instrução das coisas simples. Ela não queria nada connosco, parecia navegar sobre o manto verde, o rebanho obedecendo como se fosse um único animal, correndo, bem ensinado , em formação de quadrado, um carneiro centurião protegido pelo seu harém lanudo. A pastora pendurava nos braços viçosos uma ovelhinha. Depois de muita insistência, lá afrouxámos o passo da danada. E questionámos, com curiosidade e com deslumbramento, como não sentíamos desde os tempos idos da escola, porque trazia ela a borreguinha pelo cachaço. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Acabou de nascer, ali pelos campos. Ainda não consegue andar com jeito."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Acabou de nascer, como? Há quantos dias?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Há uma hora ou duas. Atrasou-me. A mãe pôs-se a lamber o pêlo todo e a comer a coisa"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"A placenta?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Pois, isso, a placenta" - baixando o olhar e mirando, tímida, o solo enquanto pronunciava, quase muda, essa palavra dos doutores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Posso fazer-lhe uma festinha?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E a pastora consentiu, como se lhe tivessem feito o mais excêntrico - e infantil - pedido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mal botámos a manápula na borreguinha - que trazia ainda pendurado no ventre um fio escarlate vivo-, ouvimos um bramido ameaçador por detrás, era a ovelha negra em desespero maternal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como o Jacinto queirosiano, em silêncio duvidámos do mote: &lt;em&gt;"Quem não admirará os progressos deste século?"&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-209341222068639577?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/209341222068639577/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=209341222068639577&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/209341222068639577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/209341222068639577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/12/back-to-basics.html' title='Back to basics'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R3lHdGqBfpI/AAAAAAAAAQw/zib9vx4jolI/s72-c/Photo-0083.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-7551318560766344586</id><published>2007-12-17T15:32:00.001Z</published><updated>2007-12-17T15:32:13.844Z</updated><title type='text'>Canal Soez</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/born_annoying/1157780670/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://farm2.static.flickr.com/1027/1157780670_8990d150c4_m.jpg" alt="" style="border: solid 2px #000000;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 0.9em; margin-top: 0px;"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/born_annoying/1157780670/"&gt;nasal hair problem&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/born_annoying/"&gt;John (B)&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br clear="all" /&gt;&lt;p&gt;Irrompeu-se-me este trocadilho fácil com o seu púdico (mas razoável) comentário. Mas eu páro já com a pogonologia, prezado MCP. Ainda que me pareça um assunto fascinante.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-7551318560766344586?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/7551318560766344586/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=7551318560766344586&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/7551318560766344586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/7551318560766344586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/12/canal-soez.html' title='Canal Soez'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm2.static.flickr.com/1027/1157780670_8990d150c4_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-7218850492666786645</id><published>2007-12-14T20:17:00.000Z</published><updated>2007-12-14T20:53:23.070Z</updated><title type='text'>Pogonologia</title><content type='html'>&lt;a href="http://bandeiraaovento.blogspot.com/2007/12/mnimas.html"&gt;Meu caro JB&lt;/a&gt;, pois eu cá acho que um homem sabe estar acabado, outrossim, quando, barbeando-se ao espelho, considera, pela primeira vez, desviar a lâmina Gilette do seu percurso quotidiano de modo a ceifar aquele surpreendente e jovem pêlo nasal. E mais certo fica do termo do seu masculino apogeu quando o dito, moqueando do ridículo esforço de recuperação da perdida viçosidade juvenil, recrudesce, mais moçoilo,mais  irrequieto, mais grosso, mais pimpão e ainda mais oblíquo, umas poucas manhãs depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-7218850492666786645?