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Escrevo porque escrevendo me conheço ou escrevo porque escrevendo me reinvento. Escrevo porque escrever é uma terapia. Escrevo porque na escrita estabeleço ligações submetidas a anárquicas leis internas, leis que não se submetem à filosofia, não se vergam à matemática, não se prostram sequer aos ditames da própria vida. Escrevo porque quero que me queiram. E por aí fora.
Todas as razões ou pretextos ou justificações são verdadeiros, tanto quanto falsos. A verdade é que o impulso da escrita é um mistério. A verdade é que sobreviveria perfeitamente sem escrever.
O que não suporto é querer fazer alquimia e não o conseguir. Transformar a ideia na palavra. Esta angústia, a angústia da busca da palavra exacta, tem-me assaltado amiúde. Para lá do tolerável. Será por isso? Ou por preguiça ou por inépcia ou por desinspiração ou por ciúme do Veronesi, do Eça, do Bolaño, do Agualusa, do Coetzee, para, de entre verdadeiros escritores, mencionar apenas os que me maravilharam nos últimos tempos. Ou porque atravesso um bom momento ou tenho outros projectos ou tenho menos tempo.
Talvez sim, talvez nim, talvez não. A verdade é que uma causa ou pretexto ou justificação para a falta de vontade de escrever (pelo menos neste suporte) será verdadeira, na mesma medida em que será falsa.
A verdade é que a falta de vontade de escrever é também um mistério. Por ora, não me apetece. Até breve ou até sempre. Obrigado.

3 comments:
Tiago .. da última vez que atravessei período igual houve alguém que me escreveu "não precisas de inspiração, tu escreves como respiras".
Ofereço-te agora a frase esperando que não deixes aqui o espaço branco de letra negra, encadeada, com sentido.
Porquê? Porque gosto de te ler e sim estou a ser totalmente egoista :)
Um Abraço e até breve
Bom, ficamos aqui sentados à espera. Coisas que fazem parte da vida.
O que nos vai valendo é que essas coisas dão-te forte mas passam depressa. Entretanto, só nos resta esperar.
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