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/7218850492666786645/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=7218850492666786645&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/7218850492666786645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/7218850492666786645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/12/pogonologia.html' title='Pogonologia'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-1215389786948380804</id><published>2007-12-14T19:32:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:10.286Z</updated><title type='text'>Dicas para o sapatinho</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R2LaumqBfoI/AAAAAAAAAQo/In2hWSL7qMQ/s1600-h/Historia-do-Feio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143914218596171394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R2LaumqBfoI/AAAAAAAAAQo/In2hWSL7qMQ/s400/Historia-do-Feio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Folheei o livro e pareceu-me interessante. Intrigou-me que o Umberto se tivesse lembrado de escrever uma biografia do nosso Presidente da República, mas afinal o material é mais abstracto. &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-1215389786948380804?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/1215389786948380804/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=1215389786948380804&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1215389786948380804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1215389786948380804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/12/dicas-para-o-sapatinho.html' title='Dicas para o sapatinho'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R2LaumqBfoI/AAAAAAAAAQo/In2hWSL7qMQ/s72-c/Historia-do-Feio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-120306774758885224</id><published>2007-12-11T18:23:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:10.466Z</updated><title type='text'>Retalhos da vida de um consultor</title><content type='html'>Aproveitando sofregamente os últimos 15 dias em que se pode matar o vício no estaminé, fui à cafetaria injectar nicotina. Quando regressei, tinha este poster pendurado, recordando o saudoso Justiceiro, embelezando o meu posto de trabalho. Uns queridos, hmm, estes colegas, hmm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5142784604774386498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R17XWbPsy0I/AAAAAAAAAQg/cu7zR3CSIGI/s400/KnightRiderPoster01%252Bcopy.jpg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-120306774758885224?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/120306774758885224/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=120306774758885224&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/120306774758885224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/120306774758885224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/12/retalhos-da-vida-de-um-consultor.html' title='Retalhos da vida de um consultor'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R17XWbPsy0I/AAAAAAAAAQg/cu7zR3CSIGI/s72-c/KnightRiderPoster01%252Bcopy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-1858175356084711084</id><published>2007-12-10T19:08:00.001Z</published><updated>2007-12-11T13:56:28.973Z</updated><title type='text'>O prudente</title><content type='html'>Tinha tanto medo do fracasso que, determinado, entornou o sonho, libertando-o, cano abaixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-1858175356084711084?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/1858175356084711084/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=1858175356084711084&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1858175356084711084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1858175356084711084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/12/o-prudente.html' title='O prudente'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-7636442150374451699</id><published>2007-12-05T01:00:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:10.721Z</updated><title type='text'>For the company</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R1X4PbPsyzI/AAAAAAAAAQY/hhDSu2d1JLs/s1600-h/casfront.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140287493608622898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R1X4PbPsyzI/AAAAAAAAAQY/hhDSu2d1JLs/s400/casfront.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ou muito me engano, ou daqui a uns dias um &lt;a href="http://musicadoacaso.blogspot.com/"&gt;blogue &lt;/a&gt;desactivado há muito vai finalmente sofrer uma actualizaçãozita...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Post-templatum: Nem de propósito, pesquei &lt;a href="http://jnpdiaries.blogspot.com/2007/12/memrias-do-fish.html"&gt;aqui &lt;/a&gt;uma bela posta. De peixe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-7636442150374451699?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/7636442150374451699/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=7636442150374451699&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/7636442150374451699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/7636442150374451699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/12/for-company.html' title='For the company'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R1X4PbPsyzI/AAAAAAAAAQY/hhDSu2d1JLs/s72-c/casfront.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6964310469835230159</id><published>2007-12-04T18:38:00.000Z</published><updated>2007-12-04T18:48:49.495Z</updated><title type='text'>Da hedionda redonda</title><content type='html'>-10º logo à noite.&lt;br /&gt;Pode ser que o Luís Filipe e o Dí María apanhem uma pneumonia.&lt;br /&gt;Pode ser que as radiações de Chernobyl transformem o pé direito do Cardozo num segundo pé esquerdo.&lt;br /&gt;E que o David Luiz e o Luisão neutralizem a Maria Amélia.&lt;br /&gt;Se, como é provável, nada disto acontecer, lá ficamos a disputar o acesso à Liga dos Campeões do ano que vem com o Vitória de Guimarães.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6964310469835230159?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6964310469835230159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6964310469835230159&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6964310469835230159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6964310469835230159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/12/da-hedionda-redonda.html' title='Da hedionda redonda'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-1124215474150884083</id><published>2007-11-29T17:42:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:11.079Z</updated><title type='text'>Xe(i)que Russo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R08AkdXre_I/AAAAAAAAAQQ/1IiRCRvjwtY/s1600-h/chessboard.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138326326212262898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R08AkdXre_I/AAAAAAAAAQQ/1IiRCRvjwtY/s400/chessboard.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tempos idos, vivia &lt;em&gt;do&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;para&lt;/em&gt; o xadrez.&lt;br /&gt;Facilitaram-lhe a vida: hoje vive &lt;em&gt;no &lt;/em&gt;xadrez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-1124215474150884083?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/1124215474150884083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=1124215474150884083&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1124215474150884083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/1124215474150884083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/11/xeque-ao-mestre.html' title='Xe(i)que Russo'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/R08AkdXre_I/AAAAAAAAAQQ/1IiRCRvjwtY/s72-c/chessboard.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-3692986945553962372</id><published>2007-11-26T14:21:00.000Z</published><updated>2007-11-26T14:29:24.940Z</updated><title type='text'>????</title><content type='html'>Na festa de aniversário da velha Pergunta Sincera,  último exemplar vivo de uma espécie em vias de extinção, a sala de interrogatórios foi bombardeada por muitas perguntas, embora tantas outras tenham ficado no ar. Entre elas, a própria Pergunta Sincera, que, para surpresa das restantes, não compareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quebrar o silêncio, e porque não tinha nada a perder, a Pergunta Redundante chegou-se à frente para fazer um oco e interminável discurso de comenda. Como se não bastasse a verborreia da Pergunta Redundante para distrair as atenções, estavam tantas Perguntas Indiscretas na ocasião que as outras não conseguiram ouvir quase nada do discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, uma intrusa, a Resposta Categórica, dando um urro e um murro na mesa, de uma penada calou as irrequietas Perguntas Indiscretas, impondo a solenidade que o ocasião exigia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando-se do momentâneo silêncio, a Pergunta Intrigante insidiosamente sibilou aos ouvidos das suas comadres, as Questões Mais Frequentes:&lt;br /&gt;“Olhem lá, aqui entre nós, vocês nunca desconfiaram da relação entre a Pergunta Sincera e a Pergunta Especulativa?”&lt;br /&gt;“Entre a Pergunta Sincera e essa milionária?”, retorquiram, em tom de virgem arrependida, as Questões Mais Frequentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enojada com a infame insinuação, a Resposta Evasiva deu rapidamente à sola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas com tanta Questão Mais Frequente presente, depressa o boato cresceu e chegou aos ouvidos das Perguntas dos Leitores, que trataram de o fazer chegar à imprensa escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, houve uma minoria que desconfiou do rumor, como a Pergunta Lógica, que quis saber porque carga de água precisaria a Pergunta Especulativa da Pergunta Sincera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que a Pergunta-que-Traz-Água-no-Bico retorquiu, entre dentes, se a questão fundamental não seria a inversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pergunta em pergunta, lá se foi esquecendo o motivo desta história toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa última tentativa, tentando colocar os pontos nos ii, a Pergunta Difícil questionou os presentes se sabiam a razão da ausência da última Pergunta Sincera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, uma homenagem falhada transformou-se num feliz evento, pois tinha vindo ao mundo uma recém-nascida. A Pergunta Sem Resposta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-3692986945553962372?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/3692986945553962372/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=3692986945553962372&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3692986945553962372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3692986945553962372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/11/blog-post.html' title='????'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-3443182657221269521</id><published>2007-11-21T17:28:00.000Z</published><updated>2007-11-21T17:33:57.189Z</updated><title type='text'>Direito de resposta</title><content type='html'>A propósito &lt;a href="http://joaogil.blogspot.com/2007/11/ler-ler-sempre-precisa-se-de-matria.html"&gt;disto&lt;/a&gt;, caro João, e como hoje acordei, ó horror dos horrores, vascopulidovalentiano dos pés à cabeça, tenho a dizer o que segue.&lt;br /&gt;Portugal tem dois caminhos possíveis: ou aceita de uma vez por todas os Portugueses tal como eles sempre foram, são e serão, ou lhes move uma acção de despejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-3443182657221269521?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/3443182657221269521/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=3443182657221269521&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3443182657221269521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3443182657221269521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/11/direito-de-resposta.html' title='Direito de resposta'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4014788256487860007</id><published>2007-11-19T15:40:00.000Z</published><updated>2007-11-19T15:54:32.934Z</updated><title type='text'>XL</title><content type='html'>Quanto mais convivo com crianças, mais acredito que a pergunta certa seria: o que não queres deixar de ser quando fores grande?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4014788256487860007?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/4014788256487860007/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=4014788256487860007&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4014788256487860007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4014788256487860007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/11/xl.html' title='XL'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4231962519493731132</id><published>2007-11-16T19:08:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:11.548Z</updated><title type='text'>Requiem da posta</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/Rz3q8B1p70I/AAAAAAAAAP4/670VHhyOlvo/s1600-h/palimpsesto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133517467278765890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/Rz3q8B1p70I/AAAAAAAAAP4/670VHhyOlvo/s400/palimpsesto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pelo MCP, o único leitor que sente falta das alarvidades que aqui são escritas (será mal de emigrante, mas isso com o tempo cura-se, suponho) me penitencio pelo longo interlúdio nestas lides. Garanto-vos que não se trata de preguiça, timidez ou, sequer, falta de inspiração. Preguiçoso serei bastante, mas apenas quando se trate de tarefa com contrapartida monetária. Tímidez é qualidade que não possuo (de muitos cuidados me teria livrado se a tivesse na medida certa). A falta de inspiração é manifesta, mas não me tem impedido de escrevinhar estes disparates que, pese a vossa inteligência, persisteis em ir lendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não se trata disso. É mister de outra cousa. A causa da minha recente apatia prende-se, antes, com um defeito que carrego comigo desde pequenino: sou demasiado piedoso (como repetidamente me acusa a perspicaz &lt;a href="http://paravento.blogspot.com/"&gt;Miss Ao Léu&lt;/a&gt;) e saudosista (defeito que partilho com o ilustre autor desse &lt;a href="http://musicadoacaso.blogspot.com/"&gt;blogue &lt;/a&gt;tão mais interessante do que este).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, tenho para mim que um blogue não passa de uma versão moderna de um palimpsesto. Para o leitor que o ignore (e tendo em conta a insensatez do conteúdo das palavras deste escriba, não será de admirar que o leitor médio deste Wordaholic o desconheça), um palimpsesto é uma página manuscrita cujo conteúdo foi apagado (mediante lavagem ou raspagem) e escrito novamente (in &lt;em&gt;Wikipédia&lt;/em&gt;). Antes de Guttenberg e da Portucel, o papel era mais raro do que é hoje um jogador decente do Sporting. Por isso, os copistas grafavam os textos e as ilustrações em papiro, e, depois dos textos terem sido lidos por um número suficiente de leitores, raspava-se a camada de tinta e reutilizava-se o papiro para novos textos. E por aí fora. Os escritos antigos tinham, pois, o fado merecido, consoante a respectiva qualidade: ou se perdiam para toda a eternidade ou perduravam na memória dos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o que é um blogue senão um palimpsesto digital? Como o espaço visível de um blogue comporta uma quantidade limitada de texto, quanto mais frequentemente se escrever novos posts, mais cedo os anteriores se evaporam. E, ainda que exista um truque chamado arquivo, alguém acredita que o leitor de um blogue deste calibre se dê ao trabalho de o ir catar à procura de alguma pulga, perdão, texto de jeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, por muita bosta que seja cada posta, um tipo afeiçoa-se. As nossas postas são como os nossos filhos, nunca vemos os seus defeitos. Aquela posta inspirada, aquele comentário pertinente, aquela raiva tão expressivamente expressada, aquela piadinha tão singela, tudo irá com os beleléus no prazo máximo de, digamos, três semanas, RIP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso tenho sido poupadinho, como sugerem os nossos governantes. Tive pena das minhas postas. Mas se, como é provável, achardes toda esta tese uma parvoeira pegada, não vos apoquentais. Seguirei o conselho de Vossa Senhoria e escrevinharei com maior regularidade. E brevemente estas linhas terão tido o destino adequado: a obnubilação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4231962519493731132?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/4231962519493731132/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=4231962519493731132&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4231962519493731132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4231962519493731132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/11/requiem-da-posta.html' title='Requiem da posta'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/Rz3q8B1p70I/AAAAAAAAAP4/670VHhyOlvo/s72-c/palimpsesto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-4534697128949935955</id><published>2007-11-09T12:17:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:11.810Z</updated><title type='text'>Reencontros</title><content type='html'>Finda mais uma jorna de labuta, com um astral filho da puta, descia pela rua ao som de Lou Reed, a caminho da doméstica lide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anestesiado por um dia de condenado, pressinto, pelo canto desse olho esgazeado, um perfil familiar no semáforo parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrependido do meu passo de corrida, não rolo mais pela cidade a toda a brida, pois, se à nuca arriba o arrepio, estougo o passo e aquele corpo reaprecio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que fosse uma estampa de tão bonita, mas portava uma linha assaz catita. Era como uma velha amante, fazia-me sentir o Diogo Infante, com ela fui ao reino da Dinamarca e aportei à pátria do Petrarca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó fiel companheira, Inch'Allah que te revi, minha Laguna prazenteira, de teu nome 83-15-HI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130849332816994658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/RzRwSKabYWI/AAAAAAAAAPw/fLuZMn1xzvs/s400/97LagunaBreak.jpg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-4534697128949935955?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/4534697128949935955/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=4534697128949935955&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4534697128949935955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/4534697128949935955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/11/reencontros.html' title='Reencontros'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/RzRwSKabYWI/AAAAAAAAAPw/fLuZMn1xzvs/s72-c/97LagunaBreak.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6520656190430836983</id><published>2007-11-07T17:59:00.000Z</published><updated>2008-12-12T01:01:12.038Z</updated><title type='text'>Retalhos da vida de um consultor</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/RzIJAV5H1LI/AAAAAAAAAPo/WhVzCx7WDJ0/s1600-h/modern+times.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130172827009799346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/RzIJAV5H1LI/AAAAAAAAAPo/WhVzCx7WDJ0/s400/modern+times.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eles de gel, tez de cal, camisa amarela e gravatuncha verde, sapato de borracha, que é mais confortável, discutem com o calor dos grandes debates de quantos milissegundos é feita a transmissão de dados por satélite e as suas vantagens e inconvenientes face à tradicional transmissão por cabo. Elas, colar de crucifixo, túnicas cai-cai e alça do soutien à vista, portadoras de um agradável odor a perfume lavanda, descrevem cada pormenor da última visita ao pediatra que examinou o génio do seu rebento ou as graçolas que se disseram na última sessão do Por um Casamento de Sonho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As piadas homofóbicas, conversas sobre a arbitragem nacional, os relatos dos Gatos Fedorentos, em alternância com os desafios que a nossa firma tem de enfrentar num quadro de acrescida concorrência, só superável com o espírito de equipa, combatividade e amor à camisola que nos distingue.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O branding, o client relationship, o targeting, os receivables, a performance, o team playing e o team building, o feedback, o role model e o management.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A moradia na Quinta da Marinha, o Lamborghini e o Rolex para uns, o apartamento em Telheiras, o BM e as férias em Punta Cana - "all inclusive", pois claro- para outros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A imaginativa substituição de substantivos por verbos no infinitivo - "o que é importante é &lt;em&gt;o gostarmos&lt;/em&gt; daquilo que fazemos, é &lt;em&gt;o estarmos&lt;/em&gt; de bem com a vida e com nós mesmos". A proliferação dos inhos e das inhas - "Agora há uns separadorzinhos que até dá gosto arquivar, fica tudo arrumadinho".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A gaja que masca ruidosamente a pastilha e o tipo que acaba metade das banalidades que profere com a interjeição expressivo-interrogativa "..., &lt;em&gt;Né&lt;/em&gt;?". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E os e-mails em cadeia. As frases sempre terminadas com inúmeros pontos de exclamação. As apresentações (prazer em conhecer) em Power Point com letrinhas muito coloridas que vão saltitando pelo ecrã, acompanhadas daquela musiquinha bonitinha tão apta para limpar o cuzinho. Os e-mails a pedir sangue, a requerer pedaços da nossa medula, se alguém viu a criança desaparecida, pobres dos pais, imagine que isso lhe acontecia a si. As correntes de solidariedade com as vítimas do Darfur, do Tibete, da Birmânia ("Olha que não é Birmânia, é Myanmar", ai mas a geral cultura do fulano), a Maddie, as fotos do trágico acidente rodoviário na A23, o vídeo do Cristiano Ronaldo, a localização dos radares na A1. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Procura-se bazuca, com munições. Providenciam-se alvíssaras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6520656190430836983?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6520656190430836983/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6520656190430836983&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6520656190430836983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6520656190430836983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/11/retalhos-da-vida-de-um-consultor.html' title='Retalhos da vida de um consultor'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/RzIJAV5H1LI/AAAAAAAAAPo/WhVzCx7WDJ0/s72-c/modern+times.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-7430316348814324496</id><published>2007-10-30T18:01:00.000Z</published><updated>2007-10-30T22:52:53.770Z</updated><title type='text'>O último perfume do Rei Narigão</title><content type='html'>&lt;em&gt;Epílogo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Soaram as trompas pelo reino, anunciando o torneio. Foi comunicado que tomaria a mão da Princesa Hortênsia o súbdito que desse a saborear ao Rei um odor que lhe fosse totalmente novo. Teriam os pretendentes duas semanas para obter esse perfume desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo dos dotes do rei malvado, compareceram ao torneio apenas três candidatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro usava o nome de Cavaleiro Ardente. Era forte e audaz mas bruto como as casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo, de sua graça João Sabichão, era astuto e estudioso, um rato de biblioteca, e feio como uma raposa velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro era formoso, bem disposto e bom compincha, ainda que os seus amigos lhe apontassem o defeito da preguiça. Chamava-se Margarido e Hortênsia estava por ele caída de amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cavaleiro Ardente pegou no seu cavalo reluzente e zarpou a toda a brida para o Reino das Trevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Sabichão, mal o Rei lançou o repto, sorriu e voltou, plácido, para a biblioteca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Margarido voltou para o seu quarto, onde durante duas semanas não fez melhor do que ouvir música no seu I-Pod, jogar ao Fifa 2008 na PlayStation e namorar com Hortênsia no Messenger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas semanas passaram num ápice e os três pretendentes compareceram perante o Rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cavaleiro Ardente tinha os cabelos desgrenhados, a face suja e manchada de sangue seco e apresentava queimaduras pelo corpo. Carregava consigo uma geleira, daquelas de piquenique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o João Sabichão trazia na mão direita um copo de cristal, contendo um líquido transparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, Margarido apresentou-se, singelo, com a sua velha adaga, enegrecida e corroída pela ferrugem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei Narigão aproximou-se e o Cavaleiro Ardente abriu a geleira:&lt;br /&gt;“Trago-te o coração de um dragão alado. Apesar de ser um músculo, dizem as lendas que não cheira a carne, mas a enxofre!”&lt;br /&gt;“Pode ser, Cavaleiro Ardente, mas para isso terias que ter posto gelo na tua geleira, grande burro. Isto cheira-me a carne podre. Para o fosso dos jacarés” – e foi para onde a Guarda Real o lançou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio então o João Sabichão. Mostrando ao Rei o copo de cristal, disse-lhe:&lt;br /&gt;“Trago-te as lágrimas de uma viúva recolhidas no funeral. Cheiram a piedade e a desgosto. Aposto que são fragrâncias que desconheces, meu Rei”.&lt;br /&gt;“São lágrimas de crocodilo, isso sim. Foi a viúva que matou o marido, para viver com o amante. Sei-o pelo cheiro, tresanda a luxúria e traição. Para o fosso!”. E a Guarda Real deu mais comida aos jacarés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restava apenas Margarido. Aproximando-se do Rei, pediu que este cheirasse o seu velho punhal. Não sentindo outra coisa que não o cheiro a metal enferrujado, Margarido insistiu para que Rei que se aproximasse ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apanhando-o desprevenido, Margarido desenhou com o traço da velha mas afiada lâmina um corte preciso e cirúrgico no pescoço do Rei. Jorrava sangue da jugular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Guarda Real pegou em Margarido e já o levava para fora do castelo, preparando-se para lançá-lo aos jacarés, quando o Rei, num último estertor, e fazendo um sorriso de prazer, exclamou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Esperem, não o levem. Margarido venceu. Sinto um perfume novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o perfume da minha Morte!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Margarido desposou Hortênsia, foi coroado como Rei Margarido e viveram felizes para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-7430316348814324496?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/7430316348814324496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=7430316348814324496&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/7430316348814324496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/7430316348814324496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/10/o-ltimo-perfume-do-rei-narigo_30.html' title='O último perfume do Rei Narigão'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-3484322197347238345</id><published>2007-10-26T16:29:00.000+01:00</published><updated>2007-10-30T22:44:30.922Z</updated><title type='text'>O último perfume do Rei Narigão</title><content type='html'>(Capítulo II)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse talento trazia-lhe, no entanto, não poucos problemas. Num reino em que as represas estavam descuidadas, porque o rei não se preocupava com a sede dos seus súbditos, poucos praticavam os hábitos higiénicos mínimos, o que era desagradável para toda a gente, mas ainda mais para as narinas sensíveis do déspota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior ainda, sabia quase sempre o que os outros sentiam. Se, apesar das vénias, o detestavam, cheirava-lhe a urtiga. Se lhe pediam esmola, o odor era a cobre. Se um bobo lhe contava uma anedota, sabia antecipadamente se a piada era de salão, caso em que do bobo exalava um cheiro a chá Earl Grey, ou ordinária, caso em que o comediante tresandava a pimiento padrón. Pelo que já nem uma anedota fazia o rei esboçar um sorriso. Ora, se tão apurado sentido olfactivo lhe era útil para o exercício das suas reais funções, não lhe restava nenhum mistério na natureza humana com que o rei pudesse espantar-se. O rei sentia, pois, um tédio imenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só a princesa, de seu nome Hortênsia, persistia em surpreendê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um dia, mal tinha acabado o Inverno, que Hortênsia o visitou de manhã nos seus aposentos, estava o rei ainda vestido no seu real pijama de seda perfumada a incenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Querida filha, que pivete é este que sinto no ar? Alguma coisa te preocupa?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Senhor meu pai, é a Primavera.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E o que tem a Primavera que possa apoquentar a minha linda princesa?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Senhor meu pai, não sou mais uma criança, as flores desabrocham e eu preciso de um príncipe. Desejo desposar-me.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Filha, queres dar-me, portanto, um herdeiro, alguém que prossiga a minha missão neste reino. Não seja por isso, não julgues que não tenho pensado no futuro, tenho muitos pretendentes que dariam tudo para ter a tua mão.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas paizinho, eu já tenho um príncipe que amo, é tão bonito e tão gentil.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nem penses nisso, vou organizar um torneio e o vencedor terá a tua mão. Há uma tradição que tem de se cumprir.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temerosa, a Princesa Hortênsia chorou lágrimas de alecrim e hortelã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-3484322197347238345?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/3484322197347238345/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=3484322197347238345&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3484322197347238345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/3484322197347238345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/10/o-ltimo-perfume-do-rei-narigo_26.html' title='O último perfume do Rei Narigão'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-8783459504480483477</id><published>2007-10-24T14:55:00.000+01:00</published><updated>2008-12-12T01:01:12.289Z</updated><title type='text'>Da hedionda redonda</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/Rx9Vkq1hDgI/AAAAAAAAAPc/GIV8Wzf_aB4/s1600-h/roma+sporting.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124908989433318914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/Rx9Vkq1hDgI/AAAAAAAAAPc/GIV8Wzf_aB4/s400/roma+sporting.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É Futebol e é Fado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Faltou só um bocadinho, Vasquinho. Foi prestes, João.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não fora o santinho do Tiago. E não fora o pobre do Abel, que, finda a pleita, qual cachorrinho escorraçado, em pública penitência perante os fiéis, gania: "Caim, Caim, Caim".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas é preciso ter fé. Certamente que com Esforço, Dedicação e, acima de tudo, uma imensa Devoção, atingirão a celestial Glória.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem que para tanto, depois das pias procissões a Belém, Roma e Fátima, o Mister Paulo, de cognome "o Bento", tenha de conduzir os seus acólitos, em romaria, a Jerusalém, a Cidade Santa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ámen.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-8783459504480483477?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/8783459504480483477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=8783459504480483477&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8783459504480483477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8783459504480483477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/10/da-hedionda-redonda.html' title='Da hedionda redonda'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ek1XrkkVCqw/Rx9Vkq1hDgI/AAAAAAAAAPc/GIV8Wzf_aB4/s72-c/roma+sporting.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-8312957297587603522</id><published>2007-10-23T17:53:00.000+01:00</published><updated>2007-10-30T22:43:32.932Z</updated><title type='text'>O último perfume do Rei Narigão</title><content type='html'>Era uma vez um rei viúvo, velho e malvado que tinha uma única filha, jovem e bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei tinha um nome comprido, nobre, grandioso, daqueles de que só os reis podem usufruir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas todos os súbditos simplesmente o chamavam de Rei Narigão, pois ele tinha um dom: conseguia distinguir com precisão todos os odores, todos os perfumes, todos os aromas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era ele ainda muito jovem, e já cometia a ousadia de desafiar os sábios de entre os sábios do Reino da Organdilândia, ao mesmo passo que escarnecia dos famosos perfumistas do Principado da Lavandilândia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão altiva e imprudente atitude valeu-lhe as críticas veladas dos conselheiros do reino, mais experientes e prudentes do que o jovem rei, mas isso não o apoquentou. Não houve cheiro que se lhe escapasse, e, ao desafio, acabou por acrescentar aqueles reinos ao seu novo Império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com perseverança e treino, o rei foi aprimorando a sua técnica. E a lenda foi crescendo. Dizia o seu povo que, com o passar dos anos, ele conseguia até sentir o odor das coisas sem odor: como os pensamentos ou os sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso fazia dele um rei muito poderoso. Sabia sempre quando lhe estavam a mentir, pois, quando o tentavam enganar, sentia um cheirete a &lt;em&gt;vinarrascão (&lt;/em&gt;que o rei explicava, aos poucos súbditos a quem dava confiança, ser como que um aroma a vinagre barato de vinho carrascão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, sempre que sentia esse cheiro, mandava o mentiroso para o fosso dos jacarés, que eram os seus animais de estimação predilectos. Não tanto pelo seus olhos pintados de âmbar, perfil esguio ou a textura de bicho escorregadio, mas mais pelo seu odor a leite azedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(continua, se der na gana ao insane escriba)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-8312957297587603522?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/8312957297587603522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=8312957297587603522&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8312957297587603522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/8312957297587603522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/10/o-ltimo-perfume-do-rei-narigo.html' title='O último perfume do Rei Narigão'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-925659278651425913.post-6958847949584077088</id><published>2007-10-23T14:47:00.000+01:00</published><updated>2007-10-24T10:59:16.284+01:00</updated><title type='text'>Elementar, meu caro J. Watson</title><content type='html'>Como bem sabe quem tenha de lidar com um em casa, é certo que os homens são menos inteligentes do que as mulheres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/925659278651425913-6958847949584077088?l=umcid.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umcid.blogspot.com/feeds/6958847949584077088/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=925659278651425913&amp;postID=6958847949584077088&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6958847949584077088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/925659278651425913/posts/default/6958847949584077088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umcid.blogspot.com/2007/10/politicamente-incorrecto.html' title='Elementar, meu caro J. Watson'/><author><name>Tiago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09637269812857067862</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